O Deus que Abre os Olhos – Estudo e Sermão em 2 Reis 6:8-23

2 Reis 6:8 é a passagem bíblica conhecida por muitos pelo relato em que Eliseu adivinha os conselhos do rei da Síria. Podemos intitular esse texto de “O Deus que abre os Olhos”, porque Ele abriu os olhos espirituais de Eliseu, de seu moço e dos inimigos.

Como sempre nas Escrituras, o principal ator desse drama é o Senhor e não o profeta. Deus não é como os ídolos das nações (Sl 115), pois somente ele é o verdadeiro Deus vivo que vê todas as coisas.

Conforme a necessidade que tinham de uma visão espiritual, ou seja, ver além dos olhos físicos, Deus mostrou algo a cada um deles. Vejamos, então as lições de 2 Reis 6:8-23.

Conforme a Necessidade de ver espiritualmente, veja o que Deus Mostrou:

1. Para Eliseu, Deus mostrou os planos do inimigo (2 Reis 6:8-14)

Sempre que os siros planejavam um ataque à fronteira, o Senhor dava a informação a Eliseu, e o profeta avisava o rei. Baal jamais poderia ter feito isso pelo rei Jorão, pois os ídolos “Têm olhos e não vêem.” (Sl 115:5).

Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons. (Provérbios 15:3).

O Senhor não apenas vê as ações, mas também os pensamentos de todos bem como o coração.

O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são vaidade. (Salmo 94:11).

A maioria das pessoas em Israel, o reino do Norte, não era fiel ao Senhor e, no entanto, em sua misericórdia, ele cuidou do seu povo.

Um rei ignorante e um Deus onisciente

O rei da Síria estava certo de que havia um traidor em seu acampamento, pois a mente do incrédulo interpreta todas as coisas do ponto de vista do mundo.

Porém, um dos oficiais de Ben-Hadade sabia o que estava acontecendo e informou ao rei que o profeta Eliseu tinha conhecimento do que o rei dizia e fazia até no próprio quarto.

A solução lógica era eliminar Eliseu. Mais uma vez, vemos a ignorância do rei, pois se Eliseu ficava sabendo de todos os planos do rei para o ataque à fronteira, por certo também ficaria sabendo desse plano.

Os espias de Ben-Hadade encontraram Eliseu em Dotã, uma cidade cerca de 20 quilômetros ao norte da capital, Samaria. A casa de Eliseu ficava em Abel-Meolá, mas, em seu ministério itinerante, ele se deslocava de uma cidade para a outra.

Um profeta que confia em Deus

Em termos humanos, teria ficado mais seguro na cidade fortificada de Samaria, mas o profeta não teve medo, pois sabia que Deus cuidava dele.

A chegada de uma companhia de soldados, cavalaria e carros com seus cavaleiros naquela noite não
perturbou nem um pouco o profeta. Não era o exército todo, mas sim um grupo grande, como aquele que realizava os ataques na fronteira.

Quando os servos de Deus estão dentro de sua vontade e realizando sua obra, tornam-se imortais até que essa obra esteja completa.

A necessidade de Eliseu não era ver que Deus estava cuidando dele, porque isso ela já sabia, mas era saber o que os inimigos estavam tramando. E, portanto, revelar ao rei de Israel mostrando que o Senhor é o único Deus que pode saber de tudo!

2. Para o moço de Eliseu, Deus mostrou um exército ao seu lado (2 Reis 6:15-17)

O servo mencionado no texto não é Geazi, pois ele havia sido afastado de sua função e fora substituído.

O jovem acordava cedo, o que é bom sinal, mas ainda era deficiente em sua fé.

Vendo a cidade cercada de soldados inimigos, sua reação foi natural e buscou a ajuda de seu senhor.

Ficamos imaginando quais promessas do Senhor vieram à mente e ao coração de Eliseu, pois é a fé na Palavra de Deus que traz paz em meio à tempestade. É possível que se tenha lembrado das palavras de Davi no Salmo 27:3:

Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisto confiaria.

