Em que os católicos acreditam? Onde as crenças católicas diferem das protestantes?

As crenças de diferentes denominações cristãs causaram ao longo da história disputas envolvendo distintivos da fé. Como por exemplo: Com que frequência participar da comunhão ou se salvação está somente em Jesus. 

Embora católicos e protestantes compartilhem algumas crenças paralelas, existem algumas não negociáveis, conforme descrito abaixo. O relacionamento se acalmou, mas as diferenças de mudança de vida permanecem.

O Credo dos Apóstolos denota toda a igreja cristã como a santa igreja católica. Nesse sentido, a palavra, católica, refere-se à universal e verdadeira Igreja cristã de todos os tempos e lugares. 

Para fins de esclarecimento, usaremos a frase católico(s) romano(s) para nos referirmos àqueles que aderem à doutrina católica atual.

Principais Crenças dos Católicos Romanos

O batismo é necessário para a salvação

A Bíblia diz claramente que somos salvos somente pela graça, não pelas obras (Efésios 2:4-9). 

Sendo assim, afirmar que o batismo é necessário ou um pré-requisito para a salvação é um falso ensino. 

Os católicos romanos acreditam que Deus concede Sua graça salvadora por meios físicos (como a água batismal e a comunhão). 

Acredita-se que o clero tenha a autoridade dada por Deus para facilitar tais rituais. Sua cerimônia (no domínio da graça) purifica uma criança do pecado original, restaura e integra ela em Cristo e Sua Igreja.

A reverência a Maria.

Os católicos romanos dão a Maria (a mãe de Jesus) uma posição exaltada como mediadora entre o homem e Deus, e oram a ela

No entanto, a Bíblia diz: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem” (1 Timóteo 2:5).

Diz-se também que Maria foi concebida no ventre de sua mãe de maneira normal, mas nasceu sem pecado original. 

A tradição católica acrescenta que ela também viveu uma vida sem pecado, mas Romanos 3:23 contradiz isso. “Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Maria não deve receber um status especial sem pecado, pois somente Jesus viveu uma vida sem pecado (Hebreus 4:15).

Purgatório.

De acordo com a doutrina católica romana, purgatório é definido como um lugar ou estado de sofrimento habitado pelas almas dos pecadores que estão expiando seus pecados antes de ir para o céu. 

Como seus pecados são removidos? Ao rezar pelos mortos. Acreditam os católicos.

Os protestantes acreditam que enquanto uma pessoa respira, há uma chance de aceitar Jesus como Senhor e Salvador. Uma vez morto, todas as chances estão perdidas, pois uma pessoa salva vai para o paraíso (Lucas 23:43) e uma pessoa não salva vai para o inferno (Mateus 25:31-46; Hebreus 9:27). 

As indulgências

São um pagamento à igreja (o papa) pelo perdão dos pecados por meio de certas peregrinações, construção de edifícios ou pagamentos. 

Este é um grande ponto de discórdia para os protestantes, pois Jesus é o único que pode perdoar pecados por sua graça. A obra da salvação é feita por Ele. Nossa escolha é aceitar Sua obra (Romanos 6:23) e negar a nós mesmos diariamente (Mateus 16:24).

No livro de Atos, um feiticeiro chamado Simão procurou comprar o poder do Espírito Santo quando viu Pedro e João impondo as mãos sobre as pessoas. 

Pedro e João o repreenderam profundamente:

“Seu dinheiro pereça com você, porque você pensou que o dom de Deus poderia ser comprado com dinheiro! Você não tem parte nem porção neste assunto, pois seu coração não é reto aos olhos de Deus. Arrependa-se, portanto, desta sua maldade e ore a Deus se talvez o pensamento de seu coração possa ser perdoado. Pois vejo que você está envenenado pela amargura e preso pela iniquidade” (Atos 8:20-23). 

Esta passagem trata do dom do Espírito Santo, mas o perdão dos pecados está ligado a Ele.

Sacerdotes/Confissão.

Os católicos romanos acreditam que os pecadores devem ir diante de um padre para a absolvição dos pecados. 

É verdade que devemos confessar uns aos outros (Tiago 5:16), mas o sacerdote é inadequado para perdoar os pecados de uma pessoa porque ela, como o sacerdote levítico, tem seus próprios pecados a confessar para Deus.

O relato em Lucas 5:21-26 prova que Só Deus pode perdoar os pecados do homem contra Ele. E 1 João 1:9 contraria a crença de que a intervenção de um sacerdote é necessária. O versículo diz:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. 

O pronome “Ele” refere-se a Deus. O Salmo 32 é outro excelente exemplo de como podemos nos apresentar ao Senhor com nossas petições de perdão.

Somente a obra expiatória perfeita de Jesus traz perdão a nós que cremos Nele. 

A Bíblia assume uma posição enfática de que Jesus é nosso sumo sacerdote (Hebreus 4:14-16, 7:27), e nenhum mero homem pode conceder o perdão dos pecados que purifica o pecador.

Eucaristia/Transubstanciação.

Os católicos romanos acreditam que, durante o serviço de comunhão, os elementos que eles compartilham (o vinho e o pão) tornam-se o sangue e o corpo reais de Jesus. 

Mateus 26:26-29, Marcos 14:22-25, Lucas 22:14-23 e 1 Coríntios 11:23-26 são os textos que ordenam nossa observância regular da Mesa do Senhor para lembrar o que Ele fez por nós. 

Quando Jesus disse “este é o meu corpo” e “este é o meu sangue”, ele falou metaforicamente. Ele morreu uma vez por todos os pecados. 

