Salmo 32 Estudo: Explicação versículo por versículo

No Salmo 32 Davi confessa e celebra o perdão divino.

O Salmo 32 é o segundo dos sete salmos penitenciais (ver Sl 6). Davi escreveu-o depois de confessar a Deus seus pecados de adultério, homicídio e dissimulação (ver 51; 2 Sm 11 – 12).

Em 51:13, fez um voto solene de compartilhar com outros essa experiência que havia lhe custado tão caro, e esse salmo é uma parte do cumprimento de tal promessa.

Trata-se do primeiro salmo Maschil (ver 42, 44, 45, 52-55, 74, 78, 88, 89, 142), termo que já recebeu várias interpretações: “um cântico astucioso, um cântico de instrução, um poema contemplativo”.

O termo significa “instrução” traduzido dessa forma no versículo 8. No entanto, é possível que Maschil seja uma instrução musical, cujo significado ainda é desconhecido.

Esse salmo, os judeus usam no final da comemoração anual do Dia da Expiação. De acordo com o calendário eclesiástico, deve se ler na Quarta-Feira de Cinzas. Paulo cita os versículos 1 e 2 em Romanos 4:7, 8 como parte de sua argumentação em favor da salvação exclusivamente pela graça, sem as obras da lei.

Quem escreveu o Salmo 32?

No subtítulo do Salmo afirma “Masquil de Davi”, deixando claro Davi como autor deste Salmo.

Neste salmo, Davi fala de quatro fatos básicos sobre o pecado e o perdão que os cristãos devem compreender.

Esboço do Salmo 32

1. A BÊNÇÃO DA aceitação (Salmo 32:1, 2)

2. A INSENSATEZ DA IMPENITÊNCIA (Salmo 32:3, 4)

3. O CAMINHO DO LIVRAMENTO (Salmo 32:5-7)

4. A ALEGRIA DA OBEDIÊNCIA (Salmo 32:8-11)

1. A BÊNÇÃO DA aceitação (Salmo 32:1, 2)

Em vez de começar com uma lista de seus pecados, Davi inicia o salmo com um cântico de louvor para toda a congregação ouvir.

A primeira bem-aventurança de Salmos bendiz os obedientes (1:1), enquanto esta abençoa desobedientes perdoados (para outras bem-aventuranças, ver 34:8; 40:4; 65:4; 84:5,12; 94:12; 112:1).

Em termos cronológicos, sua experiência de perdão ocorreu bem depois de os pecados terem sido cometidos e de ele os ter encoberto por quase um ano (vv. 3-5).

Porém, uma vez que passou a desfrutar da liberdade do perdão, Davi não pôde esperar para proclamar essa bênção. Se temos a aceitação de Deus, não importa o que mais nos aconteça.

A iniquidade (em algumas versões “transgressão”; v. 1) refere-se a “passar dos limites” e a se rebelar contra Deus.

Davi conhecia os Dez Mandamentos e sabia que proibiam o adultério, o homicídio e a falsidade. O pecado diz respeito a “errar o alvo” e a não viver dentro dos padrões determinados por Deus. Iniquidade (v. 2) quer dizer “distorção” e descreve o que acontece no caráter do pecador. Doloso refere-se à “dissimulação”.

Davi tentou encobrir seus pecados e fingir que nada havia acontecido, mas o Senhor o disciplinou até ele confessar que havia pecado. Esses termos voltam a aparecer no versículo 5.

Perdoar quer dizer “remover um fardo”. O perdão é retratado pelo “bode expiatório” no Dia da Expiação, pois esse animal simbolicamente “carregava” os pecados do povo para o deserto (Lv 16:20-22; Sl 103:12; Jo 1:29).

Como Adão e Eva (Gn 3:8), Davi tentou “encobrir” seus pecados, mas não foi bem-sucedido. Trata-se de um expediente que nunca funciona (Pv 28:13), pois quando Deus cobre os pecados que lhe confessamos, Ele os lança fora para nunca mais lembrar (ver Is 38:17; 43:25; 44:22; Jr 31:34; Mq 2:18,19; 1 Jo 1:7-9).

No Dia da Expiação, o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício sobre o propiciatório e, com isso, cobria os pecados que o povo havia cometido. Atribuir tem o sentido de “imputar” e, nesse caso, usado como um termo de contabilidade, que significa “colocar na conta, acrescentar ao registro”.

