Salmo 3: Versículo por Versículo Comentado e Explicado

Neste estudo do Salmo 3, vamos explorar o seu profundo significado de maneira detalhada. Versículo por versículo, com comentários e explicações deste salmo, revelando sua mensagem atemporal de confiança em meio à adversidade.

Sobre o que é o Salmo 3?

Este salmo descreve a fuga de Davi do palácio, atravessando o ribeiro de Cedrom para escapar da fúria de seu filho Absalão. Enquanto o cenário histórico é específico, a mensagem é universal: confiança em Deus nas piores circunstâncias.

Que Tipo de Salmo é Este?

O Salmo 3 é um salmo de confiança e lamentação. Davi expressa sua angústia enquanto confia na proteção divina. É um lembrete de que Deus é nosso refúgio em tempos de aflição.

Quem Escreveu o Salmo 3?

Davi, rei de Israel e notório salmista, é o autor desse salmo. Escrito durante um dos momentos mais desafiadores de sua vida, reflete suas emoções intensas e fé inabalável.

Contexto do Salmo 3

Davi compôs este salmo após escapar de Jerusalém quando seu filho Absalão usurpou o trono (2 Samuel 15-18). Nesse momento, tanto o rei quanto sua corte refugiaram-se acampando em Maanaim, após atravessar o rio Jordão.

É notável que este seja um salmo matinal (versículo 5), enquanto o Salmo 4, criado no mesmo contexto, é uma contraparte vespertina (4:8). Há também a possibilidade de que o Salmo 5, juntamente com os Salmos 42, 43, 61, 62, 63 e 143, tenham origem neste período (indicado por 5:3, 8-10). Esses Salmos compartilham um contexto histórico similar, revelando a profunda conexão entre as experiências pessoais de Davi e suas expressões espirituais.

Davi enfrentou a revolta de Absalão, seu próprio filho. A fuga noturna e angustiante de Davi espelha a experiência de Jesus no Getsêmani, destacando a semelhança entre Davi e Cristo.

Qual a Divisão Deste Salmo?

Podemos dividir o Salmo 3 em três partes. Isso é comum nos Salmos, onde várias ideias se entrelaçam. A unidade está na mensagem geral, mas as partes funcionam como flechas em uma aljava.

Wiersbe, no seu comentário expositivo, sugere a seguinte divisão:

1. Conflito: Ele Reconhece Suas Dificuldades (Sl 3:1, 2)

2. Certeza: Ele Afirma Sua Confiança no Senhor (Sl 3:3, 4)

3. Celebração: Ele Antevê a Vitória (Sl 3:5-8)

Qual é a Mensagem do Salmo 3?

Confiança em Deus mesmo nas piores circunstâncias. Apesar das dificuldades, Davi confia em Deus como seu escudo e libertador. Mesmo em meio à oposição, sua confiança permanece inabalável.

O Salmo 3 nos serve como um poderoso lembrete de que até mesmo um homem segundo o coração de Deus, como Davi, enfrentou medo, ansiedade e desafios nos seus relacionamentos. A perfeição não era uma característica dele, no entanto, sua conduta nos momentos de adversidade destaca-se. Observamos que, quando confrontado com problemas, Davi se dirigia a Deus com fervor. Essa atitude reverbera ao longo da Bíblia, moldando os eventos que se sucedem.

A mensagem para nós é: Devemos confiar em Deus em todas as circunstâncias.

Salmo 3: Comentário Versículo por Versículo

Salmo 3 Comentário

1 # “SENHOR, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.

O pai aflito, com o coração despedaçado, reclama diante de uma multidão de inimigos. No livro de 2 Samuel 15:12, vemos que “a conspiração estava se fortalecendo, e o povo vinha aumentando com Absalão”, enquanto as tropas de Davi diminuíam constantemente.

“Senhor, quantos são meus adversários?” – uma exclamação de espanto perante a dor que deixou o pai fugitivo pasmado. Infelizmente, não vislumbro o fim da minha desgraça, pois as dificuldades crescem. Já eram suficientes para me derrubar desde o início, mas agora, meus inimigos se multiplicam. Com a rebelião de Absalão, meu querido filho, meu coração está partido. Aitofel me abandonou, meus conselheiros fiéis voltaram as costas e meus generais com seus soldados desertaram.

