Hospitalidade nos Tempos Bíblicos

Como era a Hospitalidade nos Tempos Bíblicos? Saiba nesse estudo como naqueles tempos as pessoas tratavam seus hóspedes.

COMO ERA A HOSPITALIDADE NOS TEMPOS BÍBLICOS

Receber outros para comer e para pernoitar era importante para os povos da Bíblia.

Os povos nômades tinham consciência da solidão do deserto e de que a provisão de alimento é quase sempre uma questão de vida e morte.

Em vista de estar fraco demais para preparar uma refeição ao voltar da caçada, Esaú cedeu seu direito de herança ao irmão Jacó (Gn 25.29-34).

Não se permitia sequer que um inimigo morresse de fome.

Paulo escreveu: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer”
(Rin 12.20).

Ele estava na verdade repetindo o que o povo nômade sempre fizera.

Quando alguém chegava à uma tenda ou casa, ficava em absoluta segurança sob a proteção da família (Gn 19.8).

Ao referir-se a esse tipo de segurança e proteção, Davi escreveu: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos” (SI 23.5).

O costume foi usado por Deus ao dar a lei, tendo sido então reforçado pela sanção divina.

Em vista de o povo judeu ter recebido a proteção de Deus, ele deveria proteger outros.

Portanto, era pecado a pessoa comer sozinha (Jó 31.17) ou recusar-se a compartilhar sua refeição com os pobres e necessitados (Is 58.7).

Os amonitas e moabitas foram condenados pela falta de hospitalidade (Dt 23.4).

OS ANJOS DISFARÇADOS

Os judeus acreditavam que Deus enviava às vezes anjos disfarçados para verificar se as pessoas estavam de fato obedecendo à lei da hospitalidade.

Eles sabiam que isso acontecera com Abraão (Gn 18.2-13) e com Gideão (Jz 6.17-22), e criam portanto que a mesma coisa poderia acontecer-lhes (Hb 13.2).

Muitos judeus pensavam que se estivessem na casa de Deus, estariam sob a proteção divina e, como resultado, tornavam-se negligentes em sua vida diária (Jr 7.14).

Eles não compreendiam que a glória de Deus havia deixado o templo que esse não era mais a casa de Deus (Ez 11.23).

A hospitalidade era tão importante que os judeus consideravam a bênção final como um grande banquete dado pelo próprio Deus (Sf 1.7) e o mesmo
tema foi usado por Jesus na parábola:

“O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mt 22.2-14).

Nos dias do Novo Testamento, a recusa em dar hospitalidade equivalia a uma rejeição (Mt 10.14), e tornou-se então essencial que os cristãos fossem hospitaleiros (Gl 6.10; 1 Pe 4.9).

Embora tal prática dessa proteção moral devido ao caráter de várias estalagens, e em vista de muitos cristãos terem de deixar suas casas por causa da perseguição, era ainda mais que isso:

“hospitalidade” é Philo xênia, ou seja, “amor pelos outros”.

Esse aspecto tornou-se particularmente importante para os pregadores daqueles dias, que haviam desistido do seu sustento para pregar o evangelho (3 Jo 5-8).

Eles deveriam receber hospitalidade por vários dias e depois serem encorajados a se mudar para outro lugar (At 9.43; 16.15; Rm 16.2).

Uma das qualidades requeridas para um líder da igreja era ser hospitaleiro (1 Tm 3.2; Tt 1.8).

SAUDAÇÕES

hospitalidade na bíblia - saudações

As saudações pouco mudaram no decorrer dos séculos.

Então, como agora, havia três tipos de saudação que correspondiam à intimidade com a outra pessoa.

Saudação verbal

Primeiro, vinha o cumprimento face a face, que podia ser verbal, embora isso não fosse necessário, e que envolvia um gesto com a mão, sem contato físico.

Algumas vezes a palavra usada era “Alegre-se!” ou “Saudações” (Mt 28.29) e outras vezes “A paz seja convosco” (Jo 20.21).

Essa palavra foi usada como zombaria pelos soldados quando colocaram a coroa de espinhos em Jesus (Mc 15.18).

“Paz seja nesta casa” era a primeira saudação que os setenta faziam ao entrar na casa de um estranho (Lc 10.5).

Saudação com beijo

Segundo, havia um beijo formal parecido com o que damos a um amigo ou convidado.

As pessoas colocavam as mãos nos ombros uma da outra, depois se abraçavam e davam um beijo, primeiro na face direita e depois na esquerda.

Samuel beijou Saul quando o ungiu (1 Sm 10.1).