Quando confessamos nossos pecados, Deus cancela a dívida e a remove de seus registros. Essas dívidas “não contam mais”, pois Jesus Cristo pagou por elas na cruz, e seu sangue limpa todo o registro, bem como o coração do transgressor.

O perdão do Senhor é, sem dúvida alguma, motivo para cânticos. Infelizmente, muitos filhos de Deus não dão o devido valor a essa bênção.

2. A INSENSATEZ DA IMPENITÊNCIA (Salmo 32:3, 4)

Nesta parte do salmo, Davi conta a própria história e admite abertamente que foi insensato ao tentar esconder seus pecados durante quase um ano. Como disse Charles Spurgeon:

“Deus não permite que seus filhos pequem com sucesso”.

E John Donne escreveu:

“O pecado é uma serpente, e aqueles que o encobrem mantêm aquecido esse réptil venenoso para que possa picar com mais violência e espalhar seu veneno e malignidade de modo mais eficaz”.

O Senhor disciplinou Davi durante quase um ano e o fez infeliz até que o rei parou de mentir, humilhou-se diante de Deus e confessou seus pecados. Essa disciplina não é como aquela de um juiz que castiga um criminoso; antes, é como a disciplina de um pai amoroso, que trata de seus filhos desobedientes a fim de conduzi-los, por sua própria vontade, ao arrependimento.

De acordo com Hebreus 12:1-13, a disciplina de Deus é prova de que ele nos ama e está verdadeiramente interessado em seus filhos.

O que aconteceu com Davi durante esses meses tão difíceis? Dentre outras coisas, sua saúde se deteriorou. É provável que tivesse cerca de 50 anos de idade quando desobedeceu ao Senhor, mas começou a se sentir e a parecer um homem idoso e enfermo.

Ao contrário de sua robustez e disposição habituais, as dores constantes por todo o corpo (ver 51:8) o faziam gemer. A mão de Deus pesava sobre ele e, ao invés de se sentir forte e revigorado, estava debilitado, murcho como uma planta durante a estação seca (ver 38:2 e 39:10). Não sabemos se o rei sofreu de uma febre que o desidratou.

De qualquer modo, sua aflição era intensa, pois sua consciência o acusava, sua mente estava repleta de preocupações (“Quando serei desmascarado?”) e seu corpo se encontrava enfermo. Mas a dor valeu a pena, pois o conduziu de volta ao Senhor.

3. O CAMINHO DO LIVRAMENTO (Salmo 32:5-7)

O Senhor enviou o profeta Natã para confrontar Davi com seus pecados e lhe transmitir a mensagem do perdão de Deus (2 Sm 12). A confissão de Davi:

“Pequei contra o Senhor” foi respondida com a declaração: “Também o Senhor te perdoou o teu pecado” (2 Sm 12:13).

O rei não precisou fazer penitência nem passar por um “período de surto”; tudo o que teve de fazer para que o Senhor o perdoasse foi confessar sinceramente seus pecados (1 Jo 1:9). O fardo da transgressão foi removido, a dívida foi cancelada, o que estava distorcido se endireitou, e o Senhor não registrou os pecados de Davi.

Em vez de nos imputar nossos pecados, o Senhor coloca em nossa conta a retidão de Cristo, nos aceitando em sua família por meio de seu Filho (ver Rm 4:3ss; 5:13; 2 Co 5:19-21; Gl 3:6). Davi não ofereceu qualquer justificativa, mas admitiu seu pecado e culpa diante de Deus.

A culpa é para a consciência aquilo que a dor é para o corpo: ela nos diz que algo está errado e deve ser tratado, do contrário, as coisas podem piorar.

A promessa aplica-se a todos (“todo homem piedoso”, ou seja, os escolhidos, o povo de Deus; 4:3), e devemos confessar nossos pecados imediatamente, no momento em que os descobrimos e enquanto podemos encontrar Deus (69:14; Is 55:9; Pv 1:24-33).

As águas da disciplina ficam cada vez mais profundas, e a tempestade torna-se cada vez mais intensa, portanto, não devemos tentar o Senhor!

