5 razões por que todos os cristãos devem ler a história da rainha Ester

As portas se abriram e a rainha Ester se aproximou do rei da Pérsia. Mas ele não a chamou. Ela enfrentaria a execução se sua presença não fosse aceita. Ou ele poderia mostrar sua misericórdia estendendo seu cetro para ela.

Seu povo, os judeus, enfrentou a extinção. Ester precisava levar sua preocupação ao rei. Para a salvação deles.

Reunindo sua coragem, ela deu um passo à frente. O que ele faria? Depois de uma suspense assustador, o Rei sorriu e estendeu o cetro para ela (Ester 5:1-2).

Com esse ato de bravura, Ester lutou pela vida de seu povo. Hamã, que odiava os judeus pagou 10.000 talentos de prata (370 toneladas de prata; mais de R$ 15 bilhões) para o rei assinar uma lei permitindo a morte do povo de Deus (Ester 3:8-9). 

Hamã lançou sortes (como jogar moedas) para escolher o dia violento. Então caiu no dia 13 de Adar (Ester 3:7).

A história de Ester é cheia de drama, ironia, violência e personagens fortes. No final, a rainha Ester e seu tio Mardoqueu conseguem salvar seu povo da destruição. 

Ester é a base para o festival judaico de Purim (Purim significa “lançar sortes”) e refere-se a como Hamã decidiu em que dia matar um grupo inteiro de pessoas (Ester 9:23-26).

Mesmo que este livro não tenha uma menção específica de Deus, Sua soberania é evidente em toda a narrativa.

O que acontece na história da rainha Ester na Bíblia?

Jerusalém havia caído para a Babilônia e os judeus exilados por volta de 605 aC . A Babilônia posteriormente deu lugar ao muito maior e mais poderoso Império Persa em 539 aC. 

O lendário Daniel sobreviveu à transição para o novo império, mantendo um papel administrativo primário (Daniel 6:28).

Na época do rei Assuero, também conhecido como Xerxes em Ester, Daniel se foi e Hamã se tornou o primeiro-ministro da Pérsia (Ester 3:1).

A jovem, Hadassa, conhecida como Ester, era uma órfã judia criada por seu tio. Mardoqueu trabalhou para o rei no palácio. O livro de Ester se estende de 479-473 aC .

Hamã é mencionado como um agagita. Agague tinha sido o rei dos amalequitas, a quem Deus ordenou que o rei Saul de Israel matasse por causa dos pecados de Amaleque contra Seu povo. Saul conquistou Amaleque, mas não matou Agague. O velho Samuel, o profeta, apareceu e cortou Agague em pedaços (1 Samuel 15).

Com tal história entre Amaleque e Israel e Agague em particular, Hamã tinha muita motivação para odiar os judeus.

No contexto de outros escritos bíblicos, Ester teria caído em algum lugar entre Esdras 6-7, quando os judeus estavam começando a voltar para Jerusalém (Ed 7:1). 

Como a rainha Ester e Mardoqueu foram contemporâneos de Esdras e Neemias, não é exagero conectar por que Assuero foi favorável ao povo judeu e seu retorno a Jerusalém.

O que sabemos sobre a rainha Ester na Bíblia?

A princípio, Ester é notada na história por sua beleza (Ester 2:7). Quando a esposa do rei Assuero, Vasti, recusou sua convocação, ele realizou um concurso para saber quem seria sua substituta (Et 1:19; 2:1-4). As mulheres mais bonitas do Império foram escolhidas. Ester estava entre elas (Et 2:8).

Ester foi criada por seu tio como se fosse uma filha. Na narrativa, o amor de Mardoqueu por ela é notório. Ele se informava de como Ester estava. E lhe dá conselhos e direção (Ester 2:10-11).

À medida que a história avança, a personagem de Ester brilha, ainda mais do que sua beleza. Ela começa bastante passiva, mas se torna uma personagem mais ativa e forte no final. 

Ela foi corajosa, arriscando sua vida com o rei; honesta em identificar-se como judia; sábia em como ela lida com o Rei; uma líder ao inspirar seu povo a jejuar e revidar.

