4 lições que podemos aprender com Joel na Bíblia

Joel é um dos profetas divinamente designados por Deus para alertar o povo de Judá sobre o julgamento vindouro e a restauração para aqueles que se arrependerem. Embora não se saiba muito sobre Joel, seu ministério contém importantes verdades espirituais. Verdades essas sobre a soberania de Deus, a promessa de julgamento de Deus e a esperança de restauração e derramamento do Espírito de Deus sobre aqueles que invocam o nome do Senhor.

Quem é Joel e o que sabemos sobre ele?

Como vários autores do Antigo Testamento, pouco se sabe sobre o profeta Joel. É claro que, como todos os profetas bíblicos, o foco do ministério e mensagem de Joel deve estar sempre naquele que o chamou para profetizar. Sabemos que foi Deus quem comissionou, capacitou e deu a Joel as palavras para falar aos anciãos de Judá (Jl 1:1-2).

Dito isto, há várias coisas que podemos aprender com o ministério e a mensagem de Joel que são aplicáveis ​​aos crentes, especialmente hoje. 

O que sabemos sobre o profeta Joel vem quase exclusivamente do livro relativamente curto e conciso do Antigo Testamento que leva seu nome. 

Muitos leitores também tendem a pular porções do Antigo Testamento, onde encontramos o livro de Joel e livros escritos por outros profetas. Embora o livro de Joel seja classificado como um dos doze profetas “menores” da Bíblia, não há nada menor em seu ministério ou mensagem.

O rótulo maior/menor não é uma nota ou classificação da qualidade da escrita de Joel ou o significado de seu ministério. O uso do termo “menor” é aplicado apenas à extensão do seu livro. Joel (3 capítulos) em comparação com alguns dos escritos mais longos de Jeremias (52 capítulos), Isaías (66 capítulos) e Ezequiel (48 capítulos). 

De fato, a mensagem de Joel é sem dúvida uma das mensagens mais oportunas e aplicáveis ​​do Antigo Testamento para crentes de todas as gerações.

Mas, quem é Joel e o qual o significado de seu nome? 

Bom, já vimos que a mensagem de Joel teve grande importância em seus dias. Mas quem é Joel e o que realmente sabemos sobre ele? 

Joel, cujo nome em hebraico significa “O senhor é Deus”, foi chamado para ministrar ao reino do sul de Judá. A maioria dos estudiosos da Bíblia concorda, por volta de 835 aC, quando Joás, então com sete anos, sentou-se no trono. 

Se essa data estiver correta, Joel teria sido contemporâneo do profeta Eliseu, que ministrou ao reino do norte de Israel na mesma época. 

Em seu livro, Joel se identifica como filho de Petuel. No entanto, este é um nome não mencionado em nenhum outro lugar do Antigo Testamento (Jl 1:1). 

De que tribo e região era Joel?

Alguns estudiosos acreditam que Joel pode ter sido um sacerdote da tribo de Levi, dada sua paixão por falar sobre sacrifícios no templo (Jl 1:9; 2:13-16). 

No entanto, sua familiaridade com a vida pastoral e agrícola sugere que ele provavelmente não era um levita ou um sacerdote. Pois, um levita e sacerdote tinha como sua única ocupação se concentrar na vida do templo, não no tipo de trabalho descrito por Joel.

Além da Bíblia, alguns registros históricos sugerem que Joel pode ser da tribo de Rúben e morou na cidade de Betom, ao norte do Mar Morto. No entanto, o contexto da profecia de Joel sugere que ele era da Judéia e viveu perto ou ao redor de Jerusalém, uma cidade com a qual ele parece familiarizado. 

Independentemente disso, o que sabemos sobre Joel, quem ele era e quando ministrou é provavelmente menos importante do que a mensagem que ele transmitiu.

Quais são os temas da mensagem de Joel?

Na época em que Joel profetizou para o reino do sul, Judá estava em um estado de desordem e declínio. Nações rivais como Tiro, Sidom e Filístia fizeram frequentes incursões em Israel, deixando a nação politicamente frágil. 

