1 João 3:1-3 – A Família de Cristo

Esboço de Sermão Expositivo em 1 João 3:1-3 com o tema: A Família de Cristo. Esboço de pregação expositiva sobre a família de Deus e seus privilégios.

TEMA: A Família de Cristo

Texto bíblico: 1 João 3:1-3

1. VEDE quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele.

2. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.

3. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro”.

INTRODUÇÃO

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus!”

Com esta exclamação, o apóstolo expressa um combinado de espanto, humildade e exaltação.

No capítulo anterior ele vinha advertindo solenemente contra as fraquezas e erros a que estão sujeitos os santos de Deus.

E agora exclama: como é maravilhoso que nós, com todas as nossas deficiências e imperfeições, somos privilegiados e honrados por Deus, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus, nascidos para um propósito divino!

O laço que nos une em santa fraternidade uns aos outros e a Cristo, o primogênito entre muitos irmãos (Romanos 8:29), e o laço que nos une em santa filiação ao Pai, são um e o mesmo laço.

A experiência pela qual nos tornamos filhos de Deus, e a experiência pela qual nos tornamos irmãos uns dos outros, está no novo nascimento.

Quando nascemos de novo, quando nascemos do Espírito, na família de Cristo, tomamo-nos não somente filhos de Deus, mas, como prova disso, tornamo-nos irmãos.

Naturalmente é certo que, em termos da criação, todos os filhos dos homens são filhos de Deus. “De um só fez toda raça humana para habitar sobre toda a face da terra…” (Atos 17:26).

Mas no sentido predominante no Novo Testamento, nem todos os filhos dos homens são filhos de Deus. Somente “a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus…” (João 1:12).

E, como filhos de Deus, tomamo-nos “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Romanos 8:17).

A singular herança da família de Cristo inclui privilégios, graças e certezas que estão refletidos em muitas passagens da Escritura, mas não há nenhuma passagem que descreva com maior beleza os valores que compõem a herança da família, do que a passagem aqui descrita para nossa reflexão.

I. O Nome da Família ➡ os “filhos de Deus” (1 João 3:1)

A) Os filhos de Deus distinguem-se claramente do restante da humanidade

A um grupo diferente de crentes que incluía os extremos opostos da sociedade humana, Jesus declarou: “… vós todos sois irmãos … só um é vosso Pai, aquele que está no céu… um só é vosso Mestre, o Cristo” (Mateus 23:8-10).

Certamente o Senhor Jesus, aqui na terra, nunca realizou um milagre maior do que reunir homens de diferentes personalidades e pensamentos em um grupo de discípulos com o mesmo propósito.

Nenhum grupo era mais desprezado ou odiado pelos judeus do que o publicano.

Isso porque sua função era recolher impostos que os judeus nunca achavam que tinham o dever de pagar.

E dos que odiavam os publicanos, provavelmente não havia ninguém que o odiasse com maior fúria e rancor do que os zelotes. Estes eram agitadores fanáticos que nunca paravam de clamar por libertação do odioso jugo romano.

Todavia, a quem encontramos naquele grupo de discípulos? Mateus, o publicano, e Simão, o zelote!

B) Os incrédulos negam a Paternidade de Deus

“Não sois de Deus… se Deus fosse de fato vosso pai, certamente me havíeis de amar… vós sois do diabo, que é vosso pai (João 8:47,42,44).

A distinção entre “filhos de Deus” e “filhos do diabo” aparece em outras passagens do Novo Testamento (1 João 3:10; Atos 13:10).

Assim, a paternidade do diabo não é menos doutrina bíblica do que a Paternidade de Deus.

Os irmãos de Jesus por parte de mãe, que vieram a ser crentes e testemunhas depois da ressurreição, foram excluídos, na época da sua incredulidade, de todo e qualquer relacionamento de verdadeira fraternidade com Jesus.

“Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”, alguém Lhe dissera.

A isto respondeu Jesus: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” E Ele estendeu a mão para os discípulos, e disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai Celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:47-50).

Em certa feita, Jesus disse: “O que é nascido da carne, é carne: e o que é nascido do Espírito, é espírito” (João 3:6).

E infinitamente mais importante que os laços da carne, que a sepultura dissolve, são os laços do Espírito, que unem para todo o sempre a família de Cristo.

O excluído sem linhagem nem classe, se tiver nascido de novo, é saudado pelo Senhor Jesus como um dos filhos de Deus, um irmão bem-amado.

Ao mesmo tempo, o fariseu de alta classe e linhagem, em sua incredulidade, com todas as suas excelências morais, é repudiado como nenhum dos Seus.

A família de Deus é para os filhos de Deus, e ao céu se chega, não por mérito, mas com base num relacionamento.

C) Os “Filhos de Deus” têm um nome com um grande significado

“Em Antioquia foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos” (Atos 11:26).

Antioquia ficava na Síria; e o nome “Christian” (= Cristão) é típico de muitos nomes sírios, sendo composto de duas partes “Christ”, o chefe da família, mais a característica terminação síria “ian”, que significa “da família de”.

Originariamente, o termo “cristão” parece ter sido apenas um termo de conveniência para identificar os seguidores de Cristo, como o termo “herodianos” identificava os defensores da dinastia de Herodes.

Mas os cristãos sírios deram ao termo “cristão” (“Christian”) uma versão mais íntima: “da família de Cristo”.

O termo significa imensuravelmente mais, para nós, quando nos damos conta de que, toda vez que nos chamamos “cristãos” a nós mesmos, estamos declarando: “Eu sou da família de Cristo”.

