Jesus é realmente o arcanjo Miguel?

De acordo com os Adventistas do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová, Jesus Cristo é o arcanjo Miguel. Mas será que isso possui respaldo bíblico? O que a Bíblia diz sobre isso?

Alguns dizem que a Bíblia é a fonte de todas as heresias. Outros até afirmam que é possível provar qualquer coisa com ela.

No entanto, essas afirmações só valem para quem:

1) usa o texto fora do contexto;

2) usa a Bíblia como prova, buscando textos para confirmar uma doutrina preconcebida;

3) adota uma interpretação seletiva, citando apenas textos que apoiam seu ponto de vista;

4) distorce as Escrituras, como alertou o apóstolo Pedro;

5) não considera a Bíblia como única autoridade e recorre a outros livros.

Então, afinal, Jesus Cristo é o arcanjo Miguel?

Por que dizem que o nome Miguel sugere que ele é Jesus

Alguns afirmam que o nome Miguel prova que ele é Jesus. Argumentam que “Miguel” significa “Quem é como Deus ou quem é semelhante a Deus“. Quem mais seria semelhante a Deus senão Jesus?

Porém, é importante notar que “Miguel” não está no texto original nem representa a transcrição do nome do arcanjo em Dn 10:13,21; 12:1; Jd 9; Ap 12:9.

O nome do arcanjo no texto hebraico é Miykha’el e no grego é Mikhael. Em ambos idiomas, significa “Quem é semelhante a Deus?“.

O significado do nome é uma pergunta, não uma afirmação. Se considerarmos Miykha’el divino, implicaria numa pluralidade de deuses na Bíblia e numa trindade composta por várias pessoas, não apenas três.

Por exemplo, encontramos na Bíblia cerca de 11 personagens com o nome Micael, transliterado como Miykha’el. Nas versões em português, estranhamente, foi grafado como Miguel. Aqui estão alguns exemplos:

  1. Micael, pai de Setur (Nm 13:13)
  2. Micael, irmão de Mesulão (I Cr 5:13)
  3. Micael, filho de Mesisai (I Cr 5:14)
  4. Micael, pai de Siméia (I Cr 6:40)
  5. Micaem, filho de Izraias (I Cr 7:3)
  6. Micael, filho de Berias (I Cr 8:16)
  7. Micael, um manassita (I Cr 12:20)
  8. Micael, pai de Onri (I Cr 27:18)
  9. Micael, filho de Azarias (II Cr 21:2)
  10. Micael, pai de Zebadias (Ed 8:8)
  11. Micael, o arcanjo, objeto de nossa discussão (Dn 10:13,21; 12:1; Jd 9; Ap 12:9).

Apesar do nome Miguel ser erroneamente atribuído ao arcanjo nas versões em português, é importante notar que em outras traduções, como na Bíblia Hebraica da Sefer, na Judaica Completa, na Vulgata e na Bíblia de Jerusalém, o nome do arcanjo é grafado como Micael.

Além de Micael, há muitos outros nomes na Bíblia com significados que, se interpretados por esses grupos, implicariam divindade, o que não concordamos.

Por exemplo, Mical, esposa de Davi, significa “Quem é como Deus“; Eliú, amigo de Jó, significa “Ele é Deus”, entre outros.

Diante dessas evidências claras, é errado o argumento daqueles que insistem em afirmar que o arcanjo Micael (Miykha’el ou Miguel) seja Jesus.

A ideia de que há apenas um arcanjo

A ideia de que há apenas um arcanjo

Os defensores da ideia de que o arcanjo Miguel é o Senhor Jesus argumentam que só há um arcanjo, que é Miguel, e que ele é príncipe, enquanto Jesus voltará com a voz de arcanjo. Concluem então que “Jesus é o arcanjo Miguel”.

No entanto, não há respaldo bíblico para afirmar que Miguel é o único arcanjo. Segundo o livro de Daniel, Miguel é como “um dos primeiros príncipes” (Daniel 10:13).

A expressão “um dos primeiros príncipes” não implica que Miguel seja o primeiro, o principal ou o único príncipe. Também não significa que ele seja o único arcanjo, mas apenas indica que, na hierarquia angelical, ele é um príncipe entre outros.

