6 cuidados ao assistir filmes sobre Jesus

Por que um cristão evitaria assistir programas sobre Jesus? Afinal, Ele é o herói de nossas vidas, e os amantes do cinema têm uma predileção por histórias de heróis. No entanto, nem todos os filmes centrados em Jesus são fiéis à verdade; alguns começam com fatos verídicos e, em seguida, desdobram-nos, incorporando palavras e cenas imaginárias à vida de Jesus. Então, há razões válidas para ser cauteloso ao escolher assistir a um filme sobre Jesus.

Alguns retratos recentes de nosso Salvador têm sido notáveis, sem mencionar certos programas de televisão. Algumas produções têm atenção especial de comunidades não-cristãs, como “A Paixão”, “Ressuscitado” e “Os Escolhidos (The Chosen)”.

Cada uma dessas obras cinematográficas apresenta uma mistura de verdade bíblica e imaginação habilmente elaborada por escritores talentosos. Elas ajudam o público a visualizar cenas que talvez não tenham sido concebidas por si mesmas ou que nunca desejaram imaginar.

Contudo, é crucial lembrar que esses filmes não são factualmente precisos em todos os aspectos, uma vez que aqueles que os conceberam, dirigiram e produziram são meros humanos.

Eles utilizaram seus talentos para alcançar o maior público possível com a mensagem do evangelho através do meio cinematográfico. Muitos testemunhos circularam de pessoas que se converteram a Cristo após assistir a esses filmes.

No entanto, tanto os espectadores cristãos quanto os não-cristãos devem exercer discernimento ao abordar essas produções.

Embora possa parecer óbvio, cineastas e escritores habilidosos conseguem dar vida às suas narrativas de maneira tão envolvente que podemos esquecer que se trata de ficção, especialmente quando elementos históricos adicionados tornam os personagens e eventos plausíveis e tridimensionais o suficiente para se tornarem impactantes.

Filmes sobre Jesus não são, em si, negativos. Como em todas as coisas, é necessário considerar o que se espera de um filme e quem é o público-alvo.

Aqui estão seis motivos para exercer discernimento, independentemente de estar assistindo a um filme para entretenimento pessoal ou como uma ferramenta para apresentar Jesus a amigos não-crentes.

1. Verdade ou Ficção?

O termo “ficção histórica” ​​denota um tipo de narrativa que utiliza um contexto histórico, muitas vezes incorporando personagens reais da época, mas desenvolve uma trama fictícia ao redor deles.

Um exemplo notável desse gênero é o filme “Ressuscitado”, estrelado por Joseph Fiennes e Tom Felton, onde um tribuno romano é encarregado de localizar o corpo de Jesus após o túmulo ser encontrado vazio.

As Escrituras registram que os soldados romanos receberam instruções a “dizer às pessoas: ‘Seus discípulos trouxeram de noite e os roubaram enquanto dormiam'” (Mateus 28:13).

É possível que Pôncio Pilatos também tenha enviado soldados para procurar o corpo de Jesus. Os criadores deste filme planejaram abordar a ascensão de uma maneira singular.

Apesar de podermos ficar intrigados e envolvidos pela ideia apresentada, é vital lembrar que os eventos retratados no filme não têm base histórica ou factual; eles são fictícios, embora cuidadosamente elaborados.

“Ressuscitado” explora a pergunta: “Como um soldado cético poderia passar a acreditar no Cristo ressuscitado? E como isso afetaria sua identidade como tribuno romano em uma cultura onde César é o Senhor?”

Os roteiristas relataram para a história bíblica real para atender aos propósitos do enredo ou limitar uma série por várias temporadas, inserindo cenas não mencionadas nos evangelhos.

A mensagem se comunica de maneira mais eficaz no filme através de estratégias visuais. Nem tudo em um livro, incluindo os evangelhos, se traduz perfeitamente para a tela, levando os roteiristas a adicionar ou subtrair elementos para adaptar a história ao formato visual.

2. Criando Mais Heróis

A linguagem utilizada na Bíblia desempenha um papel crucial na compreensão de Sua história, Seus propósitos e Seu caráter. As próprias palavras contidas nessas páginas são fundamentais para nossa compreensão, e também aprender com o que o Senhor optou por deixar de fora.

