O que é agnosticismo e como compartilhar o evangelho com um agnóstico?

Existe considerável confusão acerca da distinção entre um agnóstico e um ateu. Embora compartilhem algumas semelhanças, também apresentam diferenças cruciais que dão origem a perspectivas distintas. É essencial compreender o agnosticismo e as suas particularidades, a fim de discerni-lo de outras visões religiosas.

Aqui está o que se deve saber acerca do agnosticismo e das características que o distinguem.

O que é um agnosticismo?

Ao longo dos séculos, diversos filósofos foram descritos pelos historiadores como detentores de crenças que poderiam ser classificadas como agnósticas.

No entanto, o termo “agnóstico” parece ter sido cunhado na década de 1860 por T.H. Huxley, um cientista envolvido no debate inicial sobre a evolução, que ficou conhecido como o “Buldogue de Darwin”. Em uma carta escrita em 1884 para o The Agnostic Annual, Huxley descreveu o termo da seguinte maneira:

“Há cerca de vinte anos, mais ou menos, eu criei a palavra ‘agnóstico’ para designar pessoas que, assim como eu, se confessam irremediavelmente ignorantes sobre uma variedade de assuntos, nos quais metafísicos e teólogos, tanto ortodoxos quanto heterodoxos, dogmatizam com absoluta confiança.”

Huxley continuou mencionando que não tinha certeza de como todos interpretavam o termo e que, caso houvesse um Concílio Geral da Igreja dos Agnósticos, muito provavelmente o condenariam como herege. No entanto, quando questionado sobre como ele definia um agnóstico, ele explicou da seguinte maneira:

O agnosticismo é a essência da ciência, seja ela antiga ou moderna. Significa simplesmente que um indivíduo não deve afirmar que sabe ou acredita em algo para o qual não possui fundamentos científicos para professar tal conhecimento ou crença.

Portanto, para Thomas Huxley, o agnosticismo representava um estado no qual não se reivindicava compreender coisas que não podiam ser comprovadas cientificamente.

Com o tempo, a definição evoluiu de “o que pode ser comprovado?” para “a existência de Deus pode ser comprovada?” Essa postura em relação à existência de Deus pode parecer similar ao ateísmo, mas acaba levando a caminhos distintos.

O que é um agnóstico

Em que os agnósticos acreditam?

Assim como o ateísmo, há um debate sobre se o agnosticismo pode ser considerado um sistema de crenças ou uma visão filosófica.

Geralmente, filosofias ou religiões são construídas com base em “no que acreditamos que existe?” em contraposição a “no que não temos certeza se existe ou não acreditamos que exista?”

A Enciclopédia de Filosofia de Stanford observa que alguns filósofos argumentaram que o ateísmo e o agnosticismo não são tanto visões filosóficas, mas estados psicológicos, atitudes que as pessoas mantêm.

Pensamentos agnosticistas:

Considerando que existem várias perspectivas sobre o que define o agnosticismo, geralmente há duas escolas de pensamento dentro dele:

Primeiro, há o agnosticismo aberto (também conhecido como “agnosticismo suave” ou “agnosticismo temporal”). Essa visão afirma que não podemos ter certeza se Deus existe, mas é possível que possamos descobrir isso no futuro.

Em seguida, há o agnosticismo fechado (também conhecido como “agnosticismo forte” ou “agnosticismo absoluto”). Essa visão argumenta que não podemos ter certeza se Deus existe e, de fato, nunca poderemos descobrir isso.

Diferenças entre as crenças de um agnóstico das crenças de um ateu:

Isso nos ajuda a entender melhor o que diferencia as crenças de um agnóstico das crenças de um ateu: em geral, os ateus enfatizam fortemente a capacidade da ciência de descobrir o universo e se há algo mais além.

O movimento do Novo Ateísmo particularmente destacou essa ideia, com escritores como Richard Dawkins argumentando que a religião é não científica e irracional. Alguns argumentam que o ateísmo e o “cientificismo” andam de mãos dadas, com a fé na investigação científica ocupando o lugar da fé em Deus.

O ateísmo argumenta que, com base no que sabemos ou podemos provar, podemos afirmar honestamente: “Temos certeza de que deuses de qualquer tipo não existem”. Por outro lado, o agnosticismo declara: “Não temos certeza e talvez nunca possamos ter certeza se deuses existem”.

