O Templo que Jesus Conheceu

O Templo que Jesus conheceu durante sua vida não era o mesmo que o lendário Templo construído pelo Rei Salomão. Nabucodonosor saqueou o Templo de Salomão durante o cerco a Jerusalém e, posteriormente, completamente destruído em 586 A.C. Também não era o “segundo Templo” construído por Zorobabel após o exílio, que, embora menos imponente do que a construção de Salomão, tinha um significado especial para o povo judeu como símbolo de sua restauração nacional e resistência ao paganismo. O Templo que Jesus conheceu era o chamado “terceiro Templo”, construído por Herodes, o Grande, com o objetivo de superar a grandiosidade do Templo de Salomão.

A Magnificência do Templo de Herodes

Herodes empreendeu um projeto monumental para construir o Templo de Jerusalém. Ele expandiu a área do Monte Moriá, criando grandes plataformas sustentadas por subestruturas maciças.

Com uma equipe de até dezoito mil trabalhadores e uma quantidade impressionante de materiais de construção, Herodes não poupou esforços nem despesas para cumprir a profecia de Ageu, que dizia que a glória daquela última casa seria maior do que a da primeira.

O Templo de Herodes foi concluído em 64 d.C., pouco tempo antes de ser destruído para sempre.

A Arquitetura e a Influência do Templo

A descrição entusiástica do Templo de Herodes por historiadores como Josefo e referências encontradas no Talmude nos permitem ter uma ideia clara dessa imensa estrutura.

O Templo tinha uma mistura de influências babilônicas, greco-romanas e asiáticas. Suas plataformas maciças, pátios e a fortaleza Antonia lembravam as estruturas babilônicas. Enquanto o santuário em si foi construído em estilo greco-romano, com elementos predominantemente romanos.

As colunas, capitéis e frontão triangular conferiam um esplendor oriental ao Templo. Era uma estrutura imponente, destinada a impressionar todos que a vissem.

A Divisão e o Acesso ao Templo

Na divisão do Templo de Herodes tinha várias áreas distintas, cada uma com um propósito específico. A entrada principal era através de portões cortados no imenso muro que cercava o Templo. Havia várias portas em cada extremidade, com destaque para a Porta de Ouro.

No interior, havia um vasto pátio retangular chamado de pátio dos gentios, que podia acomodar homens, mulheres, incrédulos, hereges e pessoas ritualmente impuras. Esse pátio público era semelhante a um fórum romano ou uma ágora grega, onde as pessoas se reuniam para conversar, fazer negócios e passar o tempo.

Além do pátio dos gentios, havia o pátio das mulheres, onde apenas as mulheres podiam entrar, e o pátio dos homens, reservado para os homens judeus. Essas divisões se baseavam nas práticas religiosas e nas normas sociais da época.

Dentro do pátio dos homens, havia um local chamado de “Santuário”, que continha o Altar dos Holocaustos, onde se realizavam os sacrifícios regularmente. Era uma estrutura imponente e central no Templo, onde sacerdotes dedicados desempenhavam suas funções sagradas.

Além disso, havia o Santo Lugar, acessível apenas aos sacerdotes, onde ocorriam os rituais diários de incenso e a troca dos pães da proposição.

No entanto, o lugar mais sagrado do Templo de Herodes era o Santo dos Santos, o local onde a Arca da Aliança ficava no Templo de Salomão original. No entanto, quando o Templo de Herodes foi construído, a Arca já havia desaparecido, e o Santo dos Santos era apenas uma câmara vazia. O acesso a essa área era restrito ao sumo sacerdote, que entrava somente uma vez por ano, no Dia da Expiação, para oferecer sacrifícios e fazer intercessão pelo povo.

A Significância Religiosa e Política do Templo

O Templo de Herodes era o centro espiritual e religioso do judaísmo na época de Jesus. Era o lugar onde os judeus vinham para adorar a Deus, oferecer sacrifícios e buscar perdão pelos pecados. Era também um símbolo da identidade nacional judaica e da resistência ao domínio romano.

A construção grandiosa e impressionante do Templo era uma afirmação do poder e da autoridade de Herodes, bem como uma tentativa de ganhar o favor do povo judeu.

No entanto, o Templo também foi palco de conflitos e tensões. Jesus confrontou as autoridades religiosas no Templo, denunciando a corrupção e o formalismo vazio que haviam se infiltrado na adoração. Ele realizou milagres e ensinou aos discípulos no pátio dos gentios, buscando trazer uma mensagem de transformação espiritual e justiça.

A destruição do Templo de Herodes em 70 d.C. pelos romanos durante a Primeira Guerra Judaico-Romana teve um impacto profundo na história e na cultura judaicas. Foi um evento traumático que marcou o fim de uma era e o início de um período de exílio e dispersão para o povo judeu.

Embora o Templo de Herodes não exista mais, sua importância e significado perduram até os dias de hoje. O Templo continua sendo um símbolo poderoso para os judeus e um elemento central na compreensão da vida e ministério de Jesus.

A exploração da arquitetura e da significância do Templo de Herodes nos permite aprofundar nossa compreensão do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu e ensinou.

Equipe Redação BP

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