JOHN HUSS, FIEL ATÉ A MORTE

AS ÚLTIMAS PALAVRAS DE JOHN HUSS

John Huss deixou em suas últimas palavras mesmo diante da morte uma lição de coragem e fé em Cristo.

Quando ainda no cárcere, sentenciado pelo papa a ser queimado vivo, então John Huss disse:

Podem matar o ganso, ( em alemão na sua língua natal, huss é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”.

Cento e dois anos depois de John Huss expirar na fogueira, o “cisne”, Martinho Lutero, afixou na porta da igreja de Wittenberg, as suas 95 teses contra as indulgências.

Ato esse que gerou a Grande Reforma.

Portanto, veremos a seguir os momentos finais da vida de John Huss em que ele deixa um exemplo de fé.

OS ÚLTIMOS MOMENTOS DE JOHN HUSS

JOHN HUSS O REFORMADOR

Então, vários artigos sobre acusações contra John Huss foram lidos.

Depois disso juntamente com os testemunhos confirmatórios, o Cardeal de Cambray então chamou John Huss e lhe disse:

O senhor ouviu que graves e horríveis crimes lhe são imputados.

Pois, agora cabe ao senhor decidir com sua consciência o que irá fazer.

O Concílio lhe apresenta dois caminhos.

Em primeiro lugar, que o senhor se submeta ao julgamento do Concílio, acatando e suportando com paciência o que quer que seja por ele determinado.

Porque, se fizer isso, nós o trataremos com grande humanidade, amor e delicadeza, na medida do possível.

Mas se estiver decidido a defender qualquer um desses artigos aqui apresentados e quiser ou exigir apresentar outros esclarecimentos, nós não lhe negaremos o poder e a permissão de fazê-lo.

Com semblante modesto respondeu então John Huss:

Reverendíssimos padres!

Eu disse muitas vezes que vim de livre e espontânea vontade até aqui, não para obstinadamente defender coisa alguma, mas para que, se em algum ponto eu aparentemente tiver exposto alguma opinião perversa ou má, eu humilde e pacientemente seja corrigido e ensinado.

Por isso, desejo ter mais liberdade para esclarecer o que penso.

Após o que, se eu não alegar razões extremamente firmes e fortes, de bom grado me submeterei, conforme vós exigis.

JOHN HUSS NÃO NEGA A CRISTO

Disse então o Cardeal de Cambray:

Segundo, que o senhor deve prometer sob juramento que não defenderá nem ensinará nenhum desses artigos.

Mas John Huss invariavelmente respondia como antes, de modo que eles o chamaram de obstinado e teimoso.

E então John Huss não nega o seu mestre Senhor.

ACUSAÇÃO CONTRA JOHN HUSS

Posteriormente a isso, o Arcebispo de Riga, a quem John Huss fora entregue, ordenou que ele fosse reconduzido em segurança à prisão.

Depois que John Huss foi retirado do local, o imperador pôs-se a exortar:

Todos esses crimes, segundo o meu juízo e conselho, merecem a pena de morte.

Por isso, a menos que ele os repudie a todos, eu julgo e considero adequado que ele seja punido pelo fogo.

Na véspera da sua condenação, dia seis de julho, o Imperador Sigismundo enviou-lhe quatro bispos, acompanhados por Lorde Wenceslau e Lorde John de Clum, para que eles ouvissem dele o que pretendia fazer.

A PERSISTÊNCIA PELA CAUSA DE CRISTO

Quando então, ele foi trazido da prisão à sua presença, John de Clum foi o primeiro a falar, dizendo:

Mestre John Huss, eu sou um homem ignorante, e não estou
à altura de dar conselhos ao senhor, um intelectual.

Mas, apesar disso, eu lhe peço que, se o senhor se reconhecer culpado dos erros de que o acusaram, não tenha vergonha de mudar a sua opinião.

Se for o contrário, não gostaria que fizesse coisa alguma contra a sua consciência, mas que preferisse sofrer qualquer punição a negar o que o senhor sabe ser a verdade.

