Rei Jeú na Bíblia: 4 lições sobre o reinado violento de Jeú

Jeú foi o décimo rei do reino do norte de Israel ungido por Deus para julgar a casa de Acabe por sua maldade. Embora ousado, zeloso, astuto e sanguinário por reputação, Deus usou Jeú para restaurar Israel e eliminar a adoração de Baal da nação.

Uma visão geral da história dos reis de Israel deixa claro a violência, turbulência política, mudança de poder, decepção, conflito, divisão, guerra, traição e rebelião.

Apesar do pecado e apostasia por gerações, Deus permaneceu fiel ao Seu povo, oferecendo misericórdia se eles abandonassem seus ídolos e voltassem totalmente para Ele. Mas o povo normalmente seguiam os exemplos dos reis de Israel e Judá. Lemos em 1 e 2 Reis que a maioria dos reis de Israel e Judá repetidamente “fizeram o mal aos olhos do Senhor”.

Em todos os sentidos, os reis de Israel e Judá mostraram-se inadequados em comparação com a bondade e a glória de Deus. No entanto, apesar de suas muitas deficiências, Deus usaria reis humanos e governantes terrenos para julgar Seu povo e conduzir o coração do povo de volta a Ele.

Jeú foi um desses reis.

Quem foi o rei Jeú?

Zeloso, assertivo e politicamente astuto, Jeú era conhecido por seus atos de violência contra os descendentes de Acabe. Jeú tinha a missão de eliminar a linhagem de Acabe de Israel.

Em comparação com os reis de Israel, Jeú é visto principalmente como um “bom rei”. Ele foi obediente à ordem de Deus para destruir a casa de Acabe e fiel para combater a adoração de Israel a Baal. No entanto, até mesmo Jeú recebe um asterisco por não ter eliminado a adoração falsa nos “altos” de Betel, prática desde os dias de Jeroboão.

A primeira menção de Jeú na Bíblia aparece em 1 Reis 19, após o confronto de Elias com os profetas de Baal no Monte Carmelo. Após a derrota humilhante de Baal, Jezabel, a perversa esposa do rei Acabe, ameaçou de morte o profeta Elias (1 Reis 19:1-2).

No contexto, o rei Acabe é descrito na Bíblia como alguém que fez “o mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele” (1 Reis 16:30). Sua esposa Jezabel foi ainda mais perversa e cruel, “incitando” seu marido e a nação a adorar Baal e seguir as práticas pagãs.

Acabe queria colocar Baal como o deus oficial de Israel sobre o Senhor. Isso para Deus passou do limite. O câncer da idolatria havia infectado Israel tão profundamente que precisava ser expurgado.

Deus decretaria um julgamento rápido sobre a casa de Acabe e a nação de Israel usando três líderes chave, dizendo a Elias:

“Você deve ungir Hazael rei sobre Aram. Também ungirás a Jeú, filho de Ninsi, rei sobre Israel; e ungirás a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, como profeta em teu lugar. E acontecerá que aquele que escapar da espada de Hazael, Jeú matará; e aquele que escapar da espada de Jeú, Eliseu matará” (1 Reis 19: 15-17).

A promessa de Deus sobre o julgamento pendente de Israel aconteceria com a morte de Acabe (1 Reis 22:20-40), sucedido por seu filho Acazias e mais tarde Jeorão (Jorão).

Enquanto Jeorão travava guerra contra Hazael em Ramote-Gileade, Eliseu, filho de Safate, que havia substituído Elias como profeta de Israel, ungiu Jeú, um capitão do exército de Israel, como rei de Israel (2 Reis 9:1-13). Aqui, todos os três líderes ungidos para cumprir a missão dada por Deus.

O que o rei Jeú fez na Bíblia

O que o rei Jeú fez na Bíblia?

Sabendo que o rei Jorão havia recuado para Jezreel para se recuperar da batalha, Jeú rapidamente ordenou que seus homens cercassem a cidade para evitar que Jorão soubesse de sua unção (de Jeú). Ironicamente, embora não por coincidência, Acazias, rei de Judá e descendente de Acabe, estava em Jezreel visitando Jorão na época.