Mais importante, uma praga de gafanhotos recente devastou a economia de Judá (Jl 1:4). Foi um tempo de luto nacional, onde, como escreve Joel, “secam todas as árvores do campo. De fato, a alegria seca dos filhos dos homens.” (Jl 1:12)

Ao contrário de muitos dos profetas do Antigo Testamento, Joel não aborda especificamente o pecado ou a idolatria. Embora saibamos pelos outros profetas e livros da Bíblia que esse era um assunto recorrente. Em vez disso, Joel usa a recente calamidade da praga de gafanhotos para ensinar uma lição profética.

Qual foi essa lição? Falando aos anciãos de Judá (Jl 1:2), Joel chama todos os membros de Judá a levar a sério suas dificuldades atuais. Por quê? Porque por mais devastadora que tenha sido a praga de gafanhotos, não seria nada comparado ao que viria de Deus se as pessoas não se arrependessem e voltassem seus corações para Deus.

Ao longo do livro de Joel, o desastre é um tema proeminente. Enquanto Judá trabalhava para juntar os pedaços e se recuperar de um desastre físico, Joel desafia o povo a levar a sério o chamado de Deus ao arrependimento. Pois, assim evitariam um desastre espiritual ainda maior na forma do inevitável julgamento de Deus. 

É a isso que Joel se refere como o grande e terrível dia do Senhor. Frase mencionada dezenove vezes por oito profetas diferentes do Antigo Testamento, incluindo Isaías, Ezequiel, Amós, Obadias, Sofonias, Zacarias, Malaquias e Joel.

4. Lições que podemos aprender com Joel

Novamente, não se sabe muito sobre o próprio profeta além do que aprendemos com seus escritos. Mensagens ousadas, sucintas, sombrias e, em alguns lugares, esperançosas. Embora Joel tenha ministrado a Judá em um momento específico e entregue uma mensagem específica, há várias coisas sobre essa mensagem que são atemporais e aplicáveis ​​a crentes de todas as gerações.

1. O Dia do Senhor ainda está chegando

O tema do julgamento é inconfundível no livro de Joel. Ele profetizou que chegaria o dia em que o Deus soberano julgaria Seu povo e as nações que se rebelaram contra Ele. 

Sabemos pela história, no entanto, que o aviso de Joel foi amplamente ignorado. Como resultado, o dia do Senhor foi parcialmente cumprido por meio da conquista, invasão, destruição e cativeiro babilônico de Judá, cerca de duzentos anos depois.

No entanto, é importante reconhecer que o dia do Senhor também é um dia que ainda virá quando Cristo retornar. Pois, Deus em Sua soberania executará um grande e terrível julgamento final sobre aqueles que O rejeitaram. 

Como John MacArthur escreve em seu comentário, “é o dia do Senhor que revela o caráter (de Cristo), poderoso e santo, aterrorizando assim Seus inimigos”.

Dito isto, Joel profetiza que o julgamento pode ser evitado se o povo de Deus retornar ao Senhor e “rasgar seus corações e não suas vestes”. (Jl 2:13-17).

Não se trata de ritual ou sacrifício. Deus está procurando arrependimento completo e total e corações alinhados à Sua vontade, não às coisas deste mundo. 

Judá, como nação, rejeitou o chamado de Deus ao arrependimento e sofreu as consequências. As pessoas hoje são convidadas, por meio de Cristo, a fazer uma escolha diferente. Como (ou quem) escolhemos determinará nosso destino.

2. Deus usa o sofrimento físico para chamar nossa atenção

Joel compartilha como Deus usa a natureza e eventos como fome, peste, clima, exércitos invasores e fenômenos celestiais para chamar nossa atenção (Jl 1:5). 

Às vezes funciona e às vezes não. Além disso, o desespero, a crise e até mesmo as dificuldades pessoais podem levar nossos corações a Deus. Ou então, se endurecermos o coração, diante da verdade, seremos levados ainda mais ao desespero.

