Livro de Ageu: Lições Preciosíssimas para Ser Contribuinte na obra de Deus

O livro de Ageu traz lições preciosíssimas para os que desejam legitimamente se tornar abundantes contribuintes na obra de Deus. Além disso, mostrar o lado escuro da vida daqueles que insistem em colocar Deus em segundo plano na escala de suas prioridades.

Por mais que se rejeite a ideia de que Deus não aceita o segundo lugar em nossas vidas e que, muitas vezes, a escassez financeira é resultado dessa atitude fria, a mensagem de Ageu nos conscientiza dessa verdade.

Quem foi o profeta Ageu?

Ageu, o profeta desconhecido, é mencionado somente em Esdras 5.1 e 6.14, juntamente com Zacarias e a reconstrução do segundo templo. Esse profeta atuou pouco tempo, talvez quatro meses, no ano 520 a.C., ou seja, no primeiro dia do sexto mês até o 24° do nono mês.

Ele profetizou na época das revoltas, na construção do templo.

O conteúdo do Livro de Ageu

O livro é pouco extenso, contém apenas dois capítulos. Sua narração encontra-se na terceira pessoa e, conforme alguns autores, teve uma redação final na obra do cronista.

A obra possui quatro períodos de redação (1.1; 1.15-21; 2.10) que tratam das festas e comemorações da construção do segundo templo, no dia 24 do nono mês (2.18).

Ela mostra ainda a fundação do templo, o arrependimento do povo e o dia da purificação. Fala de Zorobabel e do sacerdote Josué trabalhando juntos no templo. Período que apresenta grandes dificuldades: a seca e as escassas colheitas paralisam todas as tentativas de reconstrução.

As dificuldades quanto à edificação do templo e à construção da cidade são enormes, piorando a situação dos judaítas e de seus empreendimentos (1.1-15).

Em Ageu 2.1-9, o profeta convoca o sacerdote e o governador a realizarem suas obras, porque Deus, assim como ajudou no exílio, estará ajudará novamente.

Em Ageu 2.10-23, fala-se do governador como uma inspiração messiânica. Zorobabel, o servo eleito de Deus, é descendente de Davi e precursor do Messias.

O final do livro é importante, pois constitui um alerta para o povo:

  • A exortação (1.1-5; 2.10-14);
  • A pobreza (1.6-11; 2.15-17);
  • O retorno (1.12-14; 2.18,19);
  • O Messias prometido (2.1-9; 2.10-13).

O propósito de Ageu ao escrever o Livro

A mensagem do profeta Ageu é uma convocação e um encorajamento ao pequeno grupo de judeus remanescentes que permanecem fiéis e motivados a reconstruírem o templo, as muralhas e a cidade.

As dificuldades econômicas e sociais, políticas e religiosas precisavam ser superadas. A reconstrução do templo anulará, então, a falta de religiosidade.

Os trabalhos farão o povo esquecer a miséria e, assim, o Eterno atuará de novo no meio do povo. Todas as nações derrotadas verão Jerusalém no seu brilho e glória para sempre. O povo terá o seu enviado, o Messias de Davi, e a paz e as mudanças sociais ocorrerão.

Zorobabel é, portanto, o cumpridor dessa promessa (2.7,22; 2.9,20-23).

Tradições sobre a cronologia do profeta Ageu

Há ainda algumas tradições relacionadas ao profeta Ageu que o situam cronologicamente na História. Analisemos então:

  • A primeira afirma que o profeta era de descendência sacerdotal.

Essa interpretação é apoiada por referências a seus interesses cúlticos e a seu conhecimento da técnica sacerdotal (2.11).

  • A segunda assevera que Ageu teria visto o primeiro templo e, por conseguinte, era homem muito velho ao tempo de seu ministério (2.3).

Essa opinião explicaria por que ele não trabalhou por mais tempo.

  • A terceira supõe que Ageu nasceu na Babilônia e era ainda criança ao vir a Jerusalém.

