Salmos 66 Explicação versículo por versículo

Você já recebeu um convite para adorar ao nome do Senhor? Pois bem, quando começamos a meditar no Salmo 66, percebemos que o salmista está nos convidando a exaltar e agradecer ao Senhor Deus Todo-Poderoso por Suas grandiosas maravilhas, chamando todas as nações e povos para adorá-Lo.
Além disso, esse Salmo é uma oferta de gratidão que o próprio compositor, oferece ao seu Deus.
Sendo assim, vamos ao estudo completo desse maravilhoso Salmo de gratidão, comentado versículo por versículo.
Sobre o que é o Salmos 66?
O Salmo 66 é um convite do salmista para que toda a humanidade se una e exalte a grandeza de Deus. Ele celebra o poder soberano do Senhor, que se manifesta tanto em feitos grandiosos quanto no cuidado constante com Seu povo.
Tudo indica que Israel havia passado por tempos difíceis, mas com a ajuda de Deus, conquistou uma grande vitória.
Alguns estudiosos acreditam que esse triunfo se refere à derrota milagrosa da Assíria, descrita em Isaías 36 e 37. Há também quem vê no personagem dos versículos 13 a 20 o rei Ezequias, cuja oração foi atendida por Deus (Is 37:14-20).
O louvor no salmo segue uma progressão. Primeiro, as nações gentias são chamadas a reconhecerem o poder de Deus.
Em seguida, Israel é convidado a testemunhar as maravilhas divinas. Por fim, cada indivíduo que teme ao Senhor é encorajado a adorá-Lo pessoalmente.
Quem escreveu o Salmos 66?
O autor do Salmo 66 é desconhecido, assim como a época em que foi escrito. No entanto, o contexto indica que ele foi composto em celebração a uma grande libertação concedida por Deus a Israel após um período de grande sofrimento.
Alguns estudiosos sugerem que essa libertação poderia estar relacionada ao retorno do exílio babilônico.
Embora não saibamos quem escreveu o salmo, ele possui características que se alinham ao estilo de Davi, especialmente em seu tom de celebração e reconhecimento da grandeza de Deus.
Qual a mensagem do Salmos 66?
A mensagem do Salmos 66 é de gratidão e louvor a Deus, reconhecendo Suas grandes obras e o cuidado fiel pelo Seu povo.
A música e as palavras do salmo evocam uma profunda reverência, sendo uma expressão digna de uma grande melodia.
A principal mensagem do salmo é a convocação ao louvor. Nos primeiros versículos (66:1-4), o salmista chama todas as nações a louvarem a Deus por Suas poderosas obras, detalhando como Suas ações são dignas de um cântico de adoração.
Ele lembra das grandiosas intervenções divinas, como a travessia do Mar Vermelho e a passagem pelo Jordão (66:5-7), simbolizando as libertações de Israel. Essas lembranças apontam para a situação do povo aflito e a esperança de um futuro alegre e libertador (66:8-12).
O salmista então se torna pessoal, expressando sua própria gratidão por tudo o que Deus fez por ele (66:13-15), e conclui com uma declaração de louvor e testemunho de Sua bondade em sua vida (66:16-20).
Por fim, a mensagem do Salmo 66 é, portanto, uma mescla de louvor coletivo e testemunho pessoal, engrandecendo a fidelidade de Deus e a importância de reconhecer Sua graça e ação na vida de cada um.
Estudo e comentário do Salmos 66 versículo por versículo
1. “CELEBRAI com júbilo a Deus, todas as terras.” (Salmo 66:1)
Que convite glorioso o salmista faz neste verso! Para todas as terras se reunirem e celebrarem com grande alegria ao Senhor. Precisamos ressaltar, que neste contexto, em Sião, onde os mais instruídos meditavam profundamente, o louvor era silencioso.
Já nas grandes assembleias, um som alegre parecia mais adequado e igualmente aceito. Sabendo que as expressões de júbilo despertam a alma e espalham gratidão de forma contagiante.
Portanto, os compositores devem priorizar melodias alegres. Tendo em vista, que o importante não é o volume, mas a alegria com que se louva ao Senhor.
A voz deve engrandecer a Deus, acompanhada por um coração exultante. Todas as nações devem render louvores somente ao Senhor.
Oh, como nosso coração almeja que chegue o dia em que nenhum clamor seja direcionado aos falsos deuses, mas toda a terra adore o Criador em uma só voz, em uma só adoração. Sabendo que as línguas são diversas, mas o louvor precisa ser único e dirigido ao único Deus.
2 – “Cantai a glória do Seu nome; dai glória ao Seu louvor.” (Salmo 66:2)
O louvor precisa ter harmonia, ritmo e ser uma adoração sincera, pois Deus é um Deus de ordem. Ao cantar, o foco deve estar em honrar Seu nome, pois dar-lhe glória é apenas devolver a Ele o que já lhe pertence.
Sabendo, que é um privilégio poder glorificá-lo. O louvor não deve ser frio ou insignificante, mas fervoroso e cheio de reverência.
Pois, não se trata de seguir antigas tradições cerimoniais, mas de oferecer uma adoração sincera e profunda.
