10 fatos poderosos sobre a cruz de Cristo e sua crucificação

Não muito tempo atrás, publicou-se um livro com o título: O que Deus estava fazendo na cruz? Parece que há duas perguntas sendo feitas, não uma. 

Primeiro, “O que Deus estava fazendo na cruz?” Por que o filho de Deus foi cravado em uma forca romana? Parece chocante que Deus seja crucificado? 

Segundo, “O que Deus estava fazendo na cruz?” Uma vez que concordamos que o filho de Deus estava na cruz, nos perguntamos: “o que ele estava fazendo lá?” O que ele estava realizando através da crucificação de Jesus? Com que fim e com que propósito Jesus, o homem Deus, estava sofrendo?

O problema é que há um número crescente de cristãos que estão tendo cada vez mais dificuldade em responder a essa pergunta. A razão para isso é tripla: (1) um senso decrescente da santidade de Deus; (2) um senso cada vez menor da pecaminosidade da humanidade; e (3) um senso de autoestima desordenadamente crescente. 

Embora eu afirme a necessidade de uma autoimagem adequada, temo que muitos estejam rapidamente ficando tão impressionados consigo mesmos que não podem deixar de se perguntar por que Jesus teve que morrer por eles! 

Mas quando olhamos para a Bíblia, percebemos que Jesus, estava na cruz sofrendo a pena eterna que merecíamos por causa da infinidade da santidade de Deus e das profundezas de nossa depravação.

A dor e a vergonha da crucificação

Qualquer tentativa de entender os sofrimentos de Cristo deve se levar em conta os dois mil anos de tradição cristã educada sobre a cruz. Mas, não poderemos entender a fundo, antes de saber como ela era vista no tempo de Jesus. 

Ambos os aspectos dolorosos e vergonhosos da crucificação tornaram-se obscuros, e não importa o que possamos pensar que sabemos sobre essa forma de execução, ela simplesmente não significa para nós a mesma coisa que significava para aqueles que viviam no primeiro século.

O próprio NT não fornece muitas informações sobre os detalhes da crucificação. Além disso, há poucos detalhes por parte de todos os 4 autores do evangelho quando se trata da crucificação de Jesus. 

Tudo o que é dito em Mateus 27:35a; Marcos 15:24a; Lucas 23:33; e João 19:18, é que “eles o crucificaram”. 

Mas, por que pouco se registrou? Há pelo menos duas razões. 

Em primeiro lugar, a crucificação era tão frequente e seus detalhes tão conhecidos que eles certamente acharam desnecessário ser mais precisos. As pessoas no primeiro século estavam dolorosamente familiarizadas com a crucificação. 

Mais importante é o fato de que a crucificação foi tão repugnante, tão vergonhosa que eles consideraram impróprio ir além do essencial ao descrever a experiência de nosso Senhor.

a crucificação de Cristo

Crucificação histórica

Primeiramente, devemos lembrar que o significado teológico da cruz não se pode separar do próprio evento histórico e físico. 

Os tipos de cruzes utilizados variavam de acordo com sua forma: X, T, t eram as formas mais comuns. 

A altura da cruz também foi importante. Normalmente, os pés da vítima não estariam a mais de um a dois pés acima do solo. Isso era para que animais selvagens e cães necrófagos comuns na cidade pudessem se alimentar do cadáver. 

Martin Hengel (Crucificação, 9) cita Pseudo-Manetho dizendo: “Punidos com os membros estendidos, eles veem a estaca como seu destino; eles são presos e pregados a ela no mais amargo tormento, comida maligna para aves de rapina e presas sombrias para cães.” 

Jesus pode muito bem ter sido uma exceção a esta regra (Mt 27:42, 48). Se sim, não foi por misericórdia, mas para aumentar sua humilhação expondo sua vergonha mais prontamente aos transeuntes.

Os pregos

Os pregos que se usavam, era ​​para cravar a vítima na árvore. 

Em 1968, em um cemitério em Gi’vat Ha-Mivtar (perto de Jerusalém), uma escavadeira desenterrou os restos mortais de um homem chamado “João” que havia sido crucificado:

“Os pés estavam unidos quase paralelos, ambos transfixados pelo mesmo prego nos calcanhares, com as pernas adjacentes; os joelhos estavam dobrados, o direito sobrepondo-se ao esquerdo; o tronco estava contorcido; os membros superiores foram esticados, cada um esfaqueado por um prego no antebraço” (citado em Lane, 565).

Prolongando a agonia da vítima

A perna direita do homem crucificado, o maior dos dois ossos da parte inferior da perna, havia sido brutalmente fraturada em lascas grandes e afiadas. Talvez para acelerar sua asfixia, tornando praticamente impossível empurrar-se para cima na viga vertical. Uma ação necessária para sustentar respiração. (Embora Frederick T. Zugibe contestou esta teoria em seu artigo “Duas Perguntas Sobre a Crucificação”). 