Simão, o fariseu, deixou de cumprimentar Jesus desse modo ao recebê-lo
em sua casa (L,c 7.45) e Paulo escreveu:

“Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo” (Rm 16.16).

Saudação com reverência

Outra forma de saudação era a reverência, feita a alguém ou a um convidado especialmente digno de honra (Gn 18.2,3; 23-12).

Podia ser uma inflexão de cabeça ou um movimento de cintura; podia ser até o prostrar-se aos pés do convidado (Mt 18.26).

Havia perigo nisso, pois, podia parecer adoração.

Porém, se nossos pensamentos ultrapassarem esse uso convencional do termo, daremos ao homem o que pertence de direito a Deus (Ap
19.10).

Quando Cornélio prostrou-se diante de Pedro para saudá-lo desse modo, Pedro apressou-se em impedi-lo para que não parecer adoração (At 10.25,26).

Em Apocalipse 3.9 a expressão “prostrados” se refere a um ato de respeito.

Acomodação dos hóspedes

Nos tempos do Novo Testamento havia vários tipos de acomodação onde as pessoas podiam ficar, além da estalagem.

Um estranho iria geralmente para a porta ou esperaria junto ao poço até receber um convite de alguém do local para ficar em sua casa (Gn 19.1,2; 24.13,14; Jz 19.15).

Na casa simples dos camponeses, só havia um lugar para dormir e o hóspede era acomodado na plataforma elevada com a família, ou no teto quando o tempo permitia (1 Sm 9.26).

No caso de uma tenda beduína, o visitante era convidado para dormir na entrada aberta da mesma junto com os homens.

Nunca se permitia que ele entrasse no interior da tenda, na parte fechada,
que era território das mulheres.

Quando os proprietários com casas menores não tinham um quarto de hóspedes mas queriam ser hospitaleiros, várias famílias se juntavam para prover essa acomodação e empregavam um servo para mantê-la preparada.

O hóspede da família dormia e era alimentado nesse quarto.

Tais quartos, porém, só eram oferecidos a homens.

Quem quer que viajasse acompanhado dos familiares, tinha de dormir numa casa de família (Jz 19.4).

A experiência de Eliseu foi incomum.

Ele ganhou um quarto bem mobiliado na parte de cima, afastado do
resto da família, embora houvesse várias coisas extraordinárias associadas com a “famosa mulher” de Suném.

Festas na hospitalidade nos Tempos Bíblicos

As refeições eram uma parte importante da hospitalidade.

Qualquer motivo era desculpa para uma festa, o desmame de uma criança, a chegada de um hóspede e, com toda certeza, os aniversários.

A palavra hebraica para “festa” é a mesma que para “beber”.

Ou seja, eles queriam divertir-se!

Quando um amigo chegava à meia-noite e o anfitrião não tinha alimento para satisfazer as necessidades dele, acordava insistentemente o vizinho e lhe pedia comida.

Não só porque o vizinho era amigo, mas porque a obrigação de oferecer uma refeição a um hóspede era muito grande naquela cultura (Lc 11.8).

As refeições eram um aspecto importante da amizade.

Pois, comer na companhia de alguém era estar em paz com ele (Gn 26.28-30).

O sal tinha uma função particular como parte da refeição.

“Comer sal” era estar em paz, talvez porque ele curasse ferimentos (Mc 9.50.

Quando Jesus nos diz para sermos “salgados”, ele está então nos dizendo para estarmos em paz com outros).

Quando o hóspede tinha uma tareia a cumprir, a qual o hospedeiro talvez não aprovasse, era necessário falar sobre ela antes da refeição começar (Gn
24.33).

Uma aliança de paz feita numa refeição assim era um pacto (Js 9.14,15) e, portanto, a refeição era um meio de reconciliação (Gn 31.53,54).

Foi provavelmente por isso que Jesus apareceu a seus discípulos depois da crucificação e comeu com eles.

Era um meio de reassegurá-los de que mesmo que tivessem falhado em relação a Ele, sua amizade com eles continuava a mesma (Lc 24.30; 24.41-43; Jo 21,9).

Festas religiosas

As festas religiosas eram também grandes ocasiões sociais.

Depois de feito um sacrifício, a família se sentava para comer parte do sacrifício que se achava queimando no altar.

Eles estavam literalmente fazendo uma refeição com Deus como um sinal de paz (Dt 12.5-7).

O convite para uma refeição formal nos dias do Novo Testamento seguia um procedimento estabelecido.

Os convites eram sempre duplos.

Inicialmente, era praxe recusar um convite formal (“Não terei condições de ir; Não sou digno”.)

Depois, os convidados eram instados, até que aceitassem o convite (Lc 7.36;
14.23; At 16.15).

