O ESTILO DO PREGADOR ➡ COMO TER UM BOM ESTILO

O ESTILO DO PREGADOR

O estilo é a assinatura do pregador no sermão. É a combinação de ritmo, metáfora, dicção, voz, pausa e tudo mais que coloca a estampa individual do pregador no sermão.

Na realidade, o estilo expressa a própria personalidade do pregador. Isso significa então que o estilo é uma propriedade individual tão íntima e peculiar que não pode ser imitado.

Você pode até aprender com o estilo de outro pregador, mas nunca copiá-lo.

É impossível copiar o estilo de outro sem se tornar artificial porque o público vai perceber que o pregador não passa de um ator no palco.

Partindo dessa premissa, melhorar o estilo nada mais é do que melhorar o pregador.

Aprimorar o estilo pessoal nada mais é do que aprimorar-se como pregador.

Portanto, as técnicas sugeridas abaixo para o aprimoramento do estilo não são outra coisa senão sugestões para o desenvolvimento do pregador como pessoa e como profissional.

SEGREDOS DE UM BOM ESTILO DO PREGADOR

SEGREDOS DE UM BOM ESTILO DO PREGADOR

Há alguns segredos que ajudam o pregador, dando-lhe um estilo atraente e poderoso. Fundamentalmente, os segredos de um bom estilo escondem-se atrás das palavras.

São elas que vão mostrar a “cara” do estilo, por isso, devem ser bem escolhidas.

Mark Twain dizia que “a diferença entre a palavra certa e a palavra quase certa é a diferença entre o relâmpago e o vaga-lume”.

Essa é a diferença de brilho que as palavras produzem na mente dos ouvintes.

Segundo Haddon Robinson, nossa escolha das palavras é chamada estilo, a vestimenta do pensamento.

Afinal, o estilo reflete como pensamos e como vemos a vida.

Robinson diz que as palavras podem ser lustrosas ou insípidas, duras como um soco ou fracas e débeis, confortáveis como um travesseiro ou frias como o aço, e podem fazer o ouvinte se sentir no céu ou no esgoto.

Veja quão grande é a responsabilidade do pregador no uso das palavras.

O sábio Salomão conhecia muito bem o segredo de um estilo por trás das palavras.

Foi por isso que disse: “Procurou o pregador achar palavras agradáveis, e escrever com retidão palavras de verdade” (Eclesiastes 12:10).

Se a escolha das palavras é tão decisiva para o efeito do sermão, então vale a pena encontrar a melhor maneira de escolher as palavras.

Vejamos, portanto, alguns desses segredos por trás das palavras.

1. SEJA SIMPLES E CLARO (ESTILO DO PREGADOR)

Procure usar palavras comumente entendidas por todos os grupos de pessoas.

“Enquanto não penetrar na mente, uma palavra é apenas um sopro ou uma camada de tinta”, dizia Edward Thorndike.

Palavras que não nos são familiares revelam-se mais áridas que um deserto e totalmente inúteis para a maioria dos ouvintes.

Após ouvir um pregador pedante, desses que gostam de exibir seu vocabulário, um membro da igreja comentou:

”Acho que eu trouxe o livro errado para a igreja hoje, da próxima vez, em lugar da Bíblia, vou trazer o dicionário”.

Jamais deveria ser esse o sentimento do ouvinte após o sermão.

Lutero dizia que ninguém pode ser bom pregador se não conseguir falar na
linguagem das crianças.

Wesley, antes de pregar lia seu sermão para a empregada doméstica.

O que ela não entendia, ele riscava. Pregar assuntos profundos em linguagem simples ou infantil é coisa de gênio.

Spurgeon comparava a clareza de estilo a um poço: quanto mais água, mais raso ele parece; quanto mais vazio, mais o poço tem aparência de profundidade.