Ou talvez as palavras de Moisés em Deuteronômio 20:3,4 lhe tenham vindo à mente:

E dir-lhe-á: Ouvi, ó Israel, hoje vos achegais à peleja contra os vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração: não temais nem tremais, nem vos aterrorizeis diante deles, Pois o SENHOR vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos.

Um servo assustado

Eliseu não se preocupou com o exército, antes, sua maior preocupação foi com o servo assustado.

Ao andar com Eliseu e servir a Deus, o rapaz enfrentaria várias situações difíceis e perigosas e teria de aprender a confiar no Senhor. Nesse caso, provavelmente oraríamos pedindo ao Senhor que desse paz ao coração do jovem ou que acalmasse sua mente, mas Eliseu orou pedindo a Deus que abrisse os olhos do servo.

Ele vivia de acordo com as aparências, não pela fé, e não conseguia ver o enorme exército angelical do Senhor cercando a cidade.

A fé nos permite ver o exército invisível de Deus e crer que ele nos dará a vitória.

Os anjos são servos do povo de Deus e, até chegarmos ao céu, jamais saberemos exatamente quanto eles nos ajudaram.

A necessidade, portanto, do moço era crer de verdade em Deus, “porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”.

3. Para os inimigos, Deus mostrou sua grande misericórdia (2 Reis 6:18-23)

Eliseu não pediu que o Senhor ordenasse ao exército angelical para destruir os soldados de Ben-Hadade. Como acontece com as nações nos dias de hoje, a derrota só serve para promover a retaliação, e Ben-Hadade teria mandado outra companhia de soldados.

Os planos de Deus são melhores

Deus deu a Eliseu um plano muito melhor. Havia acabado de orar pedindo que o Senhor abrisse os olhos de seu moço e, então, orou pedindo que Deus escurecesse a vista dos soldados siros.

Os homens não ficaram inteiramente cegos, pois se isso tivesse acontecido, não poderiam ter seguido Eliseu, porém, sua visão foi enevoada de tal modo que puderam ver, mas não compreender.

A ilusão deles era que estavam sendo conduzidos à casa de Eliseu quando, na verdade, Eliseu os estava levando para a cidade de Samaria!

Na verdade, o profeta estava salvando a vida dos siros, pois se o rei Jorão estivesse no comando, teria dado cabo deles (v. 21). Por certo, Eliseu levou-os até o homem que estavam procurando.

Quando o exército chegou a Samaria, os guardas devem ter ficado espantados ao ver o profeta conduzindo os soldados, mas atenderam a seu pedido e abriram as portas. Em seguida, Deus abriu os olhos dos siros.

Imagine qual não foi a surpresa desses soldados ao encontrar-se no centro da capital ao cuidado dos israelitas.

Se dependesse do rei Jorão, teria executado todos os soldados siros e assumido o crédito pela grande vitória, mas Eliseu interveio.

A misericórdia através do homem de Deus

O rei Jorão desejava executar os siros, mas Eliseu os “abateu com sua bondade”. Ao comerem juntos, fizeram uma aliança de paz, e as companhias de soldados siros deixaram de atacar as fronteiras de Israel.

Será que esse tipo de abordagem evitaria conflitos nos dias de hoje? Devemos nos lembrar de que Israel era uma nação da aliança e de que o Senhor lutava suas batalhas.

Nenhum a nação poderia reivindicar esse tipo de privilégio. Porém, se a bondade substituísse as profundas e tão antigas diferenças étnicas e religiosas entre os povos, bem como o orgulho nacional e a cobiça internacional, sem dúvida haveria menos guerras e bombardeios.

O mesmo princípio aplica-se ao fim do divórcio e ao abuso nas famílias, a tumultos e saques em bairros, a agitações em escolas e a divisões e conflitos em nossas comunidades.

Será que se a Rússia e a Ucrânia tivessem essa “visão de misericórdia” teria guerras?

A necessidade dos inimigos, eram, portanto, ver o quanto Deus é misericordioso.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mateus 5:7).


Referências: Wiersbe-Comentário Expositivo.


André Lourenço

Professor sempre aprendiz da Bíblia que gosta de ensinar sobre um Deus inexplicável!
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