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Como era a Sinagoga nos tempos bíblicos?

Nos dias de Cristo, a sinagoga tinha um papel muito importante para a comunidade judaica, já que era o centro de educação religiosa e de orientação espiritual do povo.

O SURGIMENTO DAS SINAGOGAS

Não se sabe com exatidão quando surgiu a primeira sinagoga, mas não temos dúvidas quanto ao motivo pelo qual ela foi criada.

O povo Israel enfrentava constantes ameaças a sua sobrevivência como nação. Através dos séculos, eles tinham sofrido deportações e morticínios.

Além disso, foram mesclados a povos que só lhes votavam desprezo.

Portanto, se quisessem sobreviver e manter sua identidade religiosa, tinham que criar um centro educacional e religioso.

Provável que a primeira sinagoga tenha sido fundada ainda no exílio, quando alguns judeus resolveram organizar-se e instruir os filhos nas coisas de Deus, para que não se esquecessem dele e assim fossem absorvidos pelas religiões dos lugares para onde tinham sido levados.

Com o passar dos tempos, esses centros educacionais foram se tornando mais eficientes, mais complexos, e, por fim, atingira o estágio final.

E esse crédito deve ser dado aos fariseus, porque, eles encabeçaram o desenvolvimento da educação judaica, tornando se a força sustentadora da sinagoga.

Existem alguns historiadores famosos que discordam dessa tese e afirmam que a sinagoga havia se originado já no pensamento de Moisés.

Mas o mais provável é que ela tenha evoluído a partir de uma necessidade especifica, sendo então incorporada à vida da sociedade judaica.

Sinagoga dos tempos de Jesus

Na época em que Jesus iniciou seu ministério, a sinagoga representava uma grande força em sua terra, que não poderia ser ignorada.

Depois do templo de Jerusalém, era a instituição religiosa mais importante.

A grande vantagem dela era que se achava mais acesso ao povo em geral.

Por causa disso, foi nos cultos da sinagoga que a igreja cristã iniciante causou maiores impactos.

AS DIVERSIDADES ENTRE AS SINAGOGAS

As diferenças entre as sinagogas podem ser comparadas às que existem entre as igrejas cristãs hoje.

Embora houvesse muitas similaridades entre a maioria delas, existiam também muitas distinções entre uma congregação e outra, de uma região para outra.

A exigência básica para a formação de uma sinagoga era que houvesse pelo menos dez homens.

A partir daí, eles tinham liberdade para estabelecer a estrutura e a forma que desejassem.

A Sinagoga dos Libertos (At 6.9) possivelmente era constituída de pessoas que eram escravos romanos que, portanto, tinha formação e ponto de vista peculiares.

Em algumas sinagogas realizavam-se reuniões onde fervilhavam intrigas políticas e ideias de revolta contra o governo romano.

Mas outras eram bem tradicionais, acomodadas, que evitavam entrar em controvérsias.

Muitas vezes a sinagoga era constituída de membros de formações das mais diversas, principalmente as situadas em outros países, fora do território de Israel.

Muitas delas eram frequentadas por gentios convertidos ao judaísmo.

A ARQUITETURA DAS SINAGOGAS

A arquitetura dos templos também variava bastante.

Havia prédios grandes e pequenos, de forma quadrada ou retangular, com imensas colunas ou de estrutura mais simples.

Alguns dos judeus mais influentes tentaram padronizar o formato e o tamanho (e até mesmo as portas) das sinagogas, mas não obtiveram sucesso.

A decoração, estrutura e leiaute das revelam a presença de influências artísticas estrangeiras.

Embora não se possa afirmar que houvesse duas sinagogas exatamente iguais, algumas características básicas eram comuns à maioria.

Pelo menos num aspecto todas elas eram semelhantes às quatro peças de mobiliário.

sinagoga por dentro como era

MOBILIÁRIO COMUM NAS SINAGOGAS

SACRÁRIO DA TORÁ

Arca era chamada o “sacrário do Tora”, e sua função era conter os rolos das Escrituras.

Quando portátil, podia sempre ser levada para o salão em que se realizasse a reunião, onde também haveria um local reservado para ela.

Existe uma dúvida quanto a se a arca permanecia sempre nas dependências da sinagoga ou não. No Novo Testamento não há menção desse objeto.

O BEMA

O “Bema” era uma espécie de plataforma de onde se liam as Escrituras.

Era provida de um púlpito, e chegava a ser bastante elaborada, com um toldo de madeira e um balaústre.

Ao que parece, quando Esdras leu as Escrituras perante o povo, subiu a um tipo de plataforma assim (Ne 8.4,5).

É possível que nem todas as sinagogas tivessem um bema.