Embora este homem tenha sido crucificado pelo antebraço, é possível fazê-lo pela palma da mão, ao contrário do que alguns dizem. Se o prego entrar na palma da mão através do sulco tenar (uma área entre três ossos), ela não quebra nenhum osso e é capaz de suportar várias centenas de quilos.

Muitas vezes, um pequeno pino ou bloco de madeira, chamado sedecula, era fixado no meio da viga vertical, fornecendo uma espécie de assento. Seu objetivo era evitar o colapso prematuro e, assim, prolongar a agonia da vítima.

cruz de Cristo

Causa da morte na cruz

Antes de mais nada, a causa exata da morte se debate há anos. DA Carson resume:

“Amarrado ou pregado na cruz, a vítima sofria inúmeros paroxismos enquanto puxava com os braços e empurrava com as pernas para manter a cavidade torácica aberta para respirar. E depois desmaiava de exaustão até que a demanda por oxigênio exigia novos paroxismos. A flagelação, a perda de sangue, o choque da dor, tudo isso produzia uma agonia que podia durar dias, terminando por asfixia, parada cardíaca ou perda de sangue. Quando havia motivos para apressar a morte, o esquadrão de execução esmagava as pernas da vítima. A morte seguia-se quase imediatamente, seja por choque ou por colapso que interrompia a respiração”.

Crucificação como pena capital

É difícil imaginar uma forma mais hedionda de pena capital. 

Acreditava-se que a crucificação era um impedimento eficaz no mundo antigo. E, portanto, frequentemente se usava.

Appian relatou que após a derrota de Spartacus, o vencedor Crassus teve 6.000 prisioneiros crucificados na Via Appia entre Cápua e Roma. 

Antes de sua batalha final, o próprio Espártaco mandou crucificar um prisioneiro romano para alertar seus homens sobre seu destino, caso sofressem a derrota. 

É estranhamente irônico Júlio César saudado como misericordioso com seus inimigos quando ordenou que cortassem suas gargantas antes de serem crucificados, a fim de poupá-los do sofrimento indescritível da agonia prolongada na cruz.

Cerco de Jerusalém

Josefo descreveu o destino dos judeus levados cativos em 70 dC, quando Jerusalém foi destruída. Os soldados, “pela raiva e ódio que carregavam os prisioneiros, pregavam nas cruzes os que apanhavam, em diferentes posturas, a título de brincadeira, e o seu número era tão grande que não havia espaço suficiente para as cruzes e nem cruzes suficientes para os corpos”. 

Josefo indica que o general romano Tito esperava que isso apressasse a rendição daqueles que ainda estavam na cidade sitiada.

cruz de Cristo e sua crucificação

Obscenidade e Humilhação

Pior que a dor da cruz foi a vergonha da cruz. Veja 1 Cor. 1:18-25

Mas, por que Paulo se refere à cruz como loucura e pedra de tropeço? Não é porque o conceito ou prática da crucificação era intelectualmente incoerente ou ilógico. 

Em vez disso, a mensagem de salvação pela fé em um Salvador crucificado foi considerada “loucura” e uma “pedra de tropeço” porque a própria cruz era a personificação e o emblema da mais hedionda das obscenidades humanas. A cruz era um símbolo de reprovação, degradação, humilhação e desgosto. Era esteticamente repugnante. Em uma palavra, a cruz era obscena.

A cruz era muito mais do que um instrumento de pena capital. Era um símbolo público de indecência e indignidade social. 

O projeto da crucificação era para fazer mais do que simplesmente matar um homem. Seu objetivo era humilhá-lo também. 

A cruz destinava-se não apenas a quebrar o corpo de um homem, mas também o esmagar e difamar seu espírito. 

Certamente havia meios de execução mais eficientes: apedrejamento (Estevão em Atos 7), decapitação (Tiago em Atos 12), etc. Usavam a crucificação tanto para humilhar quanto para prejudicar.

Publicamente nu

Por exemplo, a crucificação sempre foi pública. De fato, escolhiam o lugar mais visível. Geralmente em uma encruzilhada, no teatro ou em outro lugar alto. 

O motivo era intensificar o sentimento de humilhação social e pessoal. Dessa forma, as vítimas eram geralmente crucificadas nuas. 

As sensibilidades judaicas, no entanto, exigiam que a vítima usasse uma tanga. Na Bíblia, a nudez física era muitas vezes um símbolo de vergonha e ignomínia espiritual. João Calvino escreveu:

“Os evangelistas retratam o Filho de Deus como despido de Suas vestes para que possamos conhecer a riqueza adquirida para nós por esta nudez, pois ela nos vestirá à vista de Deus. Deus quis que seu Filho fosse despido para que aparecêssemos livremente, com os anjos, com as vestes de sua justiça e plenitude de todas as coisas boas…”.

O primeiro Adão, originalmente criado na justiça de Deus, por seu pecado nos desnudou. O último Adão, sofrendo a vergonha da nudez, por sua obediência nos veste com a justiça de Deus.

A “loucura” de um Salvador Crucificado

A antiga avaliação da crucificação se vê na forma como tratada em sua literatura. 