Charles Templeton, um dos primeiros colaboradores do ministério de Billy Graham que posteriormente abandonou o cristianismo, concedeu uma entrevista a Lee Strobel para o livro “The Case For Faith”. Templeton se descreveu como agnóstico, e Strobel pediu que ele definisse isso. Templeton respondeu:

“Eu nunca ousaria afirmar categoricamente que Deus não existe. Eu não sei de tudo; eu não sou a personificação da sabedoria. Mas para mim, é impossível acreditar em Deus”.

Na prática, as crenças dos agnósticos em relação à moralidade e a um propósito maior podem ser fluidas. Eles podem argumentar que é possível encontrar uma moralidade objetiva sem acreditar em Deus, ou podem argumentar que toda moralidade é subjetiva.

Podem sustentar que existe um propósito maior em que todas as pessoas deveriam estar buscando, ou que não existe um propósito maior e que as pessoas precisam encontrar

palavras da Bíblia que todos deveriam entender

A Bíblia diz algo sobre o agnosticismo?

A Bíblia fala sobre o agnosticismo de maneira indireta, abordando a relação entre Deus, a criação e a sabedoria humana. Ela afirma que Deus é o criador de todas as coisas e que sua presença e propósito são evidentes na criação.

A Bíblia também nos lembra de que os seres humanos têm limitações em seu conhecimento e sabedoria, e que devemos reconhecer nossa dependência de Deus para obter sabedoria verdadeira.

A Bíblia adverte contra a tolice e a falta de conhecimento, destacando histórias de desobediência a Deus. Ela nos lembra de nossa pequenez diante da grandeza de Deus e nos encoraja a buscar sabedoria divina. Reconhece-se que os seres humanos não têm todas as respostas e que há mistérios que só Deus pode revelar.

Embora a Bíblia não aborde diretamente o termo “agnosticismo“, suas mensagens indicam que a busca pela verdade e sabedoria deve envolver uma humildade diante de Deus e uma disposição para reconhecer nossas limitações.

Ela nos convida a procurar por Deus e a reconhecer que ele se revela por meio de sua criação e de seu relacionamento conosco.

Portanto, a Bíblia oferece uma perspectiva diferente da abordagem agnóstica, enfatizando a busca pela sabedoria divina e a compreensão da presença de Deus na criação e na história humana. Ela nos convida a considerar que há mais do que apenas o mundo natural e que Deus está ativamente envolvido em nossas vidas.

3 maneiras de compartilhar o evangelho com um agnóstico

Quando se trata de compartilhar o evangelho com alguém que é agnóstico, é importante adotar uma abordagem respeitosa e empática. Aqui estão três sugestões para iniciar essa conversa:

1. Pergunte sobre suas experiências com outros cristãos

Reconheça que as experiências pessoais desempenham um papel significativo em como as pessoas percebem a religião. Ao ouvir sobre as experiências do agnóstico com cristãos, você pode demonstrar empatia e compreensão.

Se houve experiências negativas, é importante reconhecer isso e oferecer uma perspectiva diferente do cristianismo. Por outro lado, se houve experiências positivas, você pode construir conexões e destacar os aspectos valiosos do cristianismo.

2. Explore suas opiniões sobre a natureza

Aborde o tema da natureza e pergunte ao agnóstico como ele percebe a complexidade e a beleza do mundo natural. Essa discussão pode abrir espaço para falar sobre a ideia de um Criador por trás da criação.

Ao destacar os indícios de design e ordem presentes na natureza, você pode levantar questionamentos sobre a possibilidade de uma origem intencional e direcionada.

3. Discuta suas opiniões sobre a moralidade

O tema da moralidade é crucial quando se trata de questões de fé. Pergunte ao agnóstico sobre suas perspectivas sobre o certo e o errado. Ao explorar a ideia de uma base objetiva para a moralidade, você pode destacar a necessidade de uma fonte externa e superior, como Deus, para fundamentar nossas noções de moralidade.

Questionar se a busca pela moralidade tem um propósito se não houver um fundamento transcendente pode levar a reflexões mais profundas sobre a existência de Deus.

Lembre-se de que cada pessoa é única e tem suas próprias crenças e experiências. Portanto, é essencial adaptar essas sugestões ao contexto específico da pessoa com quem você está conversando.

O objetivo é criar um diálogo aberto e respeitoso, oferecendo reflexões sobre a fé. Afinal, você é um crente e seu objetivo não é vencer um debate, mas sim apresentar o amor de Cristo.

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Equipe Redação BP

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