Tiago 4:3 Significado de “Pedis e não recebeis porque pedis mal”

Tiago 4:3 – ACF

“Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.”

Traduções Bíblicas de Tiago 4:3

NAA – Tiago 4:3

“Pedem e não recebem, porque pedem mal, para esbanjarem em seus prazeres.”

NVI – Tiago 4:3

“Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.”

NVT – Tiago 4:3

“E, quando pedem, não recebem, pois seus motivos são errados; pedem apenas o que lhes dará prazer.”

Explicação e Comentário de Tiago 4:3

É realmente um profundo privilégio poder aproximar-se do trono de Deus com ousadia e pedir-lhe coisas e ajuda (Hb 4:6). Dizem-nos em muitos lugares que Deus não apenas permite, mas gosta que dependamos dele dessa maneira.

Não há nada de errado em “gastar o que você ganha em seus prazeres”, desde que seu coração esteja alinhado com Deus quando você pedir. Então, por que Tiago diz que nossos motivos estão errados quando pedimos a Deus algo que nos agrada?

Tiago parece estar falando com a categoria de coisas pelas quais queremos muito lutar, ou até mesmo matar (Tg 4:1-2). Ele parece estar falando das concupiscências do coração que podemos desejar e que tomaria o lugar de nossa satisfação em Deus. 

Deus nos dá boas dádivas para desfrutar (1 Tm 6:17), mas elas devem sempre ser menos importantes do que o próprio doador. Quando nos apaixonamos por uma coisa, ela se torna um ídolo, e o motivo para pedir se torna pecaminoso.

Interpretação de Tiago 4:3, as partes chave do versículo:

“Pedis…”

Devemos orar a Deus que é como um bom Pai que dará boas dádivas aos seus filhos quando eles pedirem (Mt 7:9). 

O problema não é orarmos, mas orarmos com algum tipo de motivo pecaminoso e desejo de satisfazer algum desejo de prazer que vai além dos limites que Deus nos deu.

“Porque pedis mal”

Deus é um Pai bondoso e generoso. Ele também é um Pai sábio e bom que não nos dará o que nos fará mal. Ele não nos dará algo que substituiria o amor por Ele em nossos corações, pois nos ama muito e deseja nosso bem-estar.

Nem sempre é o que pedimos que é o problema, mas sim como e por que pedimos. Deus sempre testa o coração.

“Para o gastardes em vossos deleites”

Como você “gasta o que recebe?” Precisamos administrar a riqueza como mordomos do que é de Deus para sua glória e seus propósitos. 

Ele nos fornece o suficiente para nossos prazeres modestos, e traz glória para ele usarmos suas dádivas para nosso descanso e recreação saudáveis ​​em seu nome. 

Mas quando cruzamos a linha para algo que devemos ter em nossa busca de prazeres, mostramos que precisamos de prazer mais do que precisamos de Deus. Ele não terá um Deus rival, porque ele nos ama.

Comentários sobre o que Significa Tiago 4:3

Comentários sobre o que Significa Tiago 4:3

Comentário de Beacon (Estudo do Contexto de Tiago 4:3)

“Guerras exteriores vêm de guerras interiores”. Aqui está a verdade que Tiago procura deixar claro para os seus leitores. Ele estava tratando de um problema que ocorria no círculo de crentes. Ele continua se dirigindo aos “meus irmãos”.

Esses eram cristãos professos, mas eles não estavam dando um bom exemplo como seguidores de Cristo. Na sua comunhão, havia inveja e sentimento faccioso (3:14). Em um apelo à consciência, Tiago pergunta: Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? (v.1). Não são elas guerras travadas em seu próprio espírito?

Desejos Errados e Desastre Espiritual (Tiago 4:1,2b)

Tiago dá uma resposta afirmativa à sua própria pergunta, mas ele sabe que é a mesma resposta que seus leitores ouvirão de uma consciência acusadora. Vocês colocaram seu coração naquilo que o mundo pode lhes dar e, como resultado, vocês estão em dificuldade. Desejos mundanos conflitam uns com os outros.

Esses deleites (“prazeres”), que nos vossos membros guerreiam (v. 1), perturbam vossa própria paz de espírito, por isso vocês brigam e matam e espalham o conflito aos outros. O principal problema é que vocês permitem que desejos profanos possuam seu espírito. Esses desejos, se impuros e incontrolados, levam ao desastre espiritual.