Em outras palavras, além do arcanjo Miguel, existem outros arcanjos que, embora seus nomes não estejam registrados na Bíblia, ocupam posições semelhantes. Pode-se questionar por que esses arcanjos não têm seus nomes registrados na Bíblia.

O fato de os nomes de outros arcanjos não estarem escritos na Bíblia não implica que eles não existam. Como já mencionado, neste caso, vale a máxima: “Ausência de evidência não é evidência de ausência”.

Na angelologia, sabe-se que existem bilhões de anjos, conforme as Escrituras descrevem como “milhares de milhares, miríades de miríades”. No entanto, apenas dois deles aparecem pelos seus nomes: Miguel e Gabriel.

Isso não significa que não existam outros anjos no mundo angelical só porque apenas Gabriel é mencionado pelo nome em algumas passagens bíblicas. O mesmo princípio se aplica ao arcanjo Miguel. O fato de Miguel ser o único identificado pelo nome na Bíblia não implica que haja apenas um arcanjo.

Portanto, afirmar que Jesus é o arcanjo Miguel com base em Daniel 10:13 é insustentável pela Bíblia. Insistir nessa ideia é incorrer no erro de sugerir que existem outros seres angelicais tão divinos quanto Jesus Cristo.

Jesus é muito mais do que um príncipe

Jesus é muito mais do que um príncipe; Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:11). Ele não é um anjo ou arcanjo, mas o Deus Todo-Poderoso, o Alfa e o Ômega, o Criador dos anjos (João 1:1-3; Colossenses 1:15,16).

Como tal, Ele é adorado pelos anjos (Hebreus 1:6), inclusive por Miguel, que, apesar de ser um arcanjo, ainda é um anjo e, portanto, adorador de Jesus Cristo.

Jesus é realmente o arcanjo Miguel

O arcanjo Miguel foi adorado por Josué, então ele é Jesus?

Uma das passagens usadas pelos Adventistas do Sétimo Dia para afirmar que Jesus Cristo é o arcanjo Miguel está no livro de Josué, onde um homem aparece a Josué perto de Jericó. Josué se prostra diante dele com o rosto em terra e o “adora”, chamando-o de “meu senhor”.

Como esse homem se apresenta como príncipe do exército do Senhor, os adventistas conectam a palavra “príncipe” dessa passagem com Daniel 10:13,21, onde Miguel aparece como príncipe, e concluem: “Jesus é o arcanjo Miguel”.

No entanto, é importante questionar se essa afirmação é sustentável à luz da exegese bíblica e do contexto da passagem em questão.

Assim diz o texto em Josué 5:13-15:

¹³ E sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada nua; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?
¹⁴ E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?
¹⁵ Então disse o príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim.


Na tentativa de definir quem é o varão nessa passagem de Josué, várias posições têm sido sugeridas:

A. Os que defendem que esse homem é uma manifestação do Cristo pré-encarnado;

B. Os que entendem que se trata apenas de um anjo de posição elevada;

C. Outros que entendem que se trata de uma teofania, ou seja, uma manifestação do próprio Deus;

D. O grupo dos Adventistas do Sétimo Dia, que acreditam tratar-se do arcanjo Miguel, interpretando-o como o próprio Senhor Jesus Cristo.

A refutação pode ser apresentada da seguinte forma:

Em primeiro lugar, o texto não afirma explicitamente que aquele varão é o arcanjo Miguel ou o Senhor Jesus. A passagem não declara claramente a identidade específica do varão.

Em segundo lugar, o texto também não fornece uma descrição clara o suficiente para determinar se aquele varão é o Anjo do Senhor ou uma manifestação de Cristo. A interpretação fica sujeita a diferentes pontos de vista e não há uma conclusão definitiva a partir do texto em si.

Em terceiro lugar, é relevante notar que Josué não chama aquele varão pelo nome “Adonay“, que é o termo hebraico para “Senhor” atribuído a Deus. Em vez disso, Josué se dirige a ele como “adoniy“, que significa “meu senhor“, uma forma de tratamento comum a qualquer pessoa de posição superior, indicando reverência ou respeito.