Quando alguém transforma a Bíblia em uma série, como é o caso de “The Chosen”, os escritores se veem compelidos a ler entre as linhas e os detalhes imaginários não explicitamente registrados, como as histórias de fundo dos apóstolos e de Maria. Isso se torna uma estratégia para ampliar o tempo de transmissão do material.

Em “The Chosen”, a expectativa é que nos identifiquemos, até certo ponto, com os apóstolos. Simão, Pedro e João são retratados como pessoas comuns, que provavelmente tinham suas imperfeições, se entregaram a comportamentos questionáveis ​​e enfrentaram questões mundanas, como dinheiro. Mateus foi rejeitado – sempre existe alguém que conhece a experiência de ser um pária.

Entretanto, como João Batista afirmou: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). O apóstolo João acrescentou: “Aquele que vem do alto está acima de todos” (João 3:31). A transformação de Maria e seus retrocessos nos fazem torcer por ela, pois regularamos a luta de tentar superar nossos pecados em meio às adversidades.

Na realidade, sabemos relativamente pouco sobre os apóstolos ou sobre Maria, pois a história central não é sobre eles. Os quatro evangelhos são uma narrativa do ministério de Jesus.

Através das interações de Jesus com as pessoas, aprendemos não apenas sobre nossa Salvador, mas também sobre nós mesmos. Por exemplo, suas discussões podem inicialmente nos chocar, mas, posteriormente, devemos refletir: “Será que eu agiria de maneira diferente?”

Além disso, à medida que nos conectamos com esses personagens na tela, há o risco de nos apegarmos demais a eles, tornando-nos fãs dos personagens fictícios e, por vezes, negligenciando a história real.

3. Mapeando o Impacto Emocional

Hannah Le Cras destaca um risco exposto ao nos conectarmos mais profundamente com a representação cinematográfica de Jesus do que com a Palavra de Deus. Segundo ela:

“Nossos sentidos físicos facilitam muito mais uma resposta emocional a uma representação de Jesus na tela. Extrair uma resposta semelhante às palavras escritas das Escrituras é significativamente mais exigente. Isso sugere que podemos ter uma resposta mais intensa à representação audiovisual de Jesus feita por alguém fazer que ao Jesus apresentado na Bíblia.”

Esse dilema é significativo: a tentativa de assistir em vez de ler pode se tornar real, embora Deus nos encoraje a ler a Bíblia. Como declarado em Hebreus 4:12:

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de duas gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e quero o coração.”

Será possível conciliar as duas abordagens? A resposta a essa pergunta é pessoal. Aqueles que possuem um conhecimento bíblico sólido, que dedicam tempo diário à leitura das Escrituras e não substituem o estudo bíblico por uma análise detalhada do cinema relacionado à Bíblia estão em uma posição favorável para discernir entre o que é edificante e o que é prejudicial.

Entretanto, surge um problema quando muitos optam por consumir conteúdo desafiador de forma visual ou auditiva, enquanto realizam outras atividades, como tricotar ou montar um quebra-cabeça.

Portanto, nesse caso, eles não podem estar experimentando completamente o impacto que Deus deseja transmitir por meio das Escrituras.

4. Moldando Ideias sobre Cristo

Quando características da personalidade e ações de Cristo são omitidas ou adicionadas devido à natureza da produção cinematográfica, é essencial ter cautela ao comparar com as Escrituras. Caso contrário, existe o risco de formar ideias incorretas e, possivelmente, blasfemas sobre o nosso Salvador.

Brett McCracken alertou sobre o poder único e visceral da narrativa no cinema e na televisão, ressaltando sua capacidade de moldar a opinião pública e a moralidade pessoal. Ele observa que quanto mais expostos a certos comportamentos, palavras e perspectivas nas telas, mais esses elementos se tornam próximos e aceitáveis.

O filme “A Última Tentação de Cristo” é um exemplo disso. Essa narrativa distorce o caráter de Jesus ao sugerir que, mesmo que Ele não cedeu à tentação, Sua mente cometeria o pecado.

Embora alguns argumentos que apenas pensar em algo pecaminoso não é, por si só, um pecado, Cristo afirmou:

“Porque do coração vêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos, as calúnias . São estes os que contaminam o homem”.

