TEOLOGIA PASTORAL: O Equilíbrio na Relação Pessoal e Ministerial

A Teologia Pastoral faz parte da Teologia Prática. Antes de definir nossa disciplina é preciso destacar que o estudo da Teologia é dividido em:

  • Teologia Bíblica
  • Teologia Exegética
  • Teologia Histórica
  • Teologia Sistemática
  • Teologia Dogmática
  • Teologia Apologética
  • Teologia Prática

CONCEITO DE TEOLOGIA PASTORAL

Teologia Pastoral é a parte da Teologia Prática que estuda o trabalho da pessoa que exerce autoridade pastoral sobre um grupo de pessoas, fornecendo alimento espiritual, direção bíblica, pregação e ensino do Evangelho, desafiando e treinando cristãos para cumprirem sua vocação, para exercerem seus dons, com objetivo de que os crentes individualmente e a igreja em um todo, cresça em todas as dimensões.

PRESSUPOSTOS DA TEOLOGIA PASTORAL

1) A metáfora – Pastor/Ovelha, na Bíblia Sagrada, não é única, mas, é a mais relevante para descrever a relação de cuidado de DEUS para com o seu povo.

a) Significado de Metáfora

Metáfora é uma figura de linguagem em que se transfere o nome de uma coisa para outra com a qual é possível estabelecer uma relação de comparação.

É também uma expressão que estabelece a relação de semelhança entre dois termos, promovendo uma transferência de significados, estabelecida através de uma comparação implícita.

Outras metáforas além da PASTOR OVELHA são empregadas por DEUS para expressar o cuidado d’ELE para com Israel e para com a Igreja, mas esta parece ser a mais emblemática.

b) A expressão “pastor” nas Escrituras:

  • A palavra “pastor” aparece 30 vezes na Bíblia (22 no AT e 8 no NT);
  • Destas incidências apenas 4 vezes o vocábulo é usado no sentido literal e denotativo, as outras 25 ocorrências referem-se ao aspecto figurado e conotativo.
  • Literalmente, o verbo “pastorear” em diferentes conjugações aparece 2 vezes.

c) Pastores no plural

A ideia no plural (“pastores”) está registrada 58 vezes, das quais 23 vezes se referem literalmente aos trabalhadores que cuidavam de rebanho de ovelhas; as outras 25 vezes referem-se aos guias políticos no AT e no NT. E dizem respeito aos ministros líderes das comunidades cristãs.

Palavras correlatas a “PASTOR” no Novo Testamento seria: bispo, presbítero (normalmente no plural), ancião, ministro, ‘anjo’.

2) DEUS é o dono da ação pastoral, ELE é o SENHOR dela e dELE ela procede.

DEUS e CRISTO, literal e explicitamente, são designados com a expressão “PASTOR”, com “P” maiúsculo, aparecendo assim 7 vezes nas Escrituras, destas, 1 única vez no AT e as outras 6 no NT.

Se a Bíblia designa DEUS, o PAI, e JESUS, o FILHO DE DEUS como Pastor (com “P’ maiúsculo) explicitamente em Ec 12.11; Jo 10.11,14 e 16; 1 Pe 2.25; 5.4.

O PAI e o FILHO devem ser a procedência absoluta, o referencial e a fonte de inspiração para a Teologia Pastoral.

Logo, toda as ações pastorais não podem apenas serem praticadas como atividade humanista, baseada unicamente em que os seres humanos julgam ser certo, no cuidado das ovelhas do SENHOR.

DEUS delega parte de seu cuidado soberano, poderoso e benigno àqueles seres humanos que ELE vocacionou, para pastorear pessoas, por isso, o SENHOR vocaciona, capacita bem como energiza e unge seres humanos para cuidar das almas humanas e do povo d’ELE.

Partindo do Pressuposto que DEUS é o dono da ação pastoral, ELE é o SENHOR dela e dELE ela procede.

Os atributos comunicáveis de DEUS porque a ação pastoral deve ser sempre atemporal, visando a eternidade; justa; amorosa; bondosa, paciente; misericordiosa, fiel, bondosa; simples e santa.

3) Se DEUS, no geral, compara o ser humano, cada israelita a uma ovelha, e se o SENHOR JESUS da mesma forma compara cada membro da Igreja como ovelha é porque isso é adequado.

O salmista ora a DEUS: “Andei perdido como uma ovelha; vem procurar-me pois não me afastei dos teus mandamentos” (Sl 119.176).

Quando Davi, arrependido e contrito, pede a misericórdia de DEUS em favor do povo, que sofria uma praga por causa do seu próprio pecado de vaidade e soberba (no caso do censo do povo), indagou a JEOVÁ: “…porém, estas ovelhas que fizeram?…” (2 Sm 24.17).

No clássico e abençoado Salmo 23 o escritor se apropria das carências de suas ovelhas para mostrar o quanto ele próprio dependia de JEOVÁ e o quanto o SENHOR lhe amava e lhe pastoreava; no mesmo sentido os israelitas são ovelhas do pasto d’ELE (Sl 74.1; 78.52, 70; 79.13; 95.7; 100.3).

Isaías confessa na primeira pessoa do plural: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho” (Isaías 53.6).

Vemos também DEUS advertir Israel, através de Jeremias: “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50.6).

Ezequiel usa 25 vezes a metáfora da ovelha atribuída a cada israelita; no mesmo sentido Zacarias usa esta figura de linguagem 6 vezes.

Das 44 vezes que a palavra “ovelha” ou “ovelhas” no NT é registrada, cerca de quase 90% delas é no sentido figurado de almas humanas ou propriamente de membros da Igreja de JESUS.

CONCLUSÃO SOBRE TEOLOGIA PASTORAL

Portanto, espera-se naturalmente que um pastor tenha equilíbrio na relação pessoal e ministerial, com um bom comportamento diante da sua igreja e da sociedade.

Um pastor que não é exemplar em tudo terá dificuldade de pastorear.

Então, o que diz a Bíblia sobre o caráter do pastor?

O apóstolo Paulo, enfatizou a seu verdadeiro filhos ministerial Tito que quem pastoreia o povo de DEUS deve estar acima da média (Tito 1.7-10).

E JESUS mesmo bem previu que iam aparecer homens querendo liderar os outros sem o devido caráter santo e preveniu os cristãos; “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7.15).

Também anunciou “muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e a muitos enganarão” (Marcos 13.6). E o apóstolo Paulo adverte: “…acautelai-vos dos maus obreiros…” (Filipenses 3.2).

Felizmente estes casos não constituem a maioria, mas sim a minoria. Há, entretanto, pastores que são vítimas de comentários maldosos e julgamentos triviais.

Permanece neste caso a palavra do apóstolo Pedro que disse: “tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a DEUS no dia da visitação” (I Pedro 2.12).

Aos pastores fica a recomendação recebida originalmente por Tito:

Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade; use linguagem sadia, contra a qual nada se possa dizer, para que aqueles que se lhe opõem fiquem envergonhados por não terem nada de mal para dizer a nosso respeito. (Tito 2:7-8).

Referência: Pastor Robson Brito (15° SEDUC)

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