E acrescenta com o seu estilo peculiar: “Creio que muitos pregadores ‘profundos’ são assim apenas porque são como poços secos, sem nada dentro, exceto folhas podres, algumas pedras, e talvez um ou dois gatos mortos.

Se houver águas vivas em sua pregação, esta pode ser muito profunda, mas a luz da verdade lhe dará clareza”.

2. PREFIRA POUCAS PALAVRAS (ESTILO DO PREGADOR)

VOCABULÁRIO DO PREGADOR

Nunca use duas palavras quando uma é o suficiente.

Eliminar as palavras supérfluas de um texto é uma arte muito mais difícil do que acrescentar palavras.

Mas essa arte pode ser desenvolvida, e a melhor maneira de fazê-lo é compreender a função das palavras.

Na linguagem, existem várias classes de palavras. Duas delas são essenciais: os substantivos, que dão nome aos seres, e os verbos que expressam ações, ou seja, os seres praticam ações.

Quanto mais substantivos e verbos, mais a linguagem tem vida e movimento.

As outras classes de palavras poderiam ser chamadas de acessórios a serviço do substantivo e do verbo, pois geralmente têm a função de qualificar ou identificar o tipo de substantivo ou verbo.

Por falta de conteúdo, enchemos a linguagem desses acessórios, tornando a comunicação cansativa e pobre.

Um bom estilo para o pregador eliminará todos os adjetivos e pronomes possíveis, utilizando- os com raridade no momento certo e na posição exata.

O adjetivo, por exemplo, é como uma pedra preciosa.

Um caminhão de pedras preciosas não destacaria o valor de nenhuma delas.

Mas uma pedra preciosa no meio de outros objetos chama a atenção por seu brilho e beleza.

Assim é o adjetivo no meio dos substantivos: deve ser usado com bom gosto para dar brilho no lugar certo.

Por exemplo, em vez de dizer: “esta manhã ensolarada, encantadora e maravilhosa”.

Diga apenas: “esta manhã”.

Assim você evitará dizer três adjetivos desnecessários.

➡ MELHORE SEU ESTILO

Eis uma boa regra: use o adjetivo apenas como recurso para trazer efeito.

Por exemplo: “Nesta manhã gelada, precisamos de calor espiritual”. Nesse caso, o adjetivo “gelada” tem o propósito de contrastar com o calor espiritual.

O mesmo ocorre com os outros acessórios da linguagem.

A maioria dos pronomes pode ser eliminada ou substituída por artigos, que são palavras leves.

Em vez de dizer, por exemplo, “precisamos de amor no nosso coração”, diga: “precisamos de amor no coração”.

Observe que ninguém pode ter amor no coração de outros e sim no próprio coração.

Portanto, o pronome “nosso”, nesse caso, é vazio e desnecessário, prejudicando o estilo.

Evite também o uso de “seu” e “sua”, quase sempre desnecessários e às vezes ambíguos.

Também diminua ao máximo o uso dos advérbios “geralmente, especialmente, fundamentalmente, basicamente, propriamente” e tantos outros “mentes” que não dizem “absolutamente” nada.

Note que o “absolutamente” foi usado de propósito para dar ênfase ao “nada”, como exemplo de um uso apropriado do advérbio.

Portanto, de vez em quando, e usado economicamente, o advérbio faz bem.

O problema está no abuso, pois além de cortar do texto esses acessórios, você pode cortar também os detalhes irrelevantes.

Se vai contar uma ilustração, mencione só os fatos que servem ao propósito da mensagem, deixando de lado os detalhes insignificantes que não acrescentam nada ao assunto principal.

Com isso o sermão ficará enxuto, e o estilo, agradável.

3. PREFIRA PALAVRAS VIVAS

QUEM DEUS ESCOLHEU PARA ADMINISTRAR OS DÍZIMOS E OFERTAS

Algumas palavras expressam mais do que outras, tornando-se, portanto, mais vivas. As palavras vivas possuem as seguintes características:

ESPECÍFICAS E CONCRETAS

As palavras específicas criam muito mais imagens na mente dos ouvintes que as palavras gerais e, por isso, expressam mais idéias.

