4 lições fundamentais da separação de Paulo e Barnabé

A história do desentendimento e separação de Barnabé e Paulo é muito questionada e até criticada em relação as atitudes de ambos. No entanto, se olharmos com cuidado para o que a Bíblia diz, encontramos lições úteis para nossa vida de fé, principalmente sobre como lidar com divergências dentro do contexto do serviço cristão.

Como Paulo e Barnabé se conheceram?

A história do encontro de Paulo e Barnabé está registrada no Livro de Atos dos Apóstolos. Antes de se tornar um apóstolo, Paulo era conhecido como Saulo de Tarso e era um perseguidor dos cristãos. Ele participou da perseguição à igreja primitiva em Jerusalém.

O encontro de Paulo e Barnabé aconteceu após uma conversão dramática de Paulo no Caminho de Damasco. Saulo, que estava indo a Damasco para perseguir os cristãos, teve uma experiência sobrenatural onde encontrou Jesus Cristo. Essa experiência transformadora acabou na conversão de Saulo, que se tornou um seguidor fervoroso de Cristo.

Após sua conversão, Saulo foi para Jerusalém, onde inicialmente encontrou resistência por parte dos discípulos, que temiam que sua conversão fosse uma artimanha para se infiltrar na comunidade cristã. No entanto, Barnabé desempenhou um papel crucial nesse momento. Ele interveio em favor de Saulo, apresentando-o aos apóstolos e testemunhando sobre a conversão da conversão de Paulo.

O encontro entre Paulo e Barnabé é mencionado em Atos 9:26-27 (NVI), onde Barnabé toma a iniciativa de apoiar o recém-convertido Saulo:

“Quando chegou a Jerusalém, tentei reunir-se aos discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e eles contam como Saulo vira o Senhor no caminho e que o Senhor falar lhea, e como em Damasco ele havia pregado calorosamente em nome de Jesus.”

Barnabé foi, assim, um elo vital entre Paulo e a comunidade cristã em Jerusalém, facilitando o acesso de Paulo como um membro genuíno da fé cristã. Esse encontro marcou o início de uma parceria significativa entre Paulo e Barnabé, que posteriormente se envolveram em várias viagens missionárias, espalhando o evangelho em diferentes regiões.

Como foi o chamado de Paulo e Barnabé para a obra missionária?

Atos 13 narra o chamado de Paulo e Barnabé para a obra missionária. Esse chamado marca o início de uma série de viagens missionárias que teve um impacto significativo na propagação do cristianismo nas regiões da Ásia Menor e Europa. Aqui está um resumo desse evento:

Atos 13:1-3 (NVI):

“Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que foram criados com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem- eu Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado’. Assim, depois de jejuar e orar, im colocar-lhes as mãos e os enviaram.”

Essas palavras revelaram claramente o chamado específico para Barnabé e Saulo se dedicarem a uma obra missionária especial, algo que já estava no coração de Deus para eles. A resposta da igreja em Antioquia foi rápida e obediente. Eles jejuaram, oraram e impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, comissionando-os para o serviço missionário.

Esse episódio marca o início da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Eles partiram de Antioquia, viajaram para Chipre e depois para várias cidades da Ásia Menor (atual Turquia), pregando o evangelho e estabelecendo comunidades cristãs.

O chamado missão de Paulo e Barnabé destaca a importância da sensibilidade ao Espírito Santo na liderança da igreja e na condução de missões.

A igreja em Antioquia discerniu a voz do Espírito Santo, respondeu com obediência e, assim, desempenhou um papel significativo no avanço do evangelho através das viagens missionárias de Barnabé e Paulo. Essa obra missionária teve um impacto duradouro na expansão do cristianismo nas regiões que visitaram.

5 lições poderosas da primeira viagem missionária de Paulo

Resumo do que aconteceu na primeira viagem missionária

A primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé é uma narrativa emocionante que ocorreu por volta dos anos 46-48 dC e é registrada principalmente nos capítulos 13 e 14 do Livro de Atos.