Se analisarmos esse texto de acordo com 3:14, ele é melhor interpretado por sois invejosos, combateis e guerreais de maneira figurativa. Não é provável que essas coisas tenham, na verdade, ocorrido na comunidade cristã. Tanto

Tiago quanto seus leitores cristãos estariam familiarizados com a interpretação de Jesus de que abrigar o desejo perverso consistia, na ótica de Deus, na violação dos mandamentos (cf. Mt 5:21-22). A maioria dos tradutores modernos entende que o versículo 2 apresenta duas sentenças equilibradas, ou seja: “Vocês desejam, mas não possuem; por isso cometem assassinato. E vocês são invejosos e não conseguem obter; por isso, lutam e brigam”.

Recusa em Fazer a Vontade de Deus (Tiago 4:2,3)

Esses cristãos sofreram tensões internas e conflitos externos porque se recusavam a orar. Na sua luta febril de conseguir o que queriam, eles tinham se afastado tanto de Deus que já não separavam mais tempo para falar com Ele a esse respeito.

Tiago diz: nada tendes, porque não pedis (v. 2). Wesley comenta: “Não é de admirar; porque um homem cheio de desejos maus, de inveja e ódio, não pode orar”.

Mesmo quando realizavam o ritual da oração, Tiago diz: Pedis e não recebeis, porque pedis mal. Orações egocêntricas que ignoram a vontade de Deus não resultam em satisfação duradoura. Se tivessem orado com sinceridade, Deus os teria ajudado. Ele teria mudado seus desejos errados.

É impossível manter um espírito egoísta na presença de Deus. A medida que nos aproximamos dEle, somos mais inclinados a dizer: “não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42). Mas enquanto não orarmos da forma certa e nos rendermos, continuaremos com a guerra interior, com o conflito exterior e com a completa infelicidade.

Comentário de Wiersbe

Você já ouvi falar da “Guerra dos Bigodes” ou da “Guerra do Balde de Carvalho”? E quanto à “Guerra da Orelha do Jenkins”? Esses são nomes de guerras reais que ocorreram entre nações e que podem ser encontradas em vários livros de história.

Apesar dos tratados, das organizações mundiais pela paz e da ameaça de bombas atômicas, a guerra é uma realidade. As guerras não são travadas apenas entre nações, mas também, em maior ou menor grau, em todas as áreas da vida – até mesmo “guerras de preços” entre lojas.

Neste parágrafo, Tiago trata desse tema importante e mostra que existem três guerras em andamento no mundo. Também diz como essas guerras poderiam ter fim.

  1. Em guerra uns com os outros (Tiago 4:1a,11,12)
  2. Em guerra com nós mesmos (Tiago 4:1b-3)
  3. Em guerra com Deus (Tiago 4:14-10)

Wiersbe explica Tiago 4:3

Os desejos egoístas são perigosos e nos levam a fazer coisas erradas (“viveis a lutar e a fazer guerras”, Tg 4:2), e até mesmo a orar da maneira errada (“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres“, Tg 4:3).

Quando oramos de forma incorreta, mostramos que nossa vida cristã como um todo está errada. Alguém disse bem que o objetivo da oração não é fazer com que a vontade do homem se realize no céu, mas sim que a vontade de Deus se realize na Terra.

Uma vida egoísta e orações egoístas sempre produzem guerras. Se há guerra do lado de dentro, também acabará havendo do lado de fora.

Quem está em guerra consigo mesmo por causa de desejos egoístas é sempre infeliz. Nunca aproveita a vida. Em vez de ser grato pelas bênçãos que tem, queixa-se das que não tem. Não consegue entender-se com os semelhantes, pois sempre inveja os outros por aquilo que possuem ou são. Está sempre à procura de algo especial que transformará sua vida, quando, na verdade, o problema está dentro do próprio coração.

Por vezes, as orações são usadas para encobrir os verdadeiros desejos. Uma das maiores desculpas que um cristão usa é dizer: “mas eu orei sobre isso!” Em lugar de buscar a vontade de Deus, dizemos a Deus o que ele deve fazer e ficamos zangados quando não nos obedece. Essa ira com Deus acaba transbordando na forma de ira contra o povo de Deus.

