Como era o sepultamento nos Tempos Bíblicos

Como era feito o sepultamento nos tempos bíblicos? É isso que veremos nesse artigo.

O povo israelita tinha um profundo respeito pelos seus mortos.

Eles rejeitavam costumes adotados por outras culturas.

Não aceitavam a pouca importância que os gregos tratavam o corpo do morto, nem a idolatria prevalente no Egito.

Embora fossem um povo consciente dos valores espirituais, não deixavam das obrigações terrenas.

A lavagem e preparação do corpo para o sepultamento era importante para eles. Pois consideravam uma demonstração de amor.

Em todos esses séculos da história de Israel, os métodos de sepultamento foram-se alterando acentuadamente.

Não existiam leis regulamentando a prática, embora houvesse algumas orientações básicas.

E nesse particular eles seguiam mais os costumes da sociedade que também iam-se modificando pouco a pouco, com o passar dos anos.

O SEPULTAMENTO NA ERA DOS PATRIARCAS

tumulo de abraao
Túmulo de Abraão

O mais conhecido túmulo do Israel da antiguidade era a caverna de Macpela, que Abraão comprou dos filhos de Zoar.

Provavelmente tratava-se de uma grande gruta.

Vários personagens bíblicos foram sepultados também nessa gruta.

Entre os mais conhecidos, estão: Sara, Abraão, Isaque, Rebeca, Lia e Jacó.

E até no ano 1119 A. D. ainda se viam ali ossos que se diziam ser desses patriarcas.

A Bíblia descreve o lugar como uma área cercada de campinas, com muitas árvores (Gn 23.17).

O proprietário do terreno ofereceu-o a Abraão de graça, mas o patriarca insistiu em pagar quatrocentos siclos de prata por ele.

Isso pode ser semelhante ao costume que ainda existe no Oriente Médio, onde o povo gosta de barganhar.

Eles começam oferecendo o artigo de graça apenas para demonstrar que estão dispostos a discutir o preço.

As atitudes de Jacó e de José demonstram como o sepultamento de um morto era importante para os antigos hebreus.

Jacó encontrava-se no Egito quando faleceu já bem idoso.

Ele havia pedido que o sepultassem na caverna de Macpela, um sepulcro que havia cavado na terra de Canaã (Gn 49,50; 50,5).

Então José mandou levar o corpo do pai à terra prometida para ser enterrado.

Mas, antes, mandou embalsamar como se fazia no Egito.

E o próprio José, antes de morrer, determinou que fosse sepultado na terra de Israel (Gn 50.25; Js 24.32).

O EMBALSAMAMENTO

A regra básica determinava que os mortos fossem enterrados no menor espaço de tempo possível (Dt 21.22,23).

Contudo, houve exceções, como no caso de Jacó e José (Gn 50,2,26).

Como os israelitas entendiam que o corpo tinha de seguir o curso natural das coisas e voltar ao pó, não achavam necessário embalsamá-lo.

Essa prática não foi muito comum entre eles.

A grande maioria dos corpos que foram exumados não tinha sido embalsamada.

A causa mais provável deve ser o fato de a lei de Moisés os proibir de tocar em cadáveres (Nm 5.1-4), embora não o evitassem totalmente.

PANOS DE LINHO E ESPECIARIAS

Nos tempos bíblicos, quando os israelitas preparavam um morto para o sepultamento, não tinham em mente a preservação dele.

Mas desejavam que se decompusesse o mais lentamente possível.

Envolviam-no em panos e colocavam junto grandes quantidades de perfumes e especiarias, para neutralizar os odores da decomposição.

Além disso, ainda depositavam especiarias ao lado do corpo.

VISITAS AO TÚMULO

especiarias para o sepultamnto nos tempos biblicos 1

Na antiguidade, era costume fazerem-se visitas periódicas ao túmulo, no primeiro ano após a morte.

Talvez fosse por isso que colocavam tantos perfumes.

A qualidade desses perfumes variava muito de acordo com as posses da família.