Durante essa viagem, Paulo e Barnabé viajaram por várias cidades da região da Ásia Menor (atual Turquia), pregando o evangelho e estabelecendo comunidades cristãs. Abaixo, destaco alguns eventos importantes dessa jornada missionária:

1. Antioquia para Chipre (Atos 13:4-12):

  • Paulo e Barnabé são enviados pela igreja em Antioquia, acompanhados por João Marcos.
  • Eles chegam a Salamina, em Chipre, onde pregam nas sinagogas judaicas.
  • Eles viajam pela ilha, enfrentando a oposição de um falso profeta chamado Barjesus.
  • Em Pafos, o procônsul romano, Sérgio Paulo, é convertido ao cristianismo após testemunhar um milagre realizado por Paulo.

2. De Chipre para a Ásia Menor (Atos 13:13-52):

  • Eles partem para Perge na Panfília, onde João Marcos os deixa e retorna a Jerusalém.
  • Paulo e Barnabé seguem para Antioquia da Pisídia, onde pregam na sinagoga.
  • Eles enfrentam resistência e oposição dos judeus, mas muitos gentios se tornam crentes.
  • Os líderes judeus expulsam Paulo e Barnabé da cidade, e eles sacodem o pó de seus pés como testemunho contra eles.

3. De Icônio para Listra (Atos 14:1-20):

  • Eles vão para Icônio, onde pregam com sucesso, mas novamente enfrentam oposição.
  • Uma conspiração para apedrejá-los os leva a fugir para Listra.
  • Em Listra, Paulo cura um homem lindo desde o nascimento, o que leva os multidões a pensar que eles são deuses.
  • Uma multidão, influenciada pelos judeus de Antioquia e Icônio, apedreja Paulo, que é deixada por morto.
  • Paulo se levanta, e eles seguem para Derbe.

4. Retorno a Antioquia (Atos 14:21-28):

  • Eles retornaram, fortalecendo os discípulos nas cidades que visitaram.
  • Eles nomearam presbíteros em cada igreja, consolidando o trabalho que realizamos.
  • Ao retornar a Antioquia, relatamos à igreja tudo o que Deus havia feito através deles.

O desacordo entre Paulo e Barnabé

A parceria bem-sucedida entre Paulo e Barnabé teve um estágio inesperado, marcado por um desacordo significativo em relação ao retorno de João Marcos à sua aliança.

A origem da discordância residia na posição firme de Paulo, que duvidava da confiabilidade de João Marcos devido ao seu abandono anterior de uma missão. Em contrapartida, Barnabé foi inflexível em oferecer uma segunda chance a João Marcos.

Este desentendimento culminou em uma separação, resultando em dois ministérios distintos, conforme registrado em Atos 15:39–41.

No entanto, a divisão não implicou na redução do impacto dos seus ministérios individuais. Paulo, junto com Silas, Timóteo e outros, empreendeu uma missão para divulgar o evangelho na Macedônia e na Grécia.

Ao mesmo tempo, Barnabé dedicou-se a orientar com sucesso Marcos, que posteriormente escreveu o segundo evangelho. Os eventos subsequentes revelaram que, apesar da separação, Paulo e Barnabé se encontraram em boas condições contínuas e demonstraram interesse no ministério um do outro.

Isso foi evidenciado quando Paulo chamou Marcos mais tarde para se juntar ao seu ministério, e também nas interações de Paulo com Onésimo e Filemom, fornecendo uma disposição para segundas chances conforme julgado jurídico.

A posição e Paulo e a Posição de Barnabé

É crucial notar que a discordância entre Paulo e Barnabé não se fundamenta em questões doutrinárias fundamentais da fé cristã, mas sim em abordagens divergentes sobre processos ministeriais.

Enquanto Paulo sustentava a importância da fidelidade e confiabilidade como requisitos cruciais para o ministério, a recusa em aceitar Marcos novamente refletiu a verdade de que a deserção passada indicava falta de confiabilidade futura.

A posição de Barnabé, por outro lado, destacouva a crença na redenção e na concessão de segundas chances, apoiada pelo exemplo de Pedro, que, apesar de negar Jesus, foi reintegrado na liderança após recuperação genuína.

As Escrituras reforçam a necessidade de fidelidade e confiabilidade no ministério, como indicado nas palavras de Paulo a Timóteo e aos coríntios. A analogia de Salomão, comparando a confiança em um infiel a depender de um dente ruim ou de um pé manco, ressoa a importância desses princípios.