Mateus 15:19-20

Se Cristo tivesse pensamentos impuros, então Seu coração se contaminaria pelo pecado. Jesus era puro.

“Mas eu vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção lasciva já cometeu adultério com ela em seu coração”.

Mateus 5:28

Deus transcende os comportamentos externos, alcançando o coração de uma pessoa.

Qualquer representação de Jesus Cristo na qual Ele faça ou pense algo pecaminoso é uma reserva do verdadeiro Jesus. O fato de um filme ser sobre Jesus não garante que seu objetivo é para glorificar a Deus. A cautela é fundamental ao avaliar essas representações.

5. Aprendendo sobre Jesus

O que motiva alguém a assistir a um filme sobre Jesus? Se a resposta para “aprender sobre Jesus”, então surge um desafio. Os filmes não foram elaborados para serem instrumentos educativos sobre Jesus. A perda pode se infiltrar.

Um filme sobre Jesus pode, no entanto, ser uma ferramenta legítima para tornar temas bíblicos acessíveis e interessantes. Muitas pessoas que não têm cobertura com a leitura podem encontrar nos filmes uma forma de entretenimento que não exige um grande esforço mental. Da mesma forma, uma curiosidade pode se despertar e questionamentos importantes podem surgir.

“’Devo assistir a isso?’ é uma pergunta válida e madura para o espectador cristão”, enfatiza Brett McCracken.

Apesar de um espectador talvez desenvolver um novo interesse pela vida de Jesus depois de assistir a um filme, é crucial considerar que os filmes têm uma “capacidade incomparável de incrustar imagens e ideias profundamente dentro de nós – para o bem ou para o mal”.

Nenhum filme sobre Jesus será perfeito, pois, como destaca Le Cras:

“Bíblia é o único lugar totalmente confiável onde podemos ir para encontrar o verdadeiro Jesus”.

Não podemos depositar confiança em nenhum outro meio.

A Bíblia é uma autoridade inquestionável sobre a vida de Cristo, mas seria legalista afirmar que ninguém deveria assistir a esses filmes ou ler esses livros, mesmo que um indivíduo dedique tempo diariamente à Palavra?

Uma representação de Jesus interagindo com multidões e realizando curas, como em “The Chosen”, pode nos ajudar a nos conectar mais intimamente com nosso Salvador como uma figura real que caminhou nesta terra.

McCacken ressalta que Jesus “ouviu e teve empatia pelas pessoas”, e embora isso não seja observável na realidade, uma produção televisiva ou cinematográfica que explora a verdadeira vida cotidiana de Cristo pode aprimorar nossa compreensão, desde que nos lembremos de que as representações de Jesus Devemos nos conduzir de volta à Bíblia. “Sim, há o risco de darmos demasiada importância às nossas escolhas de entretenimento. No entanto, o maior risco – para o estado de nossas almas e para nosso testemunho no mundo – é menosprezar isso.”

6. Remindo o Tempo

Por último, ao considerarmos a experiência de assistir filmes sobre Jesus, é crucial abraçar o princípio bíblico de “remir o tempo” (Efésios 5:16). Pois assim, não apenas confirmamos a importância de usar sabiamente o nosso tempo, mas também nos comprometemos a discernir o valor espiritual de cada escolha de entretenimento.

Ao assistir representações cinematográficas de Jesus, devemos abordar a experiência com uma mentalidade cautelosa. Entendemos que, embora essas produções possam oferecer uma perspectiva visual e emocionalmente envolvente, a verdade última sobre Jesus reside na Palavra de Deus.

É importante que essas representações não substituam, mas complementem e direcionem de volta à autoridade inquestionável das Escrituras.

Além disso, ao remir o tempo, cultivamos um equilíbrio saudável entre entretenimento e instrução espiritual. É fácil perder de vista o propósito inicial de aprender sobre Jesus quando a experiência de entretenimento se torna predominante.

Portanto, a escolha de assistir a filmes sobre Jesus deve ser guiada por uma busca genuína de conhecimento e não apenas por um desejo de entretenimento superficial. Isso envolve a capacidade de discernir entre representações precisas e distorcidas, sempre comparando o que é apresentado na tela com o que está devidamente estabelecido nas Escrituras.

Equipe Redação BP

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