Dizer que Seu sangue e corpo literais ainda são essenciais hoje para a obra salvífica é dizer que Sua obra na cruz foi incompleta na melhor das hipóteses e ineficaz na pior.

Pedro e o Papa.

A fé católica romana nomeou o apóstolo Pedro como o primeiro papa, usando Mateus 16:18 como texto base, onde Jesus disse a Pedro:

“E eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. 

No entanto, Jesus está falando da verdade que Pedro falou na passagem anterior: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16). Jesus constrói Sua igreja.

Uma olhada honesta no texto parece indicar que Jesus estava de fato falando com Pedro como a rocha, mas é claro que não da maneira que os católicos romanos entendem. 

Pedro foi a ferramenta escolhida para edificação da igreja. Atos 2 dá conta de Pedro como ele obedeceu a Grande Comissão. 

Além disso, se Pedro era quem os católicos romanos dizem, não faz sentido que Paulo se opusesse a ele com autoridade em Antioquia (Gálatas 2:11-14).

Desde o seu início, a fé católica romana elevou o papa e os concílios da igreja (sobre a autoridade de ensino) ao mesmo nível da Bíblia, e sua autoridade suplanta a das Escrituras. 

Sim, os católicos romanos acreditam em Jesus como o Filho de Deus e na Bíblia como a Palavra de Deus inspirada e livre de erros, mas também acreditam que a tradição da igreja tem um lugar de autoridade. 

Em última análise, os líderes católicos romanos se consideram a autoridade final sobre o significado e a aplicação das Escrituras.

O que trouxe o debate cristão Católico vs. Protestante?

Martinho Lutero era um “monge perturbado” que, quando designado para chefe de estudos bíblicos na Universidade de Wittenberg, ficou cativado pelas palavras de Cristo enquanto Ele estava pendurado na cruz. 

Ele se perguntou como o Salvador sem pecado poderia clamar tais palavras ao Pai (Meu Deus! Meu Deus! Por que você me abandonou?) (Mateus 27:46; Marcos 15:34).

Os estudos de Lutero o levaram à epístola de Paulo aos Romanos e, em particular, ao versículo 1:17, no qual é declarado: “O justo viverá pela fé”. 

Ele disse: “Então compreendi que a justiça de Deus é aquela pela qual, Deus nos justifica pela fé”, pela graça e pura misericórdia. 

Destemido, Lutero manteve suas convicções e confrontou a igreja romana. 

A prática das indulgências o enfureceu, e ele pregou contra ela em seus sermões, especialmente depois que um padre dominicano viajou por toda a Alemanha em busca de fundos para uma nova basílica e se gabou de que com doações uma pessoa não apenas seria perdoada, mas a estenderia além do túmulo para almas livres do purgatório.

Em 31 de outubro de 1517, Lutero provocou a tempestade de católicos vs. protestantes. 

Naquele dia crucial, o início da Reforma, Martinho Lutero afixou suas noventa e cinco teses na porta da igreja em Wittenberg, Alemanha. 

Uma bula papal foi emitida e se referia a Lutero como “Um Javali na Vinha”, e “quarenta e uma de suas crenças foram condenadas como heréticas.

Além disso, a ​​bula ordenou a Lutero que renunciasse às suas declarações ou enfrentasse consequências terríveis. 

Como resultado, a Reforma Protestante instigou o grito de guerra de católicos contra cristãos protestantes

Até hoje, a hierarquia católica romana não renunciou à decisão tomada no Concílio de Trento (1545-1563), que dizia: “Se alguém disser que somente pela fé os ímpios são justificados, seja anátema”.

As crenças católicas diferem do cristianismo tradicional?

O catolicismo romano difere do cristianismo protestante por muitas razões. A religião cristã e sua teologia incluem três divisões principais: catolicismo romano, ortodoxia oriental e protestantismo (a ortodoxia oriental segue a inspiração da igreja ao lado das Escrituras). 

O cristianismo tradicional é englobado (na maior parte) no que chamamos de protestantismo. Os protestantes são participantes de um corpo cristão originário da Reforma do século XVI que se opunha à autoridade papal.

Os católicos romanos acreditam que são a igreja cristã original e primeira. Os protestantes seguem os ensinamentos de Jesus Cristo revelados no Antigo e no Novo Testamento e acreditam que a Igreja Católica Romana originou-se da igreja cristã original, mas se tornou corrupta por dentro. 

Os fundamentos da teologia protestante são das doutrinas da Reforma: os cinco solas (termo latino que significa somente): somente a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a fé e somente a glória de Deus. 

A doutrina católica romana acrescenta à Escritura pela tradição e pelos decretos de seu corpo governante. Ela também eleva seus ensinamentos como equivalentes ou acima das Escrituras.

O que os cristãos devem saber sobre como abordar esse assunto?

As Escrituras estão repletas de mandamentos sobre como devemos viver como seguidores de Cristo (Mateus 7:12; Efésios 5:1-7, 15-21; Filipenses 1:10, 27-28; 2:15; Colossenses 1:10). 

Enquanto devemos discernir nosso ambiente como guiado pelo Espírito, devemos andar com cuidado (Efésios 5:11). 

Seja sóbrio e vigilante em oração (1 Pedro 5:8) enquanto o Senhor revela oportunidades de falar a verdade aos outros.

Ao falar com alguém de uma fé diferente, é primordial que abordemos nossas conversas com amor, compaixão e um desejo sincero de glorificar o Senhor por meio disso. 

Ouvir bem é outra advertência. Pois, mostra nossa compaixão. Enquanto caminhamos em vitória com Cristo, ore para ser a fragrância da vida (2 Coríntios 2:14-17).

Autora Lisa Loraine Baker adaptado por Biblioteca do Pregador.

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