Dom de variedade de Línguas

O dom de variedade de línguas é a habilidade de falar uma língua que o próprio falante não entende, para fins de louvor, oração ou transmissão de uma mensagem divina.

O fenômeno pentecostal do falar em línguas estranhas tem dois aspectos.

O primeiro é o falar línguas estranhas como evidência do batismo com o Espírito Santo.

O segundo é o dom de variedade de línguas.

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EVIDÊNCIA DO BATISMO COM ESPÍRITO SANTO

Os discípulos só entenderam que o revestimento de poder houvera sido enviado no Dia de Pentecostes, quando foram envolvidos no mover do Espírito Santo, com evidências exteriores e perceptíveis, que marcavam a nova fase na História da Igreja do Senhor Jesus.

Os “cessassionistas”, que ensinam que os dons espirituais foram apenas para o período dos apóstolos afirmam que o batismo com o Espírito Santo é a própria salvação.

Respeitamos os irmãos de outras denominações que creem assim, mas
discordamos dessa teologia “cessassionista” por não se harmonizar com o que o Novo Testamento ensina sobre o batismo com o Espírito Santo.

A Igreja de Jesus, hoje, mais do que nunca, precisa do revestimento de poder do Espírito Santo e da manifestação dos dons espirituais.

Em suas últimas instruções, antes da Ascensão, Jesus disse aos discípulos (que já eram salvos), que eles receberiam um novo batismo:

“Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

Note-se que o verbo “ser” está no futuro: “sereis”.

Eles sentiram que foram “cheios do Espírito Santo”, quando falaram línguas estranhas:

“E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Nesse aspecto, as línguas não precisam de interpretação.

O crente pode falar só com Deus (1 Co 14.2-28).

E, é dado a todos quantos buscarem o batismo com o Espírito Santo.

O MOVIMENTO PENTECOSTAL

O movimento pentecostal não é propriamente moderno.

Ao longo da História da Igreja, Deus levantou crentes fiéis, que desejavam ver a igreja local movida pelo poder de Deus.

Em 1834, um ministro presbiteriano, Edward Irving encorajava o falar em línguas em sua denominação.

Numa colônia de mórmons, de Nauvoo, Illinois, em 1855, os crentes criam “no dom de línguas, profecia, revelação, visões, cura, interpretação de línguas.

MOODY

Em 1873, nas campanhas de Deight L. Moody, ele encontrou grande avivamento, na Associação Cristã de Moços.

Robert Boyd declarou: “encontrei a reunião em fogo. Os jovens estavam falando em línguas e profetizando.

Que significaria isso? Somente que Moody pregara para eles naquela tarde.

Em 1875, houve batismos com o Espírito Santo, em Providence, Rhode Island.

O pastor R. B. Swan declarou:

“No ano de 1875, nosso Senhor começou a derramar sobre nós de seu Espírito; minha esposa, eu e alguns poucos outros começamos a proferir algumas poucas palavras na língua desconhecida”.

Os que resolveram examinar a Bíblia sem preconceito teológico
descobriram que o batismo com o Espírito Santo, com evidência de
línguas estranhas, não foi só para o período apostólico.

CHARLES PARHAM

No ano de 1900, o jovem obreiro metodista, Charles E Parham entendeu que
seu ministério precisava de algo novo.

E, reunindo algumas pessoas, começou a pesquisar o livro de Atos dos Apóstolos.

E descobriu que o batismo com o Espírito Santo era o que faltava para experimentar o avivamento.

Alugou um casarão não concluído, em Topeka, Estados de Arkansas, EUA, e transformou num lugar de oração e busca pelo poder de Deus.

Foram tantas as pessoas batizadas com o Espírito Santo, com línguas estranhas, que o movimento inusitado começou a espalhar-se.

Em alguns lugares, teve ferrenha oposição.

Em outros, foi bem aceito como algo que faltava ao evangelismo americano.

Pessoas foram curadas milagrosamente, outras receberam dons do Espírito Santo.

Num culto, um índio Pawnee entendeu a mensagem que uma irmã entregava em sua língua.

SEYMOUR

Depois, Parham levou a mensagem pentecostal para Houston, Texas.

Ali, entrou em cena W. J. Seymour, que, recebendo a mensagem, levou-a para Los Angeles, Califórnia.