II. A Vida da Família ➡ “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 João 3:3)

A) Damos testemunho de família de Deus

O apóstolo João acentua sabiamente os efeitos terrenais da nossa esperança celestial, a prova visível daquela realidade invisível da qual damos testemunho toda vez que declaramos: “Sou cristão”.

Primeiro, ele nos eleva ao resplendor das altitudes celestes, lembrando-nos que somos filhos de Deus, nascidos para um alto destino (v. 2); depois nos traz de volta à terra, à semelhança do profeta Isaías “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Isaías 40:31).

A prova da genuinidade do nosso relacionamento com Deus não está apenas naqueles momentos de “glória-aleluia”, que constituem tão preciosa experiência e tão querida lembrança para o crente.

Uma prova mais convincente do estímulo da graça e poder talvez esteja na capacidade de perseverar na vida piedosa e no serviço cristão quando outros estão desistindo de pura fraqueza.

“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8:14).

“Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:20).

“O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22,23).

Assim existe uma analogia da família universal entre os verdadeiros filhos e filhas de Deus.

Seja qual for a raça, a cor, a língua ou o nível cultural da pessoa quando o Espírito Santo penetra nessa vida, a mesma frutificação aparece.

B) Somos cidadãos do céu

O apóstolo Paulo, num similar desafio aos cristãos de Filipos, refere-se ao grupo como cidadãos do Céu” (Filipenses 3:20).

Eles eram uma colônia dentro de uma colônia, visto que Filipos era uma colônia romana implantada numa vasta área não romana.

Uma das mais poderosas considerações com que inspirar ou exortar os filipenses era lembrá-los de que eles eram cidadãos romanos e deviam conduzir-se de conformidade com isso, perante um mundo estranho.

Semelhantemente, o apóstolo apela à minoria cristã de Filipos para ajustar-se à cidadania mais elevada de todas,
sua cidadania no céu.

Este desafio tem perpétua relevância para os filhos de Deus.

Estamos povoando para Cristo; mantemos nossa cidadania no céu; estamos em comunicação diária e pessoal com o próprio soberano do céu.

Quando se mantém vivida consciência disto, não nos é possível falhar e levar uma vida cristã mesquinha.

Ilustração

Durante os tempos da escravidão, alguns visitantes nortistas em Nova Orleans estavam observando um grupo de escravos que ruidosamente e de má vontade percorriam as docas, de volta ao seu trabalho.

Desanimados, aparentemente indiferentes para com a própria vida, arrastavam-se.

Mas um deles, em extraordinário contraste, cabeça erguida e ânimo firme, andava a passos largos entre eles, com a nobre postura de um triunfal conquistador.

“Quem é aquele sujeito?”, perguntou alguém.

“Será o capataz, ou o proprietário dos escravos?” “Não”, foi a resposta; “aquele sujeito não consegue tirar da cabeça que é filho de um rei.”

Fora levado cativo quando criança, mas lhe haviam ensinado que ele não era uma pessoa comum; ele era filho de rei, e tinha que se manter como tal, enquanto vivesse.

Agora, depois de levar a metade de uma existência de dureza e abuso, que quebrantara o espírito dos outros, ele continuava sendo filho de rei!

Essa é a inspiração e a força dos filhos de Deus!

III. A Esperança da Família ➡ Uma tríplice esperança (1 João 3:2)

A) Cristo nunca abandona sua família

“Quando ele se manifestar.” Não é como se o Senhor Jesus se tivesse afastado dos negócios do Seu reino.

“E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20).

Esta promessa tem sustentado os servos de Cristo através de inumeráveis crises, problemas, desalentos e perseguições.

B) Seremos semelhantes a Cristo

Na igreja primitiva havia aqueles que temiam que a morte poderia privá-los, ou aos seus entes queridos, da suprema
experiência de testemunhar o glorioso retorno do Senhor Jesus.

Daí esta convicta afirmação do apóstolo João, e afirmações similares do apóstolo Paulo (1 Tessalonicenses 4:13-18).

“Seremos semelhantes a ele.”

Talvez seja este o mais “espetacular fundamento” para o crente em toda a revelação bíblica.

Quando ficamos completamente desanimados com a nossa pecaminosidade, com os nossos erros e com os nossos miseráveis fracassos na vida cristã, é nos dada a certeza de que na plenitude dos tempos estaremos de pé diante do nosso Senhor, com a imaculada semelhança do Filho de Deus, puros, inculpáveis, com a beleza da santidade em nós.

Finalmente seremos aquilo que em nossos melhores momentos sempre sonhamos, esperamos e rogamos que pudéssemos ser.

Isto não será realizado mediante o nosso próprio esforço, mas pela graça de Deus, tendo sido estabelecido antes do nosso nascimento.

C) E assim como é o veremos

Deus não deixará o crente no meio do caminho, mas o levará àquela gloriosa realização.

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2:9).

CONCLUSÃO

Como família de Cristo, somos uma família verdadeiramente abençoada, com um propósito divino e uma rica herança: Uma família com nome, com vida e esperança.

Para os filhos de Deus, esta é uma mensagem de alegria, para colocar um cântico em cada coração.

Aos nossos amigos e entes queridos que ainda não se entregaram, o Chefe da família acena e diz:

“Vinde”, com todo o encanto que a graça divina pode pôr no convite.

E quando Cristo se torna Senhor da vida de alguém, torna-se Salvador da sua alma e Guardião do seu destino.

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