Então, voltando-se para ele com os olhos cheios de lágrimas, disse John Huss:

De fato, tomo o Altíssimo por testemunha, e afirmo que no coração e na mente estou disposto a alterar a minha resolução, caso o Concílio consiga melhorar o meu conhecimento à luz da santa Escritura.

Nesse momento então, um dos bispos disse que ele nunca seria tão arrogante a ponto de preferir a sua própria convicção face ao julgamento de todo o Concílio.

Então, respondeu-lhe John Huss:

Se aquele que é o menor de todos os membros do Concílio puder provar que estou errado, eu, com humildade de coração e mente, farei tudo o que o Concílio exigir de mim.

JOHN HUSS É IMPEDIDO DE SE JUSTIFICAR

JOHN HUSS E SUA FÉ

Então, depois de dizer isso, deram ordens aos guardas para reconduzi-lo à prisão.

John Huss deveria ser entregue ao poder civil, mas antes seria publicamente despojado dos seus ornamentos de sacerdote.

Trazido para o local, John Huss então caiu de joelhos e demorou-se em oração.

Mas o procurador do Concílio pediu que se procedesse ao pronunciamento da sentença definitiva.

Então um certo bispo, que fora escolhido como um dos juízes, repetiu aqueles artigos que já mencionamos antes.

Mas quando John Huss, apesar de tudo, não quis se calar, pediram a dois oficiais que o forçassem a fazê-lo.

A ORAÇÃO FOI A FORÇA PARA JOHN HUSS SUPORTAR

Quando, porém, nada adiantou, John Huss, pondo-se de joelhos, entregou toda a questão nas mãos do Senhor Jesus Cristo, dizendo:

Ó Senhor Jesus Cristo, cuja palavra é abertamente
condenada aqui neste Concílio, a Ti novamente faço o meu apelo!

A Ti que, quando foste maltratado pelos Teus inimigos, apelaste a Deus, Teu Pai, entregando a Tua causa a um justíssimo Juiz.

Que, seguindo o Teu exemplo, nós que também estamos oprimidos por evidentes injustiças e injúrias, possamos
buscar refúgio em Ti.

JOHN HUSS PROCURA SEGUIR OS EXEMPLOS DE CRISTO

Depois então que ele pronunciou essas palavras, um dos juízes leu a sentença definitiva contra ele:

“Considerando que John Huss, o discípulo de Wickliff, ensinou, pregou e afirmou os artigos de Wickliff, que foram condenados pela Igreja de Deus;

Portanto, o sagrado Concílio decreta que John Huss seja destituído e rebaixado de suas ordens e dignidade sacerdotais.

Enquanto sua sentença era lida, John Huss, embora proibido de falar, várias vezes interrompeu a leitura.

Quando foi reprovado por obstinação, disse então ele em alto e bom som:

Nunca fui obstinado, mesmo agora, como sempre fiz em toda a vida, desejo receber o ensinamento das santas Escrituras.

Ao ouvir a condenação de seus livros, então disse ele:

Por que condenais os meus livros se não provastes que são contrários às Escrituras?

Então, terminados o julgamento e a leitura da sentença, caindo de joelhos, disse ele:

Senhor Jesus Cristo! Perdoa a meus inimigos por quem Tu sabes que sou acusado falsamente e atacado com falsos testemunhos e calúnias”.

Perdoa-os, eu te peço, por tua grande misericórdia.

Mas, esta oração foi ridicularizada e desprezada pela maioria dos padres.

Os sete bispos escolhidos para rebaixá-lo do seu grau de sacerdote ordenaram-lhe que vestisse os paramentos sacerdotais.

Ao vestir a alva ele evocou a veste branca com que Herodes cobriu Jesus Cristo a fim de escarnecer dele.

Da mesma forma em tudo ele buscava conforto no exemplo de Cristo.