Pois, é pouco mencionado na Bíblia, e quando o é não recebe nenhum tratamento especial, de objeto sagrado.

A única referência que encontramos no Novo Testamento a algo que talvez possa ser um objeto desses acha-se no texto de Mateus 23.2, a “cadeira de Moisés”, que talvez fosse uma peça do conjunto.

Nos outros textos onde o termo aparece tem o significado de tribunal ou plataforma (Jo 19.13; At 12.21).

O apóstolo Paulo afirma que todos devemos comparecer perante o tribunal, o bema, de Jesus Cristo (2 Co 5.10), mas isso não parece ser uma referência direta a esse móvel.

A palavra era empregada regularmente para designar um ponto elevado, uma plataforma para se colocar um trono.

BANCOS

O arranjo dos assentos variava de uma para outra, mas, na maioria os bancos ficavam encostados a duas ou três paredes, no centro, às vezes, colocavam-se esteiras e em alguns casos cadeiras.

Os escritores bíblicos fazem menção de cadeiras, mas essas talvez fossem semelhantes a bancos.

Jesus, referindo-se aos fariseus, disse que eles gostavam de ocupar as primeiras cadeiras (Mt 23.6).

No recinto, as pessoas eram agrupadas de acordo com o sexo.

AS LÂMPADAS DO MENORÁ

As luzes eram um adereço importante na sinagoga, não apenas por razões de ordem prática, mas também como um símbolo da presença de Deus.

Como não havia indicação de um local específico para a colocação das lâmpadas, dependendo da sinagoga elas podiam estar em lugares diferentes.

A LIDERANÇA DAS SINAGOGAS

A maior parte dos interesses das sinagogas era administrada por uma comissão de dez anciãos.

A tarefa deles era supervisionar todo o funcionamento dela, e selecionar os que estariam encarregados das diversas atividades.

A liderança principal era exercida por dois homens. Mas esse número às vezes variava.

CHEFE DA SINAGOGA

Esse cargo é mencionado no novo Testamento e designa um supervisor geral.

A missão dele era manter a ordem nos cultos e em quaisquer reuniões. Era ele quem designava aquele que faria a leitura das Escrituras ou dirigiria o grupo em oração.

Quando chegava algum visitante, o chefe o convidava para dizer alguma coisa à congregação, como aconteceu em Antioquia da Pisídia (At 13.15).

Quando Jesus ia de um lugar para outro, era convidado para pregar nas sinagogas (Lc 4.14,15).

Foi um desses chefes que certa vez fez objeção a que ele realizasse curas no sábado (Lc 13.14).

O ASSISTENTE

Era um funcionário da sinagoga, e para isso recebia um salário. O nome desse cargo era hazzan.

Ele era o encarregado de retirar do baú os rolos que deveriam ser lidos, e guardá-los após a leitura.

Na ocasião em que Jesus leu o livro de Isaías, assim que terminou a leitura, devolveu-o ao assistente (Lc 4.20).

Outra função do assistente era dar aulas às crianças, principalmente quando a congregação era pequena.

Além disso, era ele também quem fazia soar os três toques de trombeta no sábado, no início e no fim do período sabático.

Sua função abrangia também os funerais e os banquetes do luto. E quando a sinagoga determinava que alguém fosse castigado, era ele quem executava o castigo.

Em alguns casos, ele apenas lia as Escrituras durante o açoitamento; e em outros, ele próprio o aplicava (Mc 13.9).

E era comum o assistente morar nas dependências dela.

Nem todo assistente era temente a Deus. Sabe-se que alguns deles costumavam reservar os lugares de honra para determinados membros em troca de pequenas doações.

Talvez fosse a eles que Tiago estivesse censurando quando condenou o costume de se fazer a seleção das pessoas que iriam ocupar os melhores assentos.

Em algumas congregações, os ricos se assentavam nas cadeiras boas, enquanto os pobres tinham de ficar ao fundo do salão ou sentar-se no chão, junto ao estrado onde outros punham os pés (Tg 2.1-4).

OS CULTO

Devido ao pluralismo existente entre os judeus, é difícil definir com precisão uma ordem de culto que servisse de padrão.

Contudo certos procedimentos eram observados em todas as sinagogas, ou pelo menos na maioria.

SHEMA

Trata-se de uma reafirmação da fé em Deus em que a congregação recitava um texto dos escritos de Moisés (Dt 6.4,5).

O Shema é o credo, a declaração básica de fé. O monoteísmo era a pedra angular do judaísmo, e contrastava com as religiões politeístas das culturas vizinhas do povo de Israel.

Outro procedimento habitual eram as orações de ações de graça, sempre entrecortadas por fervorosos “améns”.