Várias divisões dentro da igreja foram causadas por santos que descontaram suas frustrações com Deus em membros da congregação. Muitos problemas nas igrejas e nas famílias seriam resolvidos se as pessoas olhassem dentro de seu coração e vissem as batalhas em andamento dentro dele.

Comentário conciso de Matthew Henry

Tiago 4:3. Visto que todas as guerras e lutas vêm da corrupção de nossos próprios corações, é correto mortificar aquelas concupiscências que guerreiam nos membros. As concupiscências mundanas e carnais são doenças, que não permitem contentamento ou satisfação. 

Desejos e afeições pecaminosas param a oração e a operação de nossos desejos em direção a Deus. E tenhamos cuidado para não abusar ou fazer mau uso das misericórdias recebidas, pela disposição do coração quando as orações são concedidas.

Quando os homens pedem prosperidade a Deus, muitas vezes pedem com objetivos e intenções erradas. Se assim buscamos as coisas deste mundo, é justo em Deus negá-las. 

Desejos incrédulos e frios pedem negações; e podemos ter certeza de que quando as orações são mais a linguagem das luxúrias do que das graças, elas retornarão vazias.

Notas de Barnes sobre a Bíblia

Tiago 4:3. Você pede e não recebe. – Isto é, alguns de vocês exigem ou pedem em algumas ocasiões. Embora buscando em geral o que você deseja por conflito, e sem levar em conta os direitos dos outros, ainda assim você às vezes ora. 

Não é incomum que os homens que vão para a guerra orem ou procurem os serviços de um capelão para orar por eles. Às vezes acontece que o avarento e o briguento; que aqueles que vivem para prejudicar os outros, e que gostam de litígios, ore. 

Eles oram pelo sucesso em seus compromissos mundanos, embora esses compromissos sejam todos baseados na cobiça. Em vez de buscar propriedades para que glorifiquem a Deus e façam o bem; para que possam aliviar os pobres e aflitos; que eles possam ser os patronos do aprendizado, filantropia e religião, eles fazem isso para que possam viver em esplendor e serem capazes de mimar suas concupiscências. 

Porque você pede errado. – Você faz isso com o objetivo de autoindulgência e gratificação carnal.

Para que você possa consumi-lo em seus desejos. – “Prazeres”. Esta é a mesma palavra usada em Tiago 4:1, e rendeu luxúrias. A referência é a gratificações sensuais, e a palavra incluiria tudo o que vem sob o nome de prazer sensual ou apetite carnal. 

Não era que eles pudessem ter uma vida decente e confortável, o que não seria impróprio para desejar, mas que eles pudessem ter os meios de se vestir e viver luxuosos; talvez o meio de gratificações sensuais grosseiras. 

Orações para que possamos ter os meios de sensualidade e desejo, não temos razão para supor que Deus responderá, pois ele não prometeu ouvir tais orações.

Comentário Bíblico Jamieson-Fausset-Brown

Tiago 4:3 – Alguns deles deveriam dizer em objeção, Mas nós “pedimos” (oramos); compare Tg 4:2. Tiago responde: Não basta pedir coisas boas, mas devemos pedir com bom espírito e intenção. “Você pede mal, para que possa consumi-lo (seu objeto de oração) em suas concupiscências (prazeres)”.

Não para que tenhais as coisas de que necessitais para o serviço de Deus. Contraste Tg 1:5 com Mt 6:31, 32. Se você orasse corretamente, todas as suas necessidades apropriadas seriam supridas; os desejos impróprios que produzem “guerras e lutas” cessariam. Até as orações dos crentes costumam ter mais respostas quando seus desejos são mais opostos.

Exposição de Gill de Tiago 4:3

Pedis e não recebeis… Houve alguns que pediram a Deus as bênçãos de sua bondade e providência, mas estas não lhes foram concedidas, motivo foi:

Porque você pede errado. –  Não na fé de uma promessa divina; nem com gratidão pelas misericórdias passadas; nem com submissão à vontade de Deus; nem com um fim certo, fazer o bem aos outros e usar o concedido para a honra de Deus e o interesse de Cristo. Mas:

Para que a consumais em vossas concupiscências. – Ceder à intemperança e ao luxo; como o homem que tinha muitos bens acumulados por muitos anos, com negligência de sua própria alma, Lucas 12:19 ou o homem rico, que gastou tudo em suas costas e barriga, e não notou Lázaro em seu portão; Lucas 16:19.

Estudo de Tiago

Equipe Redação BP

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