JOHN HUSS SE MANTEM FIRME

Depois que ele se cobrira com todos os paramentos sacerdotais, os bispos o exortaram mais uma vez a mudar de opinião e preocupar-se com a própria honra e salvação.

Então ele, os olhos cheios de lágrimas, respondeu que não negaria suas palavras, pois era fiel ao seu Senhor e também manteria o que ele disse e ensinou sobre seu mestre.

A MALDADE DOS BISPOS

A HISTÓRIA DE JOHN HUSS

Em seguida um dos bispos tomou-lhe o cálice que ele segurava em suas mãos dizendo:

Ó maldito Judas! Por que abandonaste a direção e o caminho
da paz? Nós tiramos de ti o cálice da salvação.

Mas John Huss recebeu a maldição da seguinte maneira:

Eu confio em Deus, Pai onipotente, e espero que meu Senhor Jesus Cristo, por cujo amor sofro esses tormentos, não tire de mim o cálice da Sua redenção.

Tenho uma esperança firme e inabalável de que hoje mesmo eu beberei dele no Seu reino.

Então, seguiram-se depois os outros bispos, um após o outro:

Cada um tirava dele o paramento com que antes o vestira, pronunciando sua maldição contra ele.

Mas John Huss respondia que de bom grado aceitava e ouvia aquelas blasfêmias pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Por fim veio a raspagem de sua tonsura.

Mas antes de executarem o trabalho, os bispos travaram uma grande discussão entre si para saber que instrumento deveriam usar: uma navalha ou um tesourão?

Então, John Huss, voltando-se para o imperador, disse:

Muito me admira que, embora todos tenham uma mente cruel, ainda assim não consigam chegar a um acordo sobre um detalhe de sua crueldade.

Então, concordaram em cortar-lhe o couro cabeludo do alto da cabeça com um tesourão

Feito isso, acrescentaram as seguintes palavras:

Agora a Igreja tirou dele todos os seus ornamentos e privilégios.

Mas antes de entregá-lo ainda restava um último golpe de censura.

A HUMILHAÇÃO DE JOHN HUSS

Então, mandaram fazer uma espécie de coroa de papel, sobre a qual pintaram três diabos extremamente feios e sobre suas cabeças estava escrito “Heresiarca!”.

Vendo aquilo, disse John Huss:

O meu Senhor Jesus Cristo por mim usou uma coroa de espinhos.

Por que então não deveria eu, por amor dele, usar esta leve coroa, por mais ignominiosa que seja?

Certamente hei de usá-la e de bom grado.

Mas, ao colocá-la sobre a sua cabeça, disse o bispo: Agora entregamos a tua alma ao diabo.

Mas, disse John Huss:

Entrego em tuas mãos, ó Senhor Jesus Cristo, o meu espírito Tu redimiste.

A SENTENÇA CONTRA JOHN HUSS

Então, após isso, os bispos, dirigindo-se ao imperador, disseram:

O sagrado Concílio de Constança neste momento entrega John Huss, que já não tem nenhum ofício na Igreja de Deus, ao poder e julgamento civil.

Então o imperador mandou que Louis, Duque da Baviera, que ali estava vestido de gala, segurando a maçã dourada com a cruz, recebesse John Huss das mãos dos bispos e o entregasse aos seus carrascos.

A todos aqueles pelos quais passava ele exortava a não pensarem que ele ia morrer por algum erro seu ou heresia, mas apenas pelo ódio e má vontade dos seus adversários, que o haviam acusado de crimes totalmente falsos e injustos.

Toda a cidade de certa forma o acompanhou, atentamente.

Escolheram para a sua execução o espaço diante do portão Gottlieben, entre os jardins e os portões dos subúrbios.

JOHN HUSS, FIEL ATÉ A MORTE

ÚLTIMAS PALAVRAS DE JOHN HUSS

Quando John Huss chegou ao local, ajoelhou-se e, erguendo os olhos ao céu, orou recitando certos salmos, especialmente o trinta e um e o cinquenta e um.