Dessa maneira, Ageu provavelmente testemunhou a crescente apatia durante aquele período e, ao chegar à idade apropriada, o Espírito de Deus operou através dele com o ministério profético.

A Mensagem do livro de Ageu

A mensagem básica do livro de Ageu é:

Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6.33).

Quando o povo tão-somente buscava e se preocupava com os seus próprios interesses, faltava-lhe a bênção de Deus (1.6).

Quando, porém, dedicava-se em satisfazer a vontade de Deus, “… as demais coisas eram-lhe acrescentadas”.

Verdadeiramente, todas as coisas dependem da bênção de Deus:

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.

(SI 127.1).

O Contexto Histórico do Livro de Ageu

As profecias de Ageu datam de 520 a.C., segundo ano do rei Dario (1.1).

O retorno sob a liderança de Zorobabel.

Cerca de cinquenta mil judeus serviram-se da permissão dada por Ciro para retornar a Jerusalém.

Levaram consigo os tesouros que Nabucodonosor havia tirado do templo. Assim que chegaram a Jerusalém, edificaram um altar de holocausto e lançaram os alicerces do novo templo.

Momentos de desânimo.

Logo, o entusiasmo transformou-se em desânimo. O relacionamento com aqueles que haviam ocupado a terra foi de muita tensão. Especialmente difícil foi a hostilidade dos samaritanos. Além disso, vieram anos de colheitas escassas e tempos de carestia. A inflação daqueles dias pode ser sentida nas palavras do profeta:

Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.

Ageu 1:6

A construção retomada.

Graças ao ministério do profeta Ageu e Zacarias, a construção do templo foi retomada. E, no ano 516 a.C., exatamente setenta anos após a destruição do templo em 586 a.C., o novo templo, conhecido como templo de Zorobabel, foi terminado. Todavia, este templo nem de longe era comparável ao grandioso templo de Salomão em termos de suntuosidade.

É importante notar que Ageu trabalha parcialmente com Zacarias, sendo que este último começou o seu ministério no oitavo mês do ano 520 a.C., um mês antes dos dois últimos oráculos de Ageu.

As quatro Mensagens do profeta Ageu

Ageu, como já dissemos, teve um desempenho importante, estimulando o povo a concluir a construção do templo.

O Livro de Ageu contém quatro mensagens que ele entregou em diferentes ocasiões.

1. A primeira mensagem (1.1 -2.1).

Foi proferida durante a Festa da Lua Nova, no ano 520 a.C. O profeta mostrou ao povo que as necessidades materiais que o afligiam eram resultado direto de eles terem, fria e apaticamente,
abandonado a edificação do templo.

O povo e os seus líderes demoraram 24 dias para aceitar a mensagem do profeta e recomeçar a reconstrução do templo.

2. A segunda mensagem (2.2-9).

Foi proferida durante a Festa dos Tabernáculos, quando muita gente havia se reunido em Jerusalém. O entusiasmo do povo tinha se arrefecido, e o profeta os estimulava a continuar, sem se deixar abater
pelo fato de a glória do novo templo parecer-lhes menor que a do primeiro.

3. A terceira mensagem (2.10-19).

Ageu, na terceira oportunidade que Deus o impeliu a falar com o povo, mostrou aos hebreus como a bênção do Senhor estava sobre eles, uma vez que retornaram à edificação do templo. Essa bênção não seria apenas espiritual, mas também material.

4. A quarta mensagem (2.20-23).

Trata-se de uma promessa especial a Zorobabel de que seria conservado em segurança, apesar das perturbações que assolavam o Império Persa.

A referência ao “anel de selar”, no versículo 23, provavelmente é uma reminiscência das palavras que Jeremias pronunciara acerca da sorte do avô de Zorobabel, Joaquim, em Jeremias 22.24.