Lá, Jeú agiu violentamente matando o rei Jorão de Israel e o rei Acazias de Judá em pouco tempo (2 Reis 9:14-29).

Então jogaram o corpo de Jorão no campo de Nabote em Jezreel, cumprindo a profecia de Elias sobre Acabe quando ele assassinou Nabote e roubou sua vinha (1 Reis 21:22).

O corpo de Acazias foi devolvido a Jerusalém, onde o enterram com os reis de Judá (2 Reis 9:28).

E se você pensou que Jezabel, a rainha de Acabe, havia escapado do julgamento de Deus, pensou errado.

Pouco depois da morte de Jorão, Jeú ordenou que jogassem Jezabel de sua sacada no palácio em Jezreel. Quando os homens de Jeú foram enterrar o corpo, a Bíblia nos diz, “não encontraram nada mais dela do que a caveira, os pés e as palmas das mãos”. (2 Reis 9:35). Conforme profetizado por Elias, os cães comeram o corpo de Jezabel (1 Reis 21:23-24).

A missão de Jeú contra a casa de Acabe se acabou em poco tempo, a partir daí.

Setenta filhos de Acabe foram procurados e destruídos pelas forças de Jeú, todos os que se aliaram a Acabe foram abatidos e quarenta e dois parentes de Acazias também foram mortos, removendo o pecado e a mancha da família de Acabe de Israel para sempre (2 Reis 10 :1-17).

É claro que a reforma de Jeú não parou na casa de Acabe.

Em um astuto ato de manobra política, Jeú reuniu os profetas, sacerdotes e adoradores de Baal, prometendo que, como Acabe havia servido a Baal, ele (Jeú) adoraria Baal ainda mais. Depois de reunir os profetas no templo de Baal, Jeú passou a matar os profetas e sacerdotes de Baal, não deixando nenhum vivo (2 Reis 10:18-25).

Os homens de Jeú então arrasaram o templo de Baal, queimando os pilares sagrados e os ídolos. Assim, Jeú “eliminou Baal de Israel” (2 Reis 10:28).

Por sua fidelidade, quatro gerações dos filhos de Jeú se sentariam no trono de Israel (2 Reis 10:30). No entanto, a Bíblia nos diz que, “Jeú não teve o cuidado de andar na lei do Senhor, o Deus de Israel, de todo o seu coração; não se apartou dos pecados de Jeroboão, com os quais fez Israel pecar” (2 Reis 10:31).

Jeú foi abençoado por Deus por sua obediência, no entanto, sua negligência em remover os altos de Betel custou caro, pois o tamanho de Israel diminuiu gradualmente e porções da terra que Deus havia prometido ao Seu povo foram entregues a Hazael da Síria e outros líderes estrangeiros nos anos que se seguiram (2 Reis 10:32-33).

Jeú reinaria por vinte e oito anos em Israel (841-813 aC) e seu filho Jeoacaz o sucederia (2 Reis 10:35-36).

A história de Jeú pode parecer uma saga estranha, no entanto, existem várias lições importantes que podemos aprender com o rei matador de Israel e reformador zeloso. Aqui estão 4 lições que podemos aprender com Jeú:

1. O caminho do pecado nunca é o caminho da paz

É seguro dizer que o legado de Jeú foi tão violento quanto possível. No entanto, embora a fúria de Jeú fosse conhecida em todo o Israel, a decadência de Israel não foi pela espada de Jeú, mas pelo pecado de Israel.

Quando Jeú alcançou Jorão em Jezreel, o antigo rei de Israel perguntou a Jeú se ele tinha vindo em paz. A isso Jeú respondeu: “que paz? Enquanto as prostituições de sua mãe Jezabel e suas feitiçarias são tantas?” (2 Reis 9:22)

A maldade de Acabe e o pecado de Israel provaram que o caminho do pecado nunca pode ser o caminho da paz. Existem consequências para o pecado e a desobediência e, como o apóstolo Paulo escreveria mais tarde, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Além disso, por meio do profeta Isaías, Deus lembrou a Israel que “não há paz para os ímpios” (Isaías 57:21).