Afinal, quando há uma alegria na alma, o louvor se torna mais glorioso do que qualquer ritual externo.
3 – “Dizei a Deus: Quão tremendo és tu nas tuas obras! Pela grandeza do teu poder se submeterão a ti os teus inimigos.” (Salmo 66:3)
Todos os louvores devem ser direcionados a Deus. Pois, bem sabemos que sem esse foco, a devoção não passa de um esforço vazio.
A grandiosidade das obras do Criador causa temor e reverência. Mesmo quem ama e descansa em Deus sente um profundo respeito diante de manifestações impressionantes do Seu poder.
Terremotos, furacões e maremotos revelam Sua força irresistível, levando muitos a exclamar: “Quão terrível és o senhor em Suas obras.”
Antes de enxergarmos Deus em Cristo, esse temor tende a prevalecer. Seus inimigos podem até se submeter, mas de forma forçada.
Como por exemplo, Faraó prometeu libertar Israel, mas não foi sincero. Muitos, tanto na terra quanto no inferno, se curvam apenas porque não têm escolha.
Não é a lealdade deles que os mantêm sob Seu domínio, mas a grandeza de Sua força.
4 – “Todos os moradores da terra te adorarão e te cantarão; cantarão o teu nome.” (Selá.) (Salmo 66:4)
O Salmo 66:4 aponta para um tempo em que todos se prostrarão diante de Deus, não apenas por temor, mas com alegria. O entusiasmo deixará de ser apenas de lábios e se tornará um cântico de amor.
As obras e a natureza de Deus serão o tema do louvor universal, e o espírito verdadeiro virá acompanhado do conhecimento do Seu nome. Deus não deseja ser adorado como um desconhecido, mas como o Senhor revelado.
O salmista vislumbra o dia em que toda a terra refletirá Sua grandeza, uma esperança presente em todo o Antigo Testamento.
Os judeus que rejeitaram a pregação aos gentios demonstraram ignorância e intolerância, mas a verdadeira fé, desde Moisés, Davi e Isaías, esteve sempre voltada para a reconciliação desses povos.
A pausa indicada por “Selah” convida à reflexão sobre essa grande promessa: um mundo reconciliado com seu Criador.
5 – “Vinde, e vede as obras de Deus: é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens.” (Salmo 66:5)
A ideia aqui no Salmo 66:5 é que, ao observar Seus feitos, as pessoas reconheçam Sua grandeza e se sintam motivadas a agradecer e louvar.
A referência principal é à libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, mas o salmista também destaca que Deus governa sobre as nações, demonstrando Seu poder e propósito soberano.
Sabendo que Seus feitos são grandiosos e despertam admiração e reverência.
6 – “Converteu o mar em terra seca; passaram o rio a pé; ali nos alegramos nele.” (Salmo 66:6)
O Salmo 66:6 relembra uma grandiosa obra de Deus ao transformar o mar em terra seca, permitindo que os israelitas atravessassem a pé.
Esse feito, registrado no Êxodo, trouxe grande alegria ao povo de Deus (Êx 15:1-21), mas representou juízo para os egípcios.
As águas que abriram caminho para Israel se fecharam sobre o exército de Faraó, destruindo-o por completo (Êx 14:28).
Um marco que deixou registrado tanto a salvação dos fiéis quanto o poder de Deus sobre seus inimigos.
7 – “Ele domina eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes.” (Selá.) (Salmo 66:7)
O salmista neste verso afirma que Deus governa com poder eterno e observa as nações. Ele mantém uma vigilância constante sobre os povos pagãos, que frequentemente se opõe ao Seu povo, para observá-lo.
Embora esses povos possam aparentar submissão, essa submissão é assustadora e, a qualquer momento, podem se rebelar contra Deus e Seu povo. No entanto, todas as tentativas de se exaltar serão em vão, pois o poder de Deus é eterno e inabalável.
8 – “Bendizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor,” (Salmo 66:8)
O Salmo 66:8 convoca o povo de Israel a louvar a Deus, destacando um benefício especial recebido – provavelmente uma intervenção divina que o livrou de grandes perigos.
O salmista pede que o louvor a Deus seja ouvido de forma ampla, alcançando todos, incluindo aqueles de fora da nação.
9 – “Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés.” (Salmo 66:9)
Deus preservou nossa vida, mesmo diante de grandes perigos e adversidades. Ele nos manteve vivos através de milagres, e de sua infinita misericórdia, restaurando-nos quando estávamos à beira da morte, como ossos secos no túmulo.
Isso nos impediu de cair na maldade e na destruição que nossos inimigos planejaram para nós.
10 – “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata.” (Salmo 66:10)
Deus prova e purifica seu povo, comparando-o ao processo de refinar a prata. Assim como as ourives colocam a prata no fogo para remover suas impurezas, Deus permite que seus filhos passem por aflições para purificar e testar sua fé, paciência, esperança e amor.
Essas provas não são para destruir, mas para fortalecer e tornar as graças mais específicas e genuínas.