Essa forma de tratamento não é exclusiva de Deus e é utilizada em diversas passagens do Antigo Testamento para pessoas de autoridade ou posição elevada.

Em quarto lugar, a palavra hebraica “Yshttachu“, que está relacionada com o ato de se prostrar, nem sempre implica adoração divina. Geralmente, ela denota uma saudação reverente que os orientais dão aos seus superiores. Isso pode se observar em exemplos como:

  • Mefibosete ao ser introduzido à presença de Davi, “se prostrou com o rosto por terra e se inclinou” (2 Samuel 9:6).
  • Abraão se inclinou diante do povo da terra (Gênesis 23:12).
  • A mulher tecoíta se prostrou diante do rei Davi (1 Reis 1:16).
  • Absalão se inclinou sobre o rosto em terra diante do rei (2 Samuel 14:33).
  • Aimaás se inclinou ao rei com o rosto em terra (2 Samuel 18:28).
  • Bate-Seba inclinou a cabeça e se prostrou perante o rei (2 Samuel 14:4).

O que isso representa:

Esses exemplos mostram que o ato de se prostrar nem sempre indica adoração divina, mas sim uma forma de respeito ou reverência em relação a uma autoridade.

É interessante notar que a palavra hebraica para “prostrar-se” em Josué 5:14 é a mesma que aparece nos textos apresentados anteriormente. A questão é: “Será que todos esses personagens adoraram as pessoas diante das quais eles se prostraram com o rosto em terra?” Claramente, não!

Tradução da Nova Versão Internacional:

Para concluir esta questão, é útil apresentar a tradução da Nova Versão Internacional (NVI) sobre a passagem de Josué 5:14:

“Então Josué prostrou-se com o rosto em terra, em sinal de respeito, e lhe perguntou: ‘Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo?'”

Essa tradução enfatiza que o ato de Josué se prostrar foi um sinal de respeito, não de adoração. Isso ajuda a esclarecer a interpretação correta da passagem.

É importante observar que a NVI não menciona que Josué adorou aquele varão, mas sim que “prostrou-se com o rosto em terra, em sinal de respeito“. Além disso, a expressão “e o adorou” que aparece em algumas traduções em português pode ser um acréscimo editorial, não presente no texto original.

Portanto, de acordo com a NVI, Josué apenas se prostrou perante aquele varão como um sinal de respeito, sem adoração implícita.

Em relação à identidade daquele varão, se considerarmos que ele é um ser divino, seria mais apropriado interpretá-lo como uma manifestação de Yahweh, o Deus trino (Teofania).

Isso é evidenciado pelo fato de que tanto a recomendação dada a Moisés no Monte Horebe quanto a Josué são semelhantes:

“Tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa”.

Êxodo 3:5; Josué 5:14

É interessante notar que, no caso de Moisés, o ser que aparece a ele é o Anjo do Senhor, que logo se identifica como o próprio Deus:

“Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”.

Êxodo 3:6

Isso sugere que aquela manifestação era divina, mas não necessariamente Jesus Cristo como o arcanjo Miguel, como interpretado pelos Adventistas do Sétimo Dia.

Embora o nome Yahweh possa ser atribuído às três pessoas da Trindade, no Antigo Testamento é mais apropriado atribuí-lo ao Deus trino, de acordo com os originais:

“Ouve, pois, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”.

Deuteronômio 6:4

Esta passagem enfatiza a unidade e a singularidade de Yahweh como o único Senhor, o que está em conformidade com a compreensão da Trindade como uma só

Reiteramos que, apesar de o nome Yahweh ou Deus se atribui às três pessoas da Trindade, é importante salientar que “O Pai não é o Filho e nem tampouco é o Espírito Santo”. As três pessoas são distintas, embora haja uma só divindade. Portanto, há três pessoas e não três deuses. Há uma só divindade, mas três pessoas divinas e distintas.