Durante a festa de Purim, Mardoqueu recebe muita atenção (depois da terrível queda de Hamã, Mardoqueu assume sua posição). No entanto, Ester é a heroína da história.

A rainha Ester é conhecida por sua beleza e por salvar o povo judeu durante a opressão persa dos planos de Hamã de limpá-los totalmente da face da Terra. 

Isso não apenas salvou a vida de milhares de seres humanos, mas também preservou a linhagem judaica, da qual nasceria o Messias – Jesus.

Como a rainha Ester morreu?

A Bíblia é silenciosa sobre quando e como a rainha Ester morreu, e a história também é silenciosa sobre sua vida. A resposta curta é que nunca saberemos.

O melhor palpite histórico é que quando Assuero encontrou seu fim sangrento nas mãos de assassinos em 464 aC, Ester e Mardoqueu provavelmente também foram mortos. 

Especialmente considerando que o assassinato foi em nome do filho de Assuero, filho de uma rainha antes de Ester (Vasti?) e provavelmente não favorável a Ester e Mardoqueu.

Dessa forma, sem evidência bíblica ou histórica, isso é apenas uma teoria.

5 razões por que os cristãos devem ler a história da rainha Ester

Como dito antes, o livro não usa o nome de Deus, e o conflito na superfície é político e racial. No entanto, o caráter de Deus e até mesmo o Evangelho são evidentes ao longo da história. E Ester tem muito a ensinar aos cristãos.

Além de ser uma narrativa fenomenal, aqui estão cinco razões pelas quais todo cristão deveria ler e estudar o maravilhoso livro de Ester.

1. A festa de Purim era uma tradição na época de Jesus, mais de 400 anos depois

Um festival sem nome é mencionado em Jerusalém no início de João 5 e poderia ser Purim, mas a Bíblia não diz com certeza. 

De qualquer forma, Jesus teria celebrado Purim, uma história literal da fidelidade de Deus em preservar seus ancestrais.

Ester é uma figura do Evangelho. Primeiro, Ester dá sua vida pelo bem dos outros, como um tipo de Cristo. Ninguém tem amor maior do que dar a vida pelos outros.

2. A nova lei assinada pelo rei Assuero é um retrato da Nova Aliança de Deus

Sob a lei persa, uma vez que o rei assinasse uma lei, nem mesmo ele poderia revogá-la. Em vez disso, ele assinou uma nova lei que permitiu que os judeus revidassem. Tudo com sua autoridade e desejo óbvio por trás disso (Assuero mandou Hamã para a forca construída para Mardoqueu. 

Quando Adão e Eva pecaram, a morte entrou no mundo (Romanos 5:12). Agora estamos sob o poder do pecado e a ameaça de um inimigo que deseja roubar, matar e destruir (João 10:10).

Deus não pode voltar atrás em Sua Palavra (Hebreus 6:18). Em vez disso, ele forneceu uma nova maneira de ser reconciliado com a vida (e quebrando o poder do pecado e da morte) através da morte e ressurreição de Seu Filho (Romanos 5:20-21). 

Deus também nos capacita a lutar e permanecer contra o diabo através de sua armadura (Ef 6:10-18).

3. Ester se identificou com os oprimidos e usou sua posição para lutar por eles

Obviamente, Ester era judia. No entanto, com base no conselho de Mardoqueu, ela escondeu sua identidade racial por anos através do processo de harém (Et 2:10). 

Ao saber da trama de Hamã, Mardoqueu dá à rainha um discurso que argumenta que, se os judeus estão sendo alvo, sua vida também está em perigo (Et 4:13-14). 

Ela não podia simplesmente se identificar com os judeus “em seu coração”. Ela teve que fazer isso publicamente e depois usar sua posição privilegiada como rainha para lutar por suas vidas. Suas ações ameaçavam sua vida.

Como discípulos de Cristo, devemos nos identificar com os necessitados e os perdidos, pois já fomos como eles (Tt 3:1-3). 

Não importa a origem racial ou cultural, Deus ama todas as pessoas e as valoriza. O próprio Jesus deixou o céu, entrou em nosso mundo e se identificou conosco como humano (João 1), tornando-se um eterno Sumo Sacerdote que entende nossa fraqueza e experiência (Hebreus 4:14-16).