Ali, sofreu o mesmo que Parham. Aceitação e rejeição ferrenha.

Mas em 9 de abril de 1906, as pessoas foram batizadas com o Espírito Santo.

O local de reunião ficou pequeno, e ele se mudou com o grupo de crentes para a Rua Azusa, 312, que se tornou lugar histórico para o movimento
pentecostal moderno.

Espalhou-se pelo mundo e chegou ao Brasil em 1911, com os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, que se fixaram em Belém do Pará, onde as mesmas características do Pentecostes tiveram lugar.

As pessoas falavam em línguas estranhas, e recebiam dons espirituais, sob a unção do Espírito Santo.

O DOM DE VARIEDADE DE LÍNGUAS

Difere das línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo.

Não é um dom dado a todos os que quiserem.

Assim como os outros dons, é dado “a cada um” como o Espírito quer (1 Co 12.11,30).

Também não é uma capacidade aprendida humanamente.

Diz Carlson: “Falar em línguas é expressar-se com palavras que nunca aprendemos, mas que nos são comunicadas diretamente pelo Espírito
Santo
.

Não se manifesta através de palavras pensadas de antemão ou vocalizadas pela pessoa que fala”… “As línguas constituem um milagre vocal e não um milagre mental.

A mente se faz espectadora, e os ouvidos a atendem…”.

A FINALIDADE DO DOM DE VARIEDADE DE LÍNGUAS

Com base na Palavra de Deus, podemos dizer que o dom de variedade de línguas tem finalidades múltiplas:

1) Edificação da igreja

Como vimos, os dons não são dados para promoção pessoal de quem os possui.

Todas as manifestações espirituais, concedidas pelo Espírito Santo, são para a edificação no seio da igreja cristã.

Paulo diz que todos os dons devem contribuir para a edificação da igreja:

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26).

Essa exortação tem caráter atualizadíssimo para os dias presentes.

Desse modo, uma finalidade fundamental do dom de variedade de línguas é transmitir à Igreja uma mensagem em línguas, e, por isso, precisa de interpretação para que aquela seja edificada.

Essa interpretação é feita pelo dom de interpretação de línguas.

Trata-se de um milagre, pois quem fala as línguas bem como quem as interpreta não as conhece.

Trata-se de uma língua verdadeira, seja de homens ou de anjos (1 Co 13.1), conforme o Espírito Santo concede que se fale (At 2.4).

2) Edificação pessoal

A variedade de línguas pode ser útil para a edificação pessoal.

Paulo ensina sobre isso de maneira bem clara:

“O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja” (1 Co 14.4).

No caso de o crente falar línguas, para sua edificação pessoal, não há necessidade de interpretação.

“Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus” (1 Co 14.28).

É um dom valioso para a edificação pessoal.

O crente, cheio do Espírito Santo e edificado por Deus, pode ser usado nas reuniões para a edificação da igreja, através do dom de interpretação de línguas.

Daí, a necessidade da busca pelo dom de interpretação:

“Assim, também vós, como desejais dons espirituais, procurai sobejar neles, para a edificação da igreja. Pelo que, o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar” (1 Co 14.12,13).

Dessa forma, fica bem claro que o dom de variedade de línguas pode servir para a edificação da igreja, desde que haja interpretação sobrenatural, concedida pelo Espírito Santo.

3) Glorificação a Deus

O livro de Atos dos Apóstolos registra o episódio da ida de Paulo à casa do centurião Cornélio, por revelação do Espírito Santo (At 10.3-8; 18-20).

Os judeus tradicionais que se encontravam ali ficaram maravilhados, pois ouviam as pessoas falando línguas estranhas em adoração a Deus.

Na descida do Espírito Santo, no Dia de Pentecostes, as pessoas de diversas nações, ali presentes, ouviam os apóstolos, após o batismo com o Espírito Santo, “falar das grandezas de Deus” (At 2.11).

Nada mais natural, essa finalidade, pois Jesus disse que enviaria o Espírito Santo com a missão de anunciar a Cristo, e glorificar ao Senhor:

“Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14).

Se um dom não glorifica a Cristo, em sua manifestação, não deve ser considerado proveniente do Espírito Santo.