O tipo do féretro, da caixa ossuária, do túmulo, dos panos de linho, bem como o número de carpideiras e de músicos dependia muito das condições financeiras.

As despesas com funeral são um problema que vem acompanhando o homem desde a antiguidade.

O sepultamento de Jesus foi considerado caro. Isso porque, os homens responsáveis, José de Arimatéia e Nicodemos eram ricos.

Eles colocaram junto ao seu corpo cerca de 35 kg de mirra e aloés.

Essa prática já vinha desde muito tempo.

O rei Asa foi sepultado com grande quantidade de perfumes e especiarias (2 Cr 16.14).

O CAIXÃO (SEPULTAMENTO NOS TEMPOS BÍBLICOS)

Nos tempos antigos, não se usavam caixões como os que conhecemos hoje.

Eles utilizavam apenas caixas ossuárias, onde guardavam os ossos depois que o corpo se decompunha.

  • Inicialmente, colocavam o cadáver sobre uma laje, deixando ao lado dele muitos perfumes para neutralizar o mau cheiro;
  • Espera-va se o processo de decomposição;
  • Recolhiam os ossos e guardavam em caixas;
  • Depois colocavam-se em túmulo ou cavernas.

Muitos desses túmulos continham cada um diversas caixas.

As caixas eram feitas de cerâmica, e mediam de 60 a 90 centímetros de comprimento, e cerca de 30 centímetros de largura e pouco mais de 30 cm de altura.

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Os arqueólogos descobriram centenas dessas urnas contendo os restos de judeus ou cristãos.

Algumas delas talvez contivessem os ossos de alguns cristãos famosos, pois nelas estavam inscritos nomes conhecidos.

Era costume fazerem entalhes com desenhos de flores nas laterais delas.

Às vezes gravava-se o nome daqueles cujos ossos estavam ali guardados.

E nem todas tinham o mesmo formato.

Algumas tinham a forma de uma casinha, outras de outros objetos.

O SEPULTAMENTO DE JESUS

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A maneira como é descrito na Bíblia o sepultamento de Cristo, dá a entender que no caso dele se seguiria o costume tradicional.

Eles colocaram muitas especiarias em seu corpo, juntamente com os panos que o envolviam.

E o depositaram sobre uma pedra, até que as mulheres pudessem retornar após o sábado para terminar a preparação.

O FÉRETRO (SEPULTAMENTO NOS TEMPOS BÍBLICOS)

Nos tempos bíblicos, entre os israelitas era comum fazerem-se procissões para o sepultamento de um morto.

O corpo era transportado em uma espécie de andor de tábuas.

O uso do féretro remonta ao tempo do rei Davi (2 Sm 3.31), e ainda nos tempos de Jesus Cristo.

Um dos milagres de Jesus foi justamente a ressurreição de um rapaz, que jazia num desses “andores”.

Jesus tocou no esquife, e milagrosamente o moço se sentou e se pôs a conversar (Lc 7.11-15).

Muitas vezes o féretro indicava a ocupação ou condição social daquele que ali estava.

Se tratasse de uma jovem noiva, haveria uma espécie de toldo sobre ele.

Acredita-se que os ricos tinham féretros mais elaborados do que o de uma família pobre.

CONCLUSÃO SOBRE O SEPULTAMENTO NOS TEMPOS BÍBLICOS

O sepultamento nos tempos bíblicos apesar da diferença de nossos dias, podemos concluir que os Israelitas tinham um cuidado com os defuntos.

Não tratando com idolatria e nem fazendo pouco caso do corpo, mas eles procuravam ter um certo respeito.

O sepultamento nos tempos bíblicos ocorria logo depois da morte da pessoa, geralmente no mesmo dia.

Havia dois motivos para isso. Primeiro, os corpos se decompõem com muita facilidade no clima quente do Oriente Médio.

E segundo, de acordo com o modo de pensar da época, deixar um corpo sem enterrar por dias mostraria falta de respeito pelo falecido e sua família.

Esse foi o estudo sobre o sepultamento nos tempos bíblicos. Espero ter ajudado.

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