Conforme observado pelo Pr. Esequias Soares:

O Credo Niceno inicia-se dizendo: Adoramos um Deus em trindade, e trindade em unidade”. Tanto o Velho Testamento quanto o Novo Testamento revelam a natureza trina e una de Deus. Por exemplo, Deuteronômio 6:4 afirma que Yahweh é único. A palavra “único” no original hebraico é “echad”, que denota uma unidade composta. Isso significa que a doutrina da Trindade permanece de pé, sem contradizer o monoteísmo, pois a unidade divina é composta e não absoluta.

A doutrina da Trindade não foi explicitamente esclarecida no Velho Testamento para evitar confusão com as divindades das religiões politeístas das nações vizinhas de Israel. No entanto, ela está implícita nas Escrituras e só pode ser ensinada explicitamente com o advento da segunda Pessoa, o Senhor Jesus, e com a manifestação do Espírito Santo.

Os Pastores Paulo Romeiro e Natanael Rinaldi compartilham da mesma opinião, destacando:

Há dois vocábulos hebraicos semelhantes que significam “unidade”: yachid e echad. Enquanto yachid denota uma unidade absoluta, echad pode significar uma unidade composta. No caso do Shema, em Deuteronômio 6:4, é utilizado o vocábulo echad, que implica uma unidade composta e não absoluta. Por outro lado, a palavra hebraica que significa unidade absoluta é yachid, encontrada em passagens como Gênesis 22:2, Provérbios 4:3, Jeremias 6:26 e Amós 8:10.

Portanto, afirmar com certeza absoluta que o varão que apareceu a Josué é o Senhor Jesus Cristo, baseando-se apenas nas informações contidas no texto de Josué 5:13-15, parece, pelo menos em princípio, não ser tão convincente.

A interpretação desse episódio requer um estudo mais aprofundado das Escrituras e consideração das diferentes perspectivas teológicas sobre o assunto.

Jesus virá com voz de arcanjo

Jesus virá com voz de arcanjo, então ele é Miguel?

Outro argumento usado pelos dois grupos citados acima é que Jesus é o Arcanjo Miguel pelo fato de na sua volta ele vir com voz de arcanjo, conforme mencionado na Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses, o que eles associam com Judas 9.

O texto de 1 Tessalonicenses 4:16 afirma:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus”.

Por outro lado, em Judas 9, lemos:

“Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda”.

É importante notar que, se considerarmos que Jesus é o Arcanjo Miguel com base em 1 Tessalonicenses 4:16, então, pelo mesmo raciocínio, teríamos que também admitir que ele é um “alarido” ou “uma trombeta de Deus“, já que o texto menciona que ele descerá “com alarido e com a trombeta de Deus”.

No entanto, isso é claramente uma interpretação absurda, pois não faz sentido afirmar que Jesus seja um alarido ou uma trombeta.

Portanto, é evidente que interpretar Jesus como o Arcanjo Miguel com base apenas em sua descida com “voz de arcanjo” não é uma conclusão lógica ou consistente à luz do contexto completo das Escrituras.

Precisamos compreender esses termos simbolicamente, e não como uma identificação literal da natureza de Jesus.

Se Jesus é o arcanjo Miguel, por que ele não repreendeu Satanás?

Na passagem de Judas 9, há algo intrigante com relação ao Arcanjo Miguel. O texto afirma claramente que ele não teve autoridade suficiente para repreender Satanás.

Ora, se Jesus é o Arcanjo Miguel, como alguns sugerem, por que ele, de acordo com Judas 9, não teve autoridade para repreender Satanás, quando, no deserto e em Cesaréia, ele o fez com veemência? (Lucas 4:8; Mateus 16:23).

No entanto, os adventistas tentam refutar esse argumento citando Zacarias 3:2:

“Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreende”

A grande diferença entre este texto de Zacarias e o de Judas é que, neste último, não se afirma que é Jesus quem está repreendendo Satanás, mas sim, o Arcanjo Miguel, cuja identidade como o Senhor Jesus Cristo ainda não foi claramente estabelecida.

No entanto, no livro de Zacarias, o texto é inequivocamente claro ao afirmar: “O SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende” (Zacarias 3:2).