A Contemporaneidade da Mensagem de Ageu

Na verdade, há muito para se aprender hoje com as mensagens do profeta Ageu. Pois, à semelhança do povo de Israel, a igreja tem passado pelas mesmas experiências dolorosas, frustrantes, por deliberadamente alguns cristãos colocarem Deus em segundo plano em suas vidas.

Observemos então, com cuidado, o teor da mensagem do profeta Ageu.

O perigo de colocar Deus em lugar secundário em nossas vidas.

Atualmente, colocar corretamente as obrigações em ordem de prioridades tem sido um dos
grandes problemas enfrentados por muitas pessoas.

Alguns, mesmo certos de suas responsabilidades e das necessidades da Casa de Deus, acham sempre uma desculpa para comprar algo de suma importância, porém o Senhor acaba ficando para depois.

Essa atitude cômoda nos coloca numa posição melindrosa no que diz respeito à nossa própria manutenção. Deus nos avisa que não aceita o segundo lugar e retém, por isso, as bênçãos materiais (Ageu 1.9).

O perigo de deixar para amanhã o que é para fazer hoje (Ageu 1.2).

Às vezes queremos dar uma “pequena ajuda” a Deus, fazendo com que Ele e os seus ministros nos enxergue.

Todavia, isso não é permitido nem mesmo aos ministros. Quando Deus determina algo para fazermos, ou fazemos com toda a fidelidade e sinceridade ou trazemos sérios prejuízos para a obra de Deus.

Deus não precisa absolutamente dos nossos “empurrõezinhos”. Ele não precisa de um momento mais adequado para fazer a sua obra.

Ele a realiza mesmo em meio às tempestades, ao fogo, à guerra, às catástrofes, à ruína etc. Por isso, que possamos reagir positivamente à sua Palavra, sem questionar, a fim de que ela flua através de nós.

O perigo de desistir e desanimar diante dos desafios exigidos pela obra.

Há alguns falsos dizimistas que, na verdade, não querem ajudar a obra de Deus por causa da avareza que os domina.

Eles se defendem dessa acusação com os argumentos mais vulneráveis possíveis, revelando-se os mais mesquinhos dos contribuintes.

Devemos compreender que a prática de contribuir é, essencialmente, um ato de fé, amor e gratidão. Por isso, Ageu, sob a inspiração divina, declara:

E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos. Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.

Ageu 2:7-8.

As bênçãos que acompanham aqueles que põe Deus em último lugar

mensagem do profeta ageu

Israel, após ouvir a mensagem de Ageu, levou ainda 24 dias para tomar uma decisão com relação ao templo de Deus. Tomada a decisão correta, lançaram mais uma vez a pedra fundamental (Ageu 2.18,19).

Os dias de Ageu assemelham-se muito aos nossos: muita inflação, juros altos, pouco dinheiro, retorno quase que nenhum para o trabalhador.

Contudo, a Bíblia diz que, a despeito de estarmos passando necessidades, devemos seguir os princípios divinos.

Segundo Eclesiastes 11.1-6, devemos investir, avançar, mesmo em meio a ventos contrários. O Pregador nos dá vários conselhos práticos com os quais podemos levar vantagem em tempo de crise. Vejamos, então:

  • Deve-se investir em vários flancos porque nunca se sabe de onde virá a resposta positiva (v. 1).
  • Não se pode esperar que a situação mude para se fazer algum investimento porque nós é que devemos mudar o caos a partir do nosso mover histórico (v. 3).
  • Não se pode olhar para as circunstâncias contrárias (v. 3b). Há que se ter “visão distante”, tal como o salmista disse: “… Na tua luz, eu vejo a luz”.
  • É preciso coragem e determinação para seguir crendo nos sinais e princípios divinos e aceitar a forma de Deus, mesmo que seja extremamente paradoxal, pois Ele é imprevisível.
  • O melhor a fazer é valorizar o investimento e ter várias frentes na obra de Deus (v. 6), pois no tempo certo colheremos.

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