Mais tarde, chegava a mensagem avisando que a refeição estava pronta (Et 5.8; 6.14).

Depois que o hóspede que chegava para a refeição era cumprimentado, um escravo removia suas sandálias em preparação para o lava-pés e para que as sandálias não trouxessem o pó apanhado ao longo do caminho para dentro da casa.

Os pés eram então lavados por um servo, que derramava água sobre eles,
os esfregava com as mãos e secava com uma toalha (Gn 18.4; 19.2. 24.32; 1 Sm 25.41; Jo 13.3-5; 1 Tm 5.10).

O hóspede era ungido com azeite e perfumado com especiarias.

Essa foi outra cortesia que Simão, o fariseu, negligenciou quando Jesus compareceu ao banquete em sua casa (Lc 7.46).

Água era então oferecida para beber, indicando que o convidado era digno de uma recepção pacífica.

Pedir água para beber era ser bem recebido (Gn 24.17).

A mulher samaritana não conseguiu compreender por que Jesus, um judeu, pedira água para ela, quando geralmente havia tanta animosidade entre judeus e samaritanos (Jo 4.9).

A refeição formal

Nas casas grandes havia uma plataforma elevada para a “mesa principal”, onde os convidados mais honrados eram recebidos (Mt 23.6; Lc 14.8-10).

O hóspede principal sentava-se à direita do dono da casa e o segundo em importância à esquerda (Mc 10.35-37).

Nos primeiros tempos do Antigo Testamento, os convidados no geral se sentavam com as pernas cruzadas em cima de um tapete.

Os divãs ficavam do lado externo das três mesas, próximos uns dos outros para o convidado poder reclinar-se para comer.

Ele recebia uma almofada e se apoiava sobre o braço esquerdo, com a cabeça para o lado da mesa, deixando o braço direito livre para pegar o que quisesse.

Isso permitia que os servos lavassem os pés dos convivas enquanto continuavam a banquetear-se.

Jesus estava, portanto, provavelmente usando um divã num triclínico quando seus pés foram lavados (Lc 7.46).

O arranjo do triclínico significava que, embora fosse relaxante, não tornava as conversas necessariamente fáceis.

Quando a pessoa queria falar com alguém à sua esquerda, era preciso inclinar-se para trás e quase deitar-se a fim de falar.

A pessoa iria, portanto, “reclinar-se sobre o “peito de alguém (Jo 1 3.23-25; Lc 16.22).

Nas refeições formais havia um ‘aperitivo”, feito de vinho diluído com mel. Seguia-se então o curso principal da refeição, chamado cena.

Os convidados comiam com os dedos, exceto quando sopa, ovos ou frutos do mar, em cujo caso usavam colheres.

Finalmente vinha uma sobremesa de bolo e rom ano frutas.

Podemos começar agora a ter uma ideia do que Marta estava tentando fazer e porque Jesus disse que “só uma” coisa era “necessária’’ (Lc 10.42).

O hóspede mais honrado recebia um alimento-símbolo do hospedeiro.

Um pedaço de pão era molhado na comida e então usado como colher.

A “colher de pão’’ e seu conteúdo eram colocados na boca do convidado especial. Era o “bocado”.

Foi isso que Jesus deu a judas durante a Última Ceia (Jo 13.26), representando um apelo final e amoroso feito a ele.

Entretenimento

Durante e depois a refeição entreviam-se com leitura de poesias e prosa, assim como música e dança (Am 6.4-6).

A dança era geralmente individual. Homens e mulheres ainda não dançavam juntos na época e ocasionalmente havia uma exibição como uma performance numa casa de espetáculos (Mc 6.22).

Foi provavelmente desse modo que a mulher que derramou unguento
nos pés de Jesus conseguiu aproximar-se dEle (Lc 7.37).

Essas ocasiões eram bem iluminadas que até eram vistas de longe.

Quando a diversão terminava, havia um período longo para as conversas e histórias.

As fofocas locais eram outro aspecto da conversa, e haviam advertências suficientes na Bíblia contra elas (Mt 12.36; Ef 5.4) para reconhecermos que se tratava de uma ocorrência frequente.

Ditados proverbiais eram também compartilhados.

As despedidas se prolongavam o mais possível, pois uma vez aceita a
hospitalidade, constituía uma ofensa retirar-se cedo, como se a visita não tivesse sido suficientemente agradável (Jz 19.5-10).

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  1. Fico muito feliz em saber que posso contar com uma fonte tão grande do conhecimento bíblico. Quero poder sempre contar com vocês para pesquisar temas para estudos e pregações.que Deus continue vos abençoado. Amém

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