A LEITURA DOS ROLOS

As Escrituras constituíam o centro do culto na sinagoga. Os judeus acreditavam que Deus escolhera revelar sua vontade através da forma escrita.

Por causa disso davam grande importância aos rolos e à alfabetização.

Aqueles que escreveram alguma coisa a respeito do culto da sinagoga, principalmente os que o fez nos tempos do Novo Testamento, sempre faziam menção da importância das Escrituras nele.

torá nas sinagogas

Muitas vezes, após a leitura, alguém fazia a explicação do texto. Vez por outra, convidava-se um jovem para dar sua interpretação.

E quando havia um visitante ilustre presente ele era chamado a falar.

Com seus dons e todo o seu conhecimento, o apóstolo Paulo sabia tirar bom proveito dessa norma de se convidar os visitantes para falar.

Muitas vezes, em suas viagens, ele era chamado a pregar (At 13.14-41).

E aceitava esses convites prontamente, pois, para os novos convertidos, o cristianismo era produto natural do judaísmo.

Jesus era o cumprimento das promessas feitas a Moisés, Davi e aos profetas.

Portanto, as primeiras pessoas que deviam ouvir as boas-novas eram os judeus, e o melhor local para isso eram as sinagogas.

Os judeus eram bem liberais na indicação daquele que iria explicar as Escrituras.

Eles não a limitavam a um pequeno e seleto grupo de homens instruídos, capacitados e ungidos, mas, quase todos os judeus podiam fazer sua explanação da Palavra de Deus.

AS FESTAS NA SINAGOGA

Os banquetes e festivais sagrados eram celebrados com grande entusiasmo, no mesmo local onde se pregavam os sermões ou se faziam as orações.

Algumas dessas festas tinham correspondência com rituais do templo.

Mas havia também as que eram instituídas por cada sinagoga, de acordo com a cultura e os interesses locais.

E como muitas eram localizadas em áreas rurais, essas festas tinham temas relacionados com colheitas e ações de graça.

OUTRAS ATIVIDADES NA SINAGOGA

Mas, muitas vezes, as sinagogas eram palco de outras atividades que nada tinham a ver com a leitura das Escrituras e com as festas.

Jesus mesmo advertiu os seus discípulos de que eles seriam levados perante os homens para ser julgados por seus atos, e que esses julgamentos seriam realizados nas sinagogas (Lc 12.11), e que eles seriam açoitados nas próprias dependências delas (Mt 10.17).

Josefo informa que na sinagoga de Tiberíades eram realizadas reuniões de cunho político.

De certo modo, isso nos faz lembrar algumas igrejas que além de lugares de culto tornaram-se também fortes centros políticos.

O USO DA SINAGOGA PELOS CRISTÃOS

A princípio, os cristãos tiveram muita dificuldade em encontrar seu espaço na estrutura religiosa da época.

Inicialmente, eles se reuniam no templo, mas diversas vezes foram escorraçados de lá por causa de seus ensinamentos e práticas (At 4.1), embora se considerassem os representantes do verdadeiro judaísmo.

É que a maioria dos judeus não pensava assim.

Jesus deu muitos de seus ensinamentos em sinagogas. E não apenas explicava as Escrituras, mas também curava enfermos (Mt 4.23 9.35).

A cura do homem da mão ressequida e a discussão que se seguiu ocorreram numa delas (Mt 12.9-14).

Mas na sinagoga de sua cidade natal o povo questionou sua identidade e capacidade Mt 13.53-58).

Por causa disso, ele decidiu não realizar muitos milagres ali

Durante a formação da igreja cristã, a força representada pelas sinagogas foi positiva e ao mesmo tempo negativa para ela.

Antes de Paulo se converter, ele recorreu a elas para perseguir os cristãos (At 9.2).

Contudo, após seu encontro com Cristo, utilizou essas mesmas instituições para anunciar o evangelho (At 9.20).

Certa ocasião, pregou numa sinagoga de Tessalônica três sábados seguidos, conseguindo muitas conversões.

Mas os judeus que não haviam crido levantaram forte reação contra ele provocando um tumulto (At 17.1-5).

Houve dois chefes de sinagoga que figuraram no ministério de Paulo em situações importantes.

Eram ambos de uma sinagoga de Corinto e possivelmente um sucedeu ao outro.

O primeiro foi Crispo, que creu no Senhor Jesus com toda a sua família (At 18.8).

O outro foi Sóstenes, que tentou fazer com que Gálio, procônsul da Acaia, julgasse a Paulo.

Mas este se recusou, e os gregos acabaram-se voltando contra Sóstenes, pois o agarraram e espancaram (At 18.17).

Esse foi o estudo, espero ter ajudado, se puder compartilhe com mais alguém, Deus te abençoe!

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