Assim como Cristo nos amou, somos chamados a amar o próximo usando nossos recursos materiais e espirituais para lutar pelo bem deles, pregando o Evangelho através de nossas ações junto com nossas palavras (1 Cor 9: 27).

4. Ester usou compaixão e respeito para fazer seu apelo ao rei

Quando o rei Assuero estendeu o cetro a Ester, mostrando favor e poupando sua vida, ela não se lançou imediatamente em sua situação desesperadora, embora ele lhe dissesse que ela poderia pedir qualquer coisa. Em vez disso, ela convidou o rei e Hamã para jantar em sua casa.

O rei a pressionou no jantar para fazer seu pedido, qualquer coisa até metade do reino. Mas ela pediu sua presença novamente no dia seguinte, junto com Hamã.

Enquanto a rainha Ester ordenava que seu povo jejuasse, ela festejou com o rei e Hamã (Ester 5:4). No segundo jantar, ela revelou sua herança judaica e apelou para a compaixão de Assuero por sua vida e pela vida de seu povo. Ela o tornou pessoal (Ester 7:3).

O historiador Heródoto comentou que o rei persa era uma espécie de cabeça quente, principalmente nas campanhas militares e na escolha de conselheiros. 

Ester revela isso também, com a escolha de Hamã como segundo no comando de todo o Império. Ele exilou uma esposa por não responder a sua convocação (Ester 1:19-21) e estava pronto para eliminar toda uma raça de pessoas com base na acusação de Hamã (Ester 3:8-10).

E, no entanto, Ester pediu sua presença e apelou à sua compaixão.

Para os cristãos, podemos aprender com isso. Primeiro, como lidamos com as pessoas do mundo, mesmo que sejam humanas e imperfeitas, o relacionamento deve ser nossa prioridade, e devemos apelar para sua compaixão. 

Isso dignifica as pessoas desde o início em vez de assumir um inimigo. A Bíblia diz que elas não são nossos inimigos (Efésios 6:12).

Ao lidar com Deus, Ele é perfeito em todos os Seus caminhos. Relacionamento é Sua prioridade. Devemos lançar nossos cuidados sobre Ele, pois Ele cuida de nós (1 Pedro 5:7), mas faríamos bem em lembrar primeiro de ser gratos por Sua misericórdia e pela alegria simples e surpreendente de Sua presença (Salmo 100:4-5). 

Nós então fazemos nossos pedidos a Ele, apelando para Seu vasto amor como nosso Pai (Mt 6:9-13).

5. Vemos a mão de Deus em Ester, mesmo no exílio, para preservar Sua promessa e propósito

A narrativa não nos diz nada sobre a condição espiritual de Ester e Mardoqueu. Mas Deus fez uma aliança com Davi que sempre haveria um rei em sua linhagem (2 Samuel 7). As profecias mais tarde esclareceram que o Messias, o eterno Filho de Deus e Salvador, nasceria na linhagem de Davi (Mq 5:2).

A autoridade de Deus respalda Sua palavra. Mesmo em tempos extremamente difíceis, Deus veria Seus propósitos se cumprirem.

Até Mardoqueu acredita nisso até certo ponto. Ele diz a Ester que ela veio a ser Rainha para um propósito maior, para “um momento como este”, e que se ela não agisse, a libertação ocorreria por meio de outro.

Isso deve nos encorajar. As Escrituras estão cheias da palavra de Deus e Suas promessas. Há momentos difíceis. O mundo é corrupto, maligno, e temos inimigos que procuram nos roubar, matar e destruir.

Apesar de tudo isso, Cristo venceu o mundo (Jo 16:33). A Palavra de Deus se cumprirá. Não retorna vazia (Is 55:11). 

Podemos permanecer em Suas promessas, mesmo em grandes trevas, sabendo que o amanhecer virá e Ele se mostrará fiel se permanecermos em Seu amor e propósito (Romanos 8:28).

Ester é um livro fenomenal, uma história cheia de reviravoltas, coragem diante do mal e, o mais importante, um Deus invisível que sempre cumprirá Suas promessas.

Autor Britt Mooney.

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