4) Comunicação sobrenatural da parte de Deus

Gordon Chown relata o caso, ocorrido em 1906, de uma jovem suíça, da área de fala alemã, chamada Maria Gerber, que foi para os Estados Unidos, para estudar num Instituto Bíblico.

Seu irmão foi esperá-la, no porto, e, de imediato convidou-a para ir orar por um amigo doente.

Ela se recusou de pronto, dizendo que não faria nada no país, antes de aprender a falar inglês.

O irmão deixou-a em casa, e foi fazer a visita sozinho.

Mas o Espírito de Deus inquietou a jovem Maria, fazendo-a sentir que não consultara a vontade de Deus.

Ela de imediato, saiu pelas ruas, com o endereço que fora dado pelo
irmão, e, sem saber uma palavra em inglês, perguntava aos guardas como chegar lá.

Foi muito difícil, mas conseguiu chegar à casa do doente, onde seu irmão já estava.

E começou a orar em alemão pelo enfermo para que Jesus o curasse. Porém, o sobrenatural aconteceu.

Ela foi tomada pelo Espírito Santo, e começou a orar em inglês perfeito,
e o doente foi curado de imediato.

Não só isso, mas Maria recebeu o dom de variedade de línguas, e passou a falar inglês fluentemente, realizando seus estudos sem dificuldades, e orando pelos que precisavam de sua ajuda.

Dizer que esse dom foi apenas para a época dos apóstolos é sem dúvida um preconceito contra o próprio poder ilimitado do Espírito Santo.

5) Sinal para os descrentes

Praticamente, todo o capítulo 14 da primeira carta de Paulo aos coríntios se refere ao uso dos dons, nas reuniões da igreja local.

Ali, ele orienta quanto à ordem e aos cuidados no uso dos dons.

Com relação ao dom de línguas, ou variedade de línguas, ele diz que o falar línguas, na congregação, deve ser acompanhado da interpretação de
línguas para que a igreja possa ser edificada (1 Co 14.13-17).

As línguas servem para edificação da igreja, desde que sejam interpretadas para toda a congregação.

E também servem de “sinal” para os não crentes, da mesma forma, se houver interpretação profética.

EQUÍVOCO QUANTO AO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO E O DOM DE LÍNGUAS

Intérpretes da linha “cessacionista” entendem que, assim como o batismo com o Espírito Santo, com sinais de línguas estranhas, foi apenas para o período apostólico, os dons espirituais também perderam sua necessidade e valor para os dias presentes.

Afirmam que a crença no batismo com o Espírito Santo, como “uma segunda bênção”, distinta da salvação, é “confusão doutrinária” e “obra do Diabo”.

Para eles, a confusão se dá pelo desconhecimento das expressões “batizados no Espírito Santo” e “cheios do Espírito Santo”.

Dizem que “nenhum versículo da Escritura exorta o cristão a ser batizado com o Espírito, o que seria um contrassenso!”.

Eles incorrem no erro de muitos intérpretes da Bíblia que fazem eisegese, ao invés de exegese.

No primeiro caso, procura-se adaptar o texto bíblico ao que se quer a partir de ideias preconcebidas e cristalizadas como doutrina.

No segundo, o que é correto, procura-se extrair do texto bíblico o que de fato o escritor queria dizer ao escrevê-lo.

Isso se faz através da Hermenêutica cristã, que nos ajuda a interpretar a Bíblia de modo correto.

Os cessassionista dizem que nenhuma exortação existe para que se
busque o batismo com o Espírito Santo.

Mas o que Jesus disse aos discípulos? Que eles seriam batizados com o Espírito Santo (At 1.4,5).

E acrescentou, respondendo a uma pergunta dos discípulos sobre a restauração de Israel:

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

Portanto, esses ensinos dos teólogos cessacionistas, que ignoram o valor e a atualidade dos espirituais.

3 Comentários

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  1. A pessoa pode receber o SINAL e o DOM ao mesmo tempo?
    Um crente verdadeiro piedoso pode receber dons espirituais sem ser “batizado com o Espírito Santo”?

  2. Eu gostaria de que mande no meu mail pra mim fazer estudos pra mim encinar na igreja que eu dirijo

  3. Maravilhoso, assunto ,de suma importância .
    Desejo muito aprender mais !
    Obrigado, Deus abençoe sempre.

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