Então, os que estavam mais perto dele ouviram-no repetir várias vezes, com semblante alegre e sereno, o versículo seguinte:

“Em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito”.

Quando os leigos que estavam ao seu lado viram essa cena disseram:

O que ele fez antes nós não sabemos, mas sabemos e ouvimos que ele fala e ora com muita devoção e piedade.

Então, disse um certo sacerdote montado em seu cavalo, numa túnica verde, debruada de seda vermelha:

Não lhe deem ouvidos, pois é um herege.

Entrementes, enquanto John Huss orava com a cabeça inclinada para trás a fim de olhar o céu, a coroa de papel caiu ao chão.

Um dos soldados apanhou-a e disse:

Vamos novamente colocá-la na sua cabeça, para que ele seja queimado com os diabos seus mestres, a quem ele serviu.

CRISTO, SEU COMPANHEIRO FIEL

Quando, por ordem de seus torturadores, ele foi reposto de pé, então em alto e bom som disse:

Senhor Jesus Cristo!

Ajuda-me para que com mente firme e paciente eu possa enfrentar a cruel e ignominiosa morte a que estou condenado por pregar a Palavra do Teu Santíssimo Evangelho.

Em seguida, como já fizera antes, expôs ao povo a causa de sua morte.

Enquanto isso, o carrasco arrancou-lhe as vestes, prendeu-lhe as mãos às costas e o amarrou à estaca com cordas previamente molhadas.

Pelo fato de ele ter sido posicionado em direção ao leste, alguém gritou que ele não deveria olhar naquela direção, pois era um herege.

Então, seu pescoço foi preso à estaca com uma corrente.

Ao vê-la, disse ele sorrindo que de bom grado a recebia por amor de Jesus Cristo, que, ele bem sabia, fora amarrado com uma corrente muito pior.

Sob seus pés puseram dois feixes de lenha misturada com palha.

Pois, na verdade, dos pés até o queixo ele estava cercado de lenha.

Mas antes de acender a fogueira, Louis, Duque da Baviera, e outro senhor que estava com ele, que era filho de Clemente, vieram exortar John Huss, pedindo que ainda pensasse na sua salvação e renunciasse a seus erros.

Então, respondeu-lhes ele dizendo:

A que erros devo renunciar, se não me sinto culpado de nada?

Pois este sempre foi o objetivo principal e o propósito da minha doutrina, poder ensinar a todos os homens o arrependimento e a remissão dos pecados, segundo a verdade do Evangelho de Jesus Cristo.

Por isso, com a mente serena e cheio de fé, estou preparado para enfrentar a morte.

Ouvidas essas palavras, eles o deixaram e, depois de um mútuo aperto de mão, foram embora.

CANTANDO EM MEIO AS CHAMAS

Então foi acesa a fogueira, e John Huss se pôs a cantar em voz alta:

Jesus Cristo! Filho do Deus vivo! Tem piedade de mim.

E quando começou a repetir a invocação pela terceira vez, o vento soprou a chama contra o seu rosto e sufocou-lhe a voz.

Mas, apesar disso, ele ainda se moveu durante o espaço de
tempo que se leva para dizer três vezes a Oração do Senhor.

Em seguida, recolheram as cinzas com grande diligência e as jogaram no rio Reno, para que não ficasse sobre a terra o menor vestígio desse homem.

Todavia, sua memória não pôde ser apagada das mentes piedosas nem pelo fogo, nem pela água, nem por qualquer outra tortura.

Portanto, esse piedoso servo e mártir de Cristo foi queimado em Constança, no dia seis de julho de 1415, d.C.

Mas permaneceu fiel atá a sua morte.

MAIS BIBLIOGRAFIAS, ENTÃO VEJA TAMBÉM:

Como agradecer compartilhe

PORTANTO, VEJA HUSS.

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza Cookies e Tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência. Ao utilizar nosso site você concorda que está de acordo com a nossa Política de Privacidade.