Os historiadores certa vez presumiram erroneamente que a escassez de referências à crucificação em fontes literárias cultas era prova de que raramente se usava. 

Foi descoberto recentemente, que os artistas literários mais refinados omitiram a referência à crucificação, não pelo desconhecimento, mas porque não queriam desonrar ou macular sua obra mencionando uma prática tão vil e obscena. 

Nos romances gregos e no teatro, a crucificação do herói/heroína era rotina, mas eles sempre eram libertos da cruz. Em outras palavras, os heróis não podiam, de forma alguma, sofrer uma morte tão vergonhosa. 

Esta foi uma das razões pelas quais a noção de um salvador crucificado era “loucura” para os gregos.

Referiam-se à crucificação como “aquela pena mais cruel e repugnante”. Plínio, o Jovem chamou o cristianismo de “superstição perversa e extravagante” porque pregava Cristo crucificado. Tácito chamou isso de “superstição perniciosa”.

A Cruz Proibida para Romanos

Era intensa a vergonha associada à crucificação. Pois, era expressamente proibido executar um cidadão romano dessa maneira. Cícero, então escreveu:

“Mesmo se formos ameaçados de morte, podemos morrer homens livres. Mas o carrasco, o véu da cabeça e a própria palavra “cruz” devem estar longe não apenas da pessoa de um cidadão romano, mas de seus pensamentos, olhos e ouvidos. Pois não é apenas a ocorrência real dessas coisas ou a resistência delas, mas a responsabilidade para com elas. A expectativa, ou melhor, a mera menção delas, que é indigna de um cidadão romano e de um homem livre” (Defesa de Rabirius, 5,16).

Um símbolo de indignidade

A ênfase simbólica da cruz no mundo antigo também é vista na prática de pendurar nela o cadáver de um homem executado por outros meios. 

Que possível razão haveria para fazer isso, exceto para submeter seu nome/reputação à pior indignidade social possível?

Cristo crucificado

A Contradição de um “Messias Crucificado”

A obscenidade da cruz explica a oposição inicial de Paulo à igreja e seu evangelho. Paulo estava:

  • “Devastando” a igreja (Atos 8:3; uma palavra que literalmente se refere a uma fera rasgando sua presa, rasgando carne de osso); 
  • “Respirando ameaças assassinas” na igreja (At 9:1); 
  • “Perseguindo” a igreja “até a morte” (At 22:4); 
  • “Furiosamente enfurecido” na igreja (At 26:11); 
  • “Tentando destruí-la” (Gal. 1:13). 

Mas, por quê?

Não foi principalmente porque a igreja alegou que Jesus era Deus encarnado, nem por causa de qualquer ameaça à lei mosaica ou ao Templo (embora essa acusação tenha sido levantada; Atos 6:13). 

A principal pedra de tropeço para Paulo era que Jesus havia sido crucificado. Um messias crucificado era uma contradição em termos. Pode-se ter um Messias, ou pode-se ter uma crucificação. Mas não se pode ter um Messias que seja ele mesmo crucificado! 

O conceito do Messias evocava imagens de poder, esplendor e triunfo, enquanto o da crucificação falava de fraqueza, degradação e derrota.

Crucificação como maldição

Na lei judaica (veja Deut. 21:23) o cadáver de um criminoso executado judicialmente foi pendurado para exposição pública que o marcou como amaldiçoado por Deus. 

As palavras também foram aplicadas nos dias de Jesus a qualquer um crucificado. E, portanto, a exigência dos judeus de que Jesus fosse crucificado em vez de banido visava despertar a máxima repulsa pública em relação a ele. (Veja Atos 5:30; 10:39; 13:29; 1 Pe. 2:24; e especialmente Gal. 3:13, onde a referência à morte numa “árvore” é proeminente.)

Assim, o que Paulo (ou Saulo, na verdade) estava ouvindo proclamado pelos cristãos era que aquele que deveria desfrutar da mais rica bênção de Deus, em vez disso, suportou a mais repreensível maldição de Deus. 

Como esses judeus poderiam honrar como Deus e Salvador alguém a quem o próprio Deus havia amaldiçoado aberta e obviamente? 

Pior do que uma contradição em termos, um Messias crucificado era uma blasfêmia ultrajante! No entanto, observe como a igreja primitiva destacou esse fato! Veja Atos 2:23; 4:9-12; 5:29-31.

A Ofensa da Cruz

Assim, a ofensa da cruz não vem do fato de ser teologicamente incoerente ou intelectualmente ilógica ou legalmente inadmissível. A ofensa da cruz veio do fato de que a cruz, em si um símbolo visível e corporificação física da vergonha moral e repugnância estética, foi o instrumento de morte para aquele que afirmava ser o Messias e Salvador. 

Isso explica por que o próprio Paulo foi tão terrivelmente maltratado e desprezado quando pregou o evangelho. 

Em suma, Jesus morreu não apenas pela culpa dos nossos pecados, mas também pela vergonha dos nossos pecados!

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