Na última análise, a separação de Paulo e Barnabé destacou que desacordos podem surgir mesmo em alianças para o evangelho, mas esses desafios não precisam resultar na perda do foco no quadro geral.

Ambas as posições, fundamentadas em princípios bíblicos sólidos, coletam lições valiosas para os cristãos contemporâneos sobre como lidar com divergências dentro do contexto do serviço cristão.

4 lições da separação de Paulo e Barnabé

lições da separação de Paulo e Barnabé

1. Permaneça focado na missão principal

A separação não desviou a atenção de nenhum dos dois da missão. Pelo contrário, é possível afirmar que o que era destinado para o mal, Deus transformou em bem.

A dissolução poderia ter levado ao fim dos ministérios de Paulo, Barnabé ou João Marcos. No entanto, observamos que Marcos se destacou de tal maneira que, posteriormente, Paulo o contou em sua carta a Timóteo, dizendo:

“Só Lucas está comigo. Pegue Marcos e traga-o com você, porque ele é útil para mim no meu ministério”.

2 Timóteo 4:11

Pedro também se referiu a ele como “filho” em sua primeira epístola (1 Pedro 5:13).

2. Busque o crescimento mesmo na divisão

Ao invés de resultar no fim de uma equipe de dois, a divisão resultou em duas equipes de dois. Ambas as equipes realizaram feitos poderosos e alcançaram mais do que uma equipe original de dois poderia ter feito.

As realizações indicam que Deus tinha o propósito de expandir uma missão para a Macedônia e a Grécia, indo além da intenção inicial de Paulo de revisitar as igrejas já condicionais. Paulo se uniu a Silas, e mais tarde, Timóteo e outros se uniram a eles na Segunda Viagem Missionária, que levou o Cristianismo a diversas partes da Europa e da Ásia.

Barnabé se juntou a Marcos e navegou para o oeste, em direção a Chipre. Embora a Bíblia não forneça mais detalhes sobre Barnabé, o trabalho subsequente de Marcos, incluindo a autoria do segundo evangelho, sugere uma orientação bem-sucedida de Barnabé.

3. Não se concentre no Errado ou no Certo

A Bíblia não nos informou sobre quem estava certo ou errado, e teria fornecido essa informação se fosse crucial. Não devemos nos concentrar na avaliação de quem está certo ou errado, especialmente em situações de forte desacordo em uma igreja ou em outro ministério cristão.

Em vez disso, convém concentrar nossos esforços em fortalecer cada parte, para que possamos melhorar no cumprimento do propósito de Deus para suas vidas.

4. Respeite e aprecie os outros, mesmo em divisão

A partir da separação da equipe Paulo e Barnabé e de suas interações pós divisão, como aquelas entre Paulo e Marcos, podemos aprender a considerar e apreciar a obra de Deus no ministério de outras pessoas.

Isso é especialmente significativo para aqueles que compartilham uma história que inclui uma separação. É crucial continuarmos apoiando e respeitando o trabalho uns dos outros.

Paulo mostra-se consciente do trabalho de Marcos e posteriormente solicita que ele participe de seu ministério. Além disso, veja na carta aos Colossenses como Paulo se expressa com amor em relação a Marcos:

“Aristarco, meu companheiro de prisão, envia-lhes saudações, bem como Marcos, primo de Barnabé. Vocês receberam instruções a respeito de Marcos, e se ele for visitá-los, recebam-no.”

Colossenses 4:10

O versículo deixa claro que Paulo vê João Marcos com outros olhos e o que ficou para trás não importava mais. Além disso, é notório que houve uma reconciliação entre Paulo, Barnabé e João Marcos.

Isso serve como um excelente exemplo para os cristãos de hoje. Nosso trabalho na vinha do Senhor não deve se pautar em competição e rivalidade, mas sim em complementaridade e apoio mútuo.

André Lourenço

Bacharel em Teologia, Graduado em Gestão da Qualidade e Pós Graduando em Psicologia nas Organizações, André possui mais de 17 anos de experiência na pregação e ensino da Bíblia. É Professor de cursos de Homilética e Hermenêutica. Já escreveu centenas de estudos bíblicos e ministra aulas na EBD. Se considera um eterno aprendiz e apaixonado por Compartilhar a Palavra de Deus!

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