Deus, em Sua soberania, não tem medo de usar o sofrimento terreno e as dificuldades físicas para nos trazer de volta. Pois, Ele deseja nos desafiar, nos acordar para que voltemos nossos corações para Ele antes que seja tarde demais. 

Joel nos lembra que “o Senhor rugirá de Sião e trovejará em Jerusalém” (3:16)

Deus é bom, Deus é justo e Deus é soberano. Vemos isso em todo o livro de Joel. O importante é que o povo de Deus (então e agora) preste atenção ao que está acontecendo. E então encare qualquer sofrimento ou desastre como aviso do dia do Senhor e julgamento que aguarda aqueles que não se arrependerem. A este respeito, o julgamento de Deus, embora justo e justo, será terrível para muitos.

3. A Promessa da Presença de Deus é Nossa Esperança Final

Uma das principais profecias do profeta Joel que veio a se concretizar no livro de Atos foi o derramamento do Espírito Santo sobre os crentes. 

Joel escreve: “Acontecerá depois disso que eu (o Senhor) derramarei meu Espírito sobre toda a humanidade; e vossos filhos e filhas profetizarão, vossos velhos terão sonhos, vossos jovens terão visões. Até mesmo sobre os servos e as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. (Jl 2:28-29).

Para os crentes, a presença e a obra de Deus em nossas vidas devem ser nossa maior alegria.

No entanto, a promessa de restauração espiritual através do derramamento do Espírito Santo, como visto no Dia de Pentecostes, é apenas uma amostra da glória que teremos após o dia de o Senhor.

4. O julgamento de Deus é grande para aqueles que pertencem a Deus

Dentro da visão de Joel de julgamento e destruição vindouros, há também uma promessa de esperança, restauração, bênção e prosperidade. Essa promessa é para os justos e aqueles que “invocam o nome do Senhor” (Jl 2:32). 

Muitos não veriam o julgamento vindouro como algo pelo qual esperar. Para os ímpios e impenitentes, não é. No entanto, para aqueles que foram justificados por meio da salvação expiatória de Jesus Cristo, o julgamento de Deus não é algo a temer.

Aqueles que conhecem a Deus e estão corretos com Ele estarão diante do juiz com confiança, sabendo que Ele governará com justiça. 

O julgamento de Deus será derramado sobre os ímpios, mas como resultado do dia do Senhor, a bênção de Deus será derramada sobre Seu povo. Assim como Sua restauração. 

“Então eu vou compensar você pelos anos que o gafanhoto enxame comeu, o gafanhoto esfolador e o gafanhoto roedor.” (Jl 2:25).

A promessa de restauração de Deus, nisso, é tripla, como John MacArthur resume:

  1. Restauração material através da cura divina da terra (Jl 2:21-27).
  2. Restauração espiritual através do derramamento divino de Seu Espírito (Jl 2:28-32).
  3. E Restauração nacional através do julgamento divino sobre os injustos (Jl 3:1-21).

Joel promete que esse dia está chegando. Todos devem olhar para os sinais físicos e maravilhas da terra como um lembrete da soberania de Deus e do julgamento vindouro. No entanto, para aqueles que buscam o Senhor e “rasgam seus corações e não suas vestes”, o dia do Senhor será com grande alegria, não terror.

Conclusão

Deus é soberano e Deus é justo. Deus é bom e, como vemos através da mensagem de Joel. Ele muitas vezes usa calamidade e dificuldades para reconquistar o coração de Seu povo.

Olhando para os eventos anteriores (no caso de Joel, desastre) e apontando para as coisas por vir (o dia do Senhor e o derramamento do Espírito Santo), Joel lembra aos crentes de todas as gerações ver Deus por quem Ele é. Não importa as circunstâncias, Deus está no controle e sentado em Seu trono.

Como Joel escreve, “não temas, ó terra, regozija-te e alegra-te, porque o Senhor fez grandes coisas”. Então “regozijai-vos, ó filhos de Sião, e regozijai-vos no Senhor vosso Deus; porque Ele te deu a chuva temporã para a tua justificação.” (Jl 2:21-23).


Autor Joel Ryan.

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