Assim, é evidente que o primeiro SENHOR mencionado no texto de Zacarias é Yahweh; e o segundo também é Yahweh. Isso ressalta a distinção entre Yahweh e o Arcanjo Miguel, sugerindo que eles não são a mesma entidade.

De fato, é interessante notar a formulação do texto em Zacarias 3:2, onde Yahweh está reivindicando sua própria autoridade para repreender Satanás.

D. A. Carson explica:

Parece estranho o próprio Senhor dizer “o Senhor te repreenda”, mas isso pode ser entendido como “Eu, o Senhor, te repreendo”.

No contexto de Zacarias 3, é possível que o ser que repreendeu Satanás tenha sido um anjo enviado pelo Senhor, e não o próprio Senhor. Isso seria consistente com a maneira como Deus frequentemente age por meio de seus mensageiros angelicais.

Portanto, enquanto em Judas 9 o Arcanjo Miguel se refere ao Senhor para repreender Satanás, em Zacarias 3 pode ser um anjo enviado pelo Senhor para realizar essa tarefa. Essa distinção ressalta a dependência dos seres angelicais da autoridade e do poder de Deus.

Jesus é realmente o arcanjo Miguel na bíblia

Diferenças entre Miguel e Jesus

Existem várias diferenças significativas entre Jesus e Miguel, de acordo com pesquisas bíblicas conduzidas por apologistas brasileiros como Natanael Rinaldi, Paulo Romeiro e Esequias Soares:

  1. Jesus é o Criador, enquanto Miguel é uma criatura.
  2. Jesus é Deus, enquanto Miguel é um anjo.
  3. Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, enquanto Miguel é um arcanjo e príncipe do povo de Israel.
  4. Jesus é adorado pelos anjos, enquanto Miguel é apenas um adorador.
  5. Jesus tem autoridade sobre Satanás, enquanto Miguel depende da autoridade de Jesus.

Conclusão

Para encerrar essa questão, gostaríamos de citar parte de um artigo do livro “Desmascarando as Seitas”, dos pastores Paulo Romeiro e Natanael Rinaldi, sob o título: “Jesus Cristo é a mesma pessoa que o arcanjo Miguel?”, onde apresentam uma contradição entre as crenças de C.T. Russel e seus seguidores:

“Miguel ocorre apenas cinco vezes na Bíblia. A gloriosa pessoa espiritual que leva esse nome é mencionada como ‘um dos primeiros príncipes’, ‘o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo’ e como ‘o arcanjo’. ‘Miguel’ significa ‘Quem é semelhante a Deus?’ O nome evidentemente designa Miguel como aquele que toma a dianteira em defender a soberania de Jeová e em destruir os inimigos de Deus.

‘Cristo, qual executor celestial, age contra eles. Portanto, a evidência indica que o Filho de Deus, antes de vir à terra, era conhecido como Miguel, e também é conhecido por esse nome desde que retornou ao céu, onde reside como o glorificado Filho espiritual de Deus’.”

Esse é um ponto crucial que mostra uma mudança significativa no ensino da “Sociedade Torre de Vigia” (STV) em relação à identidade de Jesus e Miguel.

Anteriormente, o “escravo fiel e discreto” C.T. Russell ensinava que Jesus e Miguel eram entidades distintas. Russell afirmava que Jesus era o Senhor de ambos, homens e anjos, incluindo Miguel, o que evidenciava que Miguel não poderia ser Jesus.

Essa visão foi sustentada por algum tempo, pois os anjos adoravam a Jesus, algo que só é permitido a Deus, conforme Êxodo 20:5 e Mateus 4:10.

Portanto, Jesus não poderia ser um anjo. No entanto, para manter essa doutrina viável, a STV teve que revisar sua própria tradução da Bíblia (TNM), substituindo a palavra “adorar” por “prestar homenagem” em referência a Jesus em várias passagens (Mt 8:2; 14:33; 15:25; 28:9, 17; Jo 9:38), a fim de evitar a implicação de que os anjos adoravam Jesus.

Essa mudança mostra uma adaptação do ensino da STV para sustentar sua crença na identidade de Jesus e Miguel, mas também evidencia uma contradição em relação aos ensinamentos anteriores de C.T. Russell.

Equipe Redação BP

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