“Quantos são meus adversários?” As dificuldades chegam em profusão, os problemas têm uma família numerosa. “São muitos os que se levantam contra mim.” Seus exércitos superam em muito os meus, suas multidões são incontáveis. – Comentário de Spurgeon

2 # “Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus.” (Selá)

“Quando o crente questiona o poder de Deus ou Seu interesse pelo poder, a alegria jorra como sangue de veia perfurada. Esse versículo é verdadeiramente uma punhalada ferina.” — William Gurnall

“O filho de Deus fica apreensivo só de imaginar perder a esperança na ajuda de Deus. Você não o aborrece tanto quanto tenta persuadi-lo: “Ele não encontrará salvação em Deus”. Da mesma forma que Davi se aproximou de Deus para relatar o que seus inimigos diziam a seu respeito, como fez Ezequias ao apresentar a carta blasfema de Rabsaqué ao Senhor. Dizem: “Ele não encontrará salvação em Ti”. Mas, Senhor, se for assim, estou perdido. Dizem à minha alma: “Ele não encontrará salvação em Deus”. Mas Senhor, Tu sussurras à minha alma: “Eu sou a tua salvação” (Salmo 35.3), e isto me sacia, silenciando-os no momento certo.” — Matthew Henry

3 # “Mas tu, SENHOR, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

Davi confessa sua confiança em Deus: “Tu, Senhor, és um escudo para mim”. No original, a palavra significa mais que escudo – é um broquel, proteção circular que envolve inteiramente o homem, acima, abaixo, em volta e dentro. Deus, o escudo do povo, refreia dardos de Satanás abaixo e tempestades de provações acima, acalmando tempestades interiores.

“Tu és minha glória”, apesar do desprezo, Davi vê triunfo vindouro por Deus. “O que exalta minha cabeça”, Deus elevará Davi. Em meio à tristeza, Deus trará alegria e ação de graças. O versículo é uma trindade divina de misericórdia: defesa, glória e alegria. “Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus” (Dt 33.26). – Spurgeon

4 # “Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu monte santo.” (Selá)

“Ele ouviu-me.” Já ouvi pessoas dizerem em oração: “Tu és o Deus que ouve as orações, o Deus que responde às orações.” No entanto, esta expressão é redundante, pois, de acordo com a Bíblia, quando Deus ouve, Ele já está respondendo.” — C. H. S.

5 # “Eu me deitei e dormi; acordei, porque o SENHOR me sustentou.

“Não seria improdutivo fazer algumas considerações sobre o poder sustentador manifestado em nós durante o sono. O fluxo sanguíneo, a expansão e contração dos pulmões, entre outros processos, continuam mesmo quando a ameaça da morte parece próxima.” — C. H. Spurgeon.

6 # “Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.

“Independentemente da natureza de nossos opositores, sejam inúmeros como legiões, poderosos como principados, astutos como serpentes, cruéis como dragões, ou malignos como a maldade espiritual, sua vantagem é superada. Eles podem ser o príncipe dos ares, mas quem está em nós é mais forte. Nada nos separa do amor de Deus. Em Cristo Jesus, seremos mais que vencedores. – William Cowper, 1612.”

7 # “Levanta-te, SENHOR; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.

“Levanta-te, Senhor”: Esse é um modo comum na Bíblia de invocar Deus para manifestar sua presença e poder, seja em ira ou favor. Por meio de um antropomorfismo, descreve-se os intervalos dessas manifestações como momentos de inação ou soneca, dos quais clamamos por Seu despertar.

“Salva-me”: Até de mim mesmo, pois afirmam que em Deus não há ajuda. “Salva-me, meu Deus”: Aquele que é meu por aliança e compromisso, de quem busco libertação e proteção. Essa confiança é respaldada pela experiência.

“Pois feriste meus inimigos”: Em outras situações de emergência, nos maxilares, um ato simultaneamente violento e insultante. — Joseph Addison Alexander, Teólogo.

8 # “A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção.” (Selá)

Os santos não são abençoados apenas quando compreensivos, mas também como viajantes. São abençoados antes de serem coroados. Isto pode parecer um paradoxo para a carne e o sangue: aquele repreendido e difamado é, ainda assim, abençoado!

Aquele que olha para os filhos de Deus com olhos carnais e vê suas aflições, como o barco no Evangelho de Mateus, pensaria que eles estavam longe de serem abençoados. Paulo lista detalhadamente seus sofrimentos, mencionando ter sido açoitado com varas, apedrejado e naufragado (ver 2 Coríntios 11:24-26).

Esses cristãos de primeira grandeza, dos quais o mundo não era digno, “experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos à fio da espada” (Hebreus 11:36,37).

E todos eles foram abençoados durante seus sofrimentos? Apesar do que a lógica humana poderia ditar, nosso Salvador Cristo declarou bem-aventurado o homem espiritual. Mesmo em tristeza, mesmo como mártir, ainda assim abençoado. no monte de esterco ainda era o abençoado Jó. Os santos são abençoados mesmo quando amaldiçoados. Simei amaldiçoou Davi: “E, saindo, ia amaldiçoando” (2 Samuel 16:5).

Mesmo quando Simei amaldiçoava, Davi era o abençoado Davi. Os santos são abençoados mesmo quando feridos. Eles não apenas serão abençoados, eles são abençoados. “Bem-aventurados os que trilham caminhos retos” (Salmo 119:1). “Sobre o teu povo seja a tua bênção” (Salmo 3:8). — Thomas Watson

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