Aqueles que persistem no pecado nunca encontrarão paz nem estarão em paz com Deus. O pecado é o caminho para a morte e a destruição. A paz, por outro lado, é reservada para aqueles que temem ao Senhor, deleitam-se em Sua Palavra e obedecem a Seus mandamentos.

2. Deus é soberano e está no controle

Escondendo-se de Jezabel, Elias clamou ao Senhor, perguntando: por quanto tempo permitiria a maldade de Acabe e Jezabel. Por quanto tempo ele sofreria por sua fidelidade.

Em 1 Reis 19, Deus forneceu uma resposta à sua reclamação e uma promessa de que logo julgaria Seu povo e responsabilizaria os líderes de Israel por sua iniquidade.

Que lição tiramos disso?

Por um lado, Deus é soberano e está no controle.

Deus não se esqueceu de Elias, nem fechou os olhos para o pecado de Seu povo ou a fidelidade de Seus servos. Ele tinha um plano para abençoar Elias e depois Jeú; Ele também tinha um plano para purificar Israel de seu pecado e levar à justiça seus governantes iníquos. O tempo de Deus, no entanto, é sempre dele.

História do rei Jeú

3. Deus recompensa os fiéis, mas espera obediência completa

Deus recompensaria Jeú por Sua fidelidade em destruir a casa de Acabe e combater a adoração de Israel a Baal. No entanto, assim como Deus rapidamente daria Suas bênçãos pela obediência, elas poderiam ser perdidas pela desobediência.

O epílogo da vida de Jeú nos lembra que a obediência de Jeú foi parcial e incompleta. Porque Ele não foi diligente em guardar todos os mandamentos de Deus e servir ao Senhor de todo o coração. Várias formas de pecado permaneceram em Israel.

Jeú pode ter combatido a falsa adoração, mas isso não significa que ele adorava o Senhor de todo o coração. Jeú pode ter sido um “bom rei” no sentido de que ele fez o que Deus mandou. No entanto, ele falhou em remover os “altos” em Betel e limitar o sacrifício e a adoração ao templo em Jerusalém, conforme a instrução de Deus (Deuteronômio 12:1-4, 1 Reis 9:3).

No final, Deus espera total obediência de Seus seguidores e um relacionamento exclusivo com aqueles que o chamam de Senhor. A obediência parcial leva apenas a bênçãos parciais, deixando espaço para que até mesmo pecados pequenos se espalhem se não forem combatidos.

4. Deus Unge Aqueles que Ele Escolhe

Ao ungir Jeú e Hazael da Síria como instrumentos de julgamento, Deus demonstra que Ele unge e capacita aqueles que Ele escolhe, não necessariamente aqueles que imaginamos, admiramos ou procuramos em tempos de dificuldade.

Jeú pode ter sido um assassino sanguinário e às vezes implacável, uma característica que Deus lembraria e abordaria nos dias do profeta Oséias (Oséias 1:4). Da mesma forma, Hazael era um adversário estrangeiro que frequentemente travava guerra contra o povo de Deus.

A Bíblia no diz, no entanto, que mesmo governantes improváveis ​​e imperfeitos são estabelecidos por Deus e usados ​​para Seus propósitos (Romanos 13, 1 Pedro 2). Independentemente de suas intenções ou inadequações, o plano de Deus é muito maior do que os de Jeú e Acabe.

Deus unge quem Ele escolhe e usa quem Ele quer para Seus propósitos. Às vezes são usados ​​para abençoar o povo de Deus; outras vezes são usados ​​como instrumentos de julgamento. No final, todos os líderes são responsáveis ​​perante Deus. Como Paulo nos lembra, “não há autoridade que não venha de Deus” (Romanos 13:1).

Dito isto, o fracasso dos reis e da liderança dos governantes terrenos serve como um lembrete de que somente Deus é rei soberano e justo. 

Equipe Redação BP

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