Quem foi Apolo na Bíblia e como contribuiu para o crescimento da igreja?

“E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. (Atos 18:24).

Quem foi Apolo na Bíblia

Apolo foi um importante obreiro da igreja primitiva.

Nasceu e foi educado na “segunda Atenas”, isto é, a cidade de Alexandria, no Egito, e figurou entre o limitado número de judeus que possuíam cidadania alexandrina.

Lucas em sua breve descrição em Atos 18.24-28 apresenta Apolo como pertencente ao mais elevado quadro social daquela famosa cidade.

Como homem “instruído”, recebeu formação de “nível universitário” em retórica, na valorizada educação grega. Era um ensino disponível apenas para a elite, devido aos seus elevados custos.

PODEROSO NAS ESCRITURAS

Lucas diz que Apolo era “poderoso” no uso das Escrituras.

“Poderoso” era um termo retórico para lógica e persuasão.

Ele aprendeu a arte da habilidade nos debates em sua educação secular e usava isso de maneira excelente, “demonstrando” pelo Antigo Testamento que Jesus era o Messias prometido (At 18.24).

Pelos padrões do primeiro século, se apresenta como um formidável judeu cristão, apologista e debatedor.

E, combinava seu conhecimento exaustivo do Antigo Testamento com sua educação secular na arte da retórica.

APOLO EM ÉFESO

Sua chegada a Éfeso abriu as portas para os judeus.

Sua vinda fortaleceu claramente o testemunho cristão na cidade, que era ao mesmo tempo receptiva e antagônica ao cristianismo.

Ele fora “instruído no caminho do Senhor”, presumivelmente pelos discípulos de João Batista, cuja pregação resumia-se em preparar o caminho para Jesus.

A mensagem do Batista tinha se espalhado além das fronteiras da Judéia, até o Egito e Ásia Menor.

Inicialmente, Apolo pregava na sinagoga de Éfeso. Foi ali que Priscila e Áquila, dois grandes obreiros da igreja primitiva o conheceu.

Provavelmente, usavam a própria residência como “igreja local” e convidaram Apolo para visitá-los.

Embora este ensinasse sobre Jesus “diligentemente”, os dois preencheram as lacunas do conhecimento dele.

Como qualquer discípulo de João que não tomou parte do grupo apostólico.

Provavelmente ele precisava entender as implicações teológicas dos eventos finais na vida de Jesus, inclusive sua morte, ressurreição e volta à Terra para reinar.

APOLO EM CORINTO

Apolo queria exercer seu ministério do outro lado do mar Egeu, na província da Acaia, cuja capital era Corinto; a igreja em Éfeso o encorajou a ir.

Escreveram uma carta de recomendação para os cristãos coríntios, pedindo que o recebessem.

Nessa época, Priscila e Áquila eram o elo entre as duas igrejas (Atos 18.2).

Apolo fortaleceu grandemente a comunidade cristã de Corinto e colaborou na discussão com os judeus que haviam trazido uma acusação criminal contra Paulo diante do governador Gálio.

Esse julgamento havia colocado os cristãos debaixo de um guarda-chuva judaico e parece que Apolo cumpriu a ordem do governador, talvez não intencionalmente, usando as Escrituras para “cuidar do assunto” (Atos 18.15).

Num debate público, ele refutou as acusações dos judeus e provou pelo crivo das Escrituras Sagradas que a afirmação dos cristãos de Jesus ser o Messias era verdadeira (Atos 18.28).

Apolo permaneceu algum tempo em Corinto e engajou-se numa obra promissora.

Os que se converteram por meio desse ministério, quando começaram a surgir divisões após o retorno dele a Éfeso, viam a si mesmos como pertencentes a Apolo, em termos seculares.

PROBLEMAS DOS CORÍNTIOS

O nome de Apolo aparece nos tristes problemas em 1 Coríntios nos capítulos 1 a 4.

O termo “acerca do irmão Apolo” em 1 Coríntios 16.12 indica que o apóstolo Paulo respondia a uma questão da carta que recebeu dos coríntios

Apolo foi capaz de convencer a igreja de que seus interesses seriam mais bem atendidos se ele retornasse.

Paulo não demonstrou qualquer ressentimento contra Apolo, quando respondeu às cartas dos coríntios.

Ele apenas se recusou a envolver-se nos métodos seculares do pensamento dos crentes daquela igreja.

Em 1 Coríntios 4.6, o apóstolo condena a competição ao chamar tal atitude de “imatura” e “mundana”.

Ciúmes e rivalidades entre professores era exatamente o que mestres e discípulos seculares faziam, com seu espírito competitivo, na luta pela reputação de suas escolas e por maior influência nas assembleias políticas (1 Coríntios 3.1,3).

Os coríntios demonstravam muita preocupação sobre quem eram Paulo e Apolo.

Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o SENHOR deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. (1 Coríntios 3:5-6).

Paulo, ao contrário, revela as funções distintas de cada um, destacando que um plantava e outro regava, cooperando conjuntamente para o crescimento da igreja, porque apenas Deus pode criar uma congregação e fazê la crescer.

Tanto Paulo como Apolo eram de tal estatura espiritual, que nenhum dos dois reagiu ao jogo de poder dos coríntios, mas continuaram empenhados em prol do bem da igreja.

O texto de 1 Coríntios 16.12 indica que Apolo recusou o convite para retornar a Corinto, pois julgou que não seria “boa ocasião”, embora considerasse que em outra oportunidade aceitaria.

E, acerca do irmão Apolo, roguei-lhe muito que fosse com os irmãos ter convosco, mas, na verdade, não teve vontade de ir agora; irá, porém, quando se lhe oferecer boa ocasião.

APOLO NO MINISTÉRIO

Acompanha com muito cuidado Zenas, doutor da lei, e Apolo, para que nada lhes falte. (Tito 3:13)

Em Tito 3.13, Apolo, cuja educação o qualificava para trabalhar como advogado, estava envolvido com Zenas, “doutor da lei” (talvez melhor entendido como “assistente legal”) em Creta.

Paulo pediu a Tito que providenciasse tudo de que precisassem para a jornada, isto é, as finanças necessárias.

Isso indica que ele ainda estava engajado no ministério cristão em tempo integral e, por esse motivo, necessitava de sustento (1 Coríntios 9.14).

Ele poderia assegurar para si mesmo uma vida opulenta, devido à sua educação, trabalhando como orador e advogado.

Entretanto, escolheu usar seus talentos e privilégios em favor do reino de Deus e, ao fazer isso, contribuiu grandemente para o testemunho cristão e a defesa da fé.

Conclusão

Apolo não foi somente poderoso nas escrituras, mas transmitia seu conhecimento contribuindo para o crescimento da igreja de Cristo. Foi, portanto, assim como Paulo e outros apóstolos, útil para o reino de Deus.

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