As aflições, portanto, são um meio de Deus refinar e aprovar seus servos, mostrando que, mesmo em meio ao sofrimento, Ele está satisfeito em amor, não em ira.
Isso também pode ser considerado um reflexo sobre os sofrimentos enfrentados pelos santos sob perseguições, como as que ocorreram com os cristãos sob o domínio romano e papal.
11 – “Tu nos puseste na rede; afligiste os nossos lombos,” (Salmo 66:11)
O Salmo 66:11 descreve uma situação em que o povo de Deus foi atraído para armadilhas preparadas por homens maus, que os levaram a práticas e situações destrutivas.
Embora Deus permita que seu povo passe por essas dificuldades, Ele eventualmente os liberta, rompendo a rede ou o laço, como se vê também em Salmo 9:15.
A referência à “aflição sobre nossos lombos” pode ser entendida como uma metáfora para o peso das dificuldades, que são como fardos sobre impostos as costas.
Embora as aflições sejam intensas e pareçam insuportáveis, Deus sustenta seu povo, impedindo que ele sucumba a elas, conforme indicado em Apocalipse 2:10.
12 – “Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água; mas nos trouxeste a um lugar espaçoso.” (Salmo 66:12)
A expressão “Fizeste os homens cavalgarem sobre nossas cabeças” descreve uma situação de grande opressão, onde os inimigos dominaram temporariamente sobre o povo de Israel, como se retratado em esculturas egípcias e assírias, onde os reis cavalgavam sobre os corpos dos vencidos.
A frase “Passamos pelo fogo e pela água” simboliza os diversos perigos enfrentados, como uma metáfora para grandes dificuldades (Isaías 43:2).
No entanto, Deus trouxe um “um lugar espaçoso” ou “um lugar de refrigério”, trazendo uma vitória de descanso e abundância após a adversidade.
O versículo nos dá conforto, refletindo a transição de um tempo de sofrimento para um período de rompimento e alegria.
13 – “Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos,” (Salmo 66:13)
Neste versículo, há uma mudança da primeira pessoa do plural para a primeira pessoa do singular. Isso mostra que, embora a adoração seja coletiva, Deus vê cada coração individualmente.
O salmista se apresenta ao Senhor para cumprir os votos que havia feito em momentos de aflição.
14 – “Os quais pronunciaram os meus lábios, e falou a minha boca, quando estava na angústia.” (Salmo 66:14)
O compromisso assumido durante a tribulação agora se transforma em ação.
O salmista demonstra fidelidade ao trazer ofertas ao Senhor, mostrando que suas promessas não foram feitas em vão.
Deixando-nos uma grande lição sobre a importância de honrar os votos feitos a Deus.
15 – “Oferecer-te-ei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; oferecerei novilhos com cabritos.” (Selá.) (Salmo 66:15)
Ele oferece os melhores sacrifícios, levando holocaustos ao altar. Demonstrando total dedicação ao Senhor.
Hoje, essa entrega se reflete na obediência, como nos diz Romanos 12:1-2, onde somos chamados a nos apresentar como sacrifícios vivos, vivendo para glorificar a Deus.
16 – “Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito à minha alma.” (Salmo 66:16)
O salmista convida outros a ouvirem seu testemunho. Ele compartilha as maravilhas que Deus realizou em sua vida, incentivando outros a fortalecerem sua fé.
A Bíblia inteira é um testemunho da graça divina, e nossas experiências também podem glorificar a Deus quando compartilhadas.
17 – “A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua.” (Salmo 66:17)
A oração e o louvor caminham juntos. O salmista declara que clamou ao Senhor e o exaltou com sua voz.
Uma clara demonstração que buscar a Deus em oração não pode estar separado de um coração grato e adorador.
18 – “Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;” (Salmo 66:18)
O verbo “atender” significa reconhecer, apreciar e não estar disposto a confessar pecados conhecidos.
Quando alguém abriga o pecado em seu coração sem arrependimento, impede a comunhão com Deus.
Para que o Senhor atue em nosso favor, é necessário reconhecer, confessar e abandonar o pecado (1 João 1:5-10).
19 – “Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu à voz da minha oração.” (Salmo 66:19)
O salmista expressa confiança de que Deus ouviu sua oração. Quando buscamos a Deus com sinceridade e um coração puro, Ele responde e atende nossas súplicas.
20 – “Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericórdia.” (Salmo 66:20)
O salmista encerra o Salmos 66 louvando a Deus por nunca ter sido privado da alegria de orar ou da experiência de Seu favor.
Mostrando que a oração e a misericórdia de Deus estão sempre ligadas de forma íntima. Pois o salmista não foi privado nem da alegria de orar, nem da experiência da misericórdia divina.
Quando Deus responde com favor, é um sinal de que Ele nos ouve, e a oração se torna um reflexo da misericórdia recebida.
A relação entre oração e misericórdia é como um chamado: quando a oração é verdadeira, ela ressoa no coração de Deus, e Ele responde com Sua graça e favor.
Agostinho, refletindo sobre esse versículo, afirma que, se a oração não for afastada de nós, também a misericórdia de Deus não nos será retirada.
Veja também: Salmo 46:10 Significado de “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”