Em vez de dizer “frutas”, diga “banana, melão e maçã”.

Em lugar de “colorido”, prefira “azul, verde ou vermelho”. No lugar de “roupa”, prefira “vestido, paletó e gravata”.

Em vez de dizer: “Cristo salva do pecado”, diga “Cristo salva do vício, da inveja e da desonestidade”.

Como as palavras específicas, as concretas também têm maior expressividade que as abstratas, e os substantivos concretos são mais fortes que os abstratos.

Procure usar palavras panorâmicas que pintem quadros na mente dos ouvintes.

Fale de sons, de coisas que podem ser vistas e apalpadas.

Em vez de falar de distância, prefira metros ou quilômetros.

Em vez de dizer “muito tempo” ou “pouco tempo”, prefira meses, semanas ou horas.

E Em vez de “bens materiais”, prefira computador, videocassete, carro ou apartamento.

O estilo de Cristo seguia esse princípio. Quando queria falar de crescimento físico, ele dizia “acrescentar um côvado à estatura”.

Em lugar de “ansiedade”, referia- se à preocupação com “o que haveis de comer ou beber”, e o “que haveis de vestir” (Mt 6.25-29).

PESSOAIS

O tratamento pessoal é muito poderoso na comunicação porque aproxima as pessoas. Às vezes é pouco usado no púlpito.

Tradicionalmente, a linguagem eclesiástica tende a distanciar o pregador do ouvinte.

O uso do pronome “você”, por exemplo, é mais íntimo e informal.

Aliás, parece que alguns pregadores têm medo de usar “você”, como se fosse uma forma inferior de tratamento.

Mas é exatamente o contrário.

Segundo Haddon Robinson, a forma de tratamento vocês dá ao ministro e ao auditório um senso de união.

Tudo que se usa numa conversa educada é apropriado e deve ser usado na pregação.

ENERGÉTICAS

Algumas palavras têm mais energia do que outras.

Energia é a qualidade que dá força ao estilo e faz com que a mente do ouvinte seja tocada e atingida.”

Especialmente as palavras figuradas são carregadas de energia, porque criam várias imagens na mente do ouvinte.

Uma metáfora é uma corrente elétrica na imaginação do ouvinte, porque faz a mente vibrar com a beleza da ideia.

Observe que nessa frase a metáfora foi definida com outra metáfora: “corrente elétrica”.

Esta expressão pinta o quadro de transmissão de energia.

Quando Cristo disse “eu sou a videira, e meu pai é o agricultor”, ele deu energia ao discurso.

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4. PREFIRA FRASES CURTAS E DIRETAS (ESTILO DO PREGADOR)

O ESTILO DO PREGADOR NA PREGAÇÃO

Orações simples, construídas com sujeito e predicado soam como conversa e são agradáveis de ouvir.

Evite os períodos longos, com amontoado de palavras que não acrescentam nada e obscurecem o pensamento.

Use orações breves. Use e abuse da vírgula e do ponto.

Seja objetivo e direto, simplifique, agrade, comunique.

Observe que uma única palavra, um verbo, pode ser uma frase completa cheia de significado.

Falando assim, você será entendido e será ouvido!

Também dê preferência às orações construídas na ordem direta: sujeito, verbo e complemento.

Em vez de dizer: ”Andava pela praça uma simpática moça”, diga: “Uma moça simpática andava pela praça”.

Nos verbos, prefira a voz ativa sempre que possível.

Em vez de dizer “somos esmagados pelo peso do pecado”, há melhor efeito em dizer “o peso do pecado nos esmaga”.

De vez em quando, pode-se usar a frase na ordem indireta ou a voz passiva para dar efeito, mas na maioria dos casos prefira a ordem direta e a voz ativa.

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