No entanto, o perdão de Deus não é algo negativo; o Senhor acrescenta bênçãos maravilhosas para nos ajudar em nosso caminho rumo à recuperação. Davi trocou seus esforços para esconder os pecados por um esconderijo no Senhor. Deus removeu suas tribulações e colocou um muro a seu redor.

Mas será que Davi merecia essas bênçãos? Claro que não – nem nós tampouco! Porém, essa é a graça de Deus que se encontra em Jesus Cristo, nosso Senhor. Nas palavras de Alexander Maclaren:

“O beijo de perdão do Senhor remove todo o veneno da ferida”.

Isso não significa que Davi não sofreu com as consequências de seus pecados. Em sua graça, Deus nos perdoa, mas em sua soberania ele diz: “Você terá de ceifar aquilo que semeou”. Bate-Seba concebeu e deu à luz um filho, mas o bebê morreu. Amnom, o filho de Davi, estuprou sua meia-irmã, Tamar (2 Sm 13), e foi morto por Absalão, outro filho de Davi.

Absalão tentou usurpar o trono do pai e foi morto por Joabe (2 Sm 14 – 18). Quando Davi estava próximo da morte, seu filho Adonias tentou usurpar o trono de Salomão (1 Rs 1) e também foi morto.

Mas Davi enfrentou todas essas calamidades com ajuda de Deus e viveu o suficiente para juntar o material necessário para que Salomão (o segundo filho de Bate-Seba) construísse o templo.

Depois que Davi foi perdoado e restaurado, dirigiu-se ao santuário para adorar ao Senhor (2 Sm 12:15-23), e lá, com outros adoradores, foi cercado de “cantos de livramento”, ou seja, de louvores a Deus por sua misericórdia. Era exatamente isso o que Davi precisava ouvir!

4. A ALEGRIA DA OBEDIÊNCIA (Salmo 32:8-11)

Nos versículos 8 e 9, Deus fala a Davi, garantindo a seu servo que a alegria da salvação lhe será restaurada (51:12) se ele obedecer ao Senhor e andar em seus caminhos.

O raciocínio incorreto de Davi o havia colocado em sérios apuros, mas o Senhor o instruirá, guiará e o manterá sobre ele seu olhar amoroso (ver 33:18; 34:15). A fé de Davi (vv. 5, 6) deve redundar em obediência, pois é preciso que a fé e as obras andem juntas. Deus não nos perdoa para que possamos voltar a pecar! “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (130:4).

Ao contemplar Bate-Seba, desejá-la e, em seguida, cometer adultério e matar o marido dela, Davi acreditou que estava agindo como um homem livre, mas para Deus, ele estava agindo como um animal.

Somos feitos à imagem de Deus, mas quando escolhemos deliberadamente nos rebelar contra a lei de Deus, decaímos até uma condição que algumas traduções mais antigas da Bíblia chamam de “bestial, estúpida” (ver 92:6; 94:8; Jr 10:8, 14, 21), e que as traduções mais modernas chamam de “insensata”.

Davi precipitou-se impetuosamente como um cavalo e tentou encobrir seus pecados obstinadamente como uma mula. A única maneira de controlar os animais é domá-los e arreá-los, mas Deus não queria fazer isso com Davi, seu servo amado. Em vez disso, o Senhor lhe ensinaria sua Palavra e o manteria sob suas vistas, cercando-o de misericórdia (ver 23:6).

Quando se juntou aos outros adoradores no santuário de Deus (vv. 1, 2), Davi começou seu cântico com o anúncio jubiloso de que Deus o havia perdoado. Agora, encerra o salmo exortando os outros fiéis a celebrar com ele a alegria do Senhor. “Alegrai-vos! Regozijai-vos! Exultai!”

Anos depois, seu filho Salomão escreveria:

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13).

Significado de Masquil de Davi (Spurgeon)

Masquil de Davi.” Não é somente esse título que prova que Davi escreveu este salmo gloriosamente evangélico, mas também as palavras do apóstolo Paulo registradas em Romanos 4.6-8:

“Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado”.

É provável que esse arrependimento profundo do grande pecado que Davi cometeu tenha sido seguido por tamanha paz feliz que ele foi levado a derramar o espírito na música suave dessa canção seleta. Segundo a ordem histórica, este Salmo vem depois do Salmo 51. Masquil é um novo título para nós. Indica que este é um Salmo instrutivo ou didático.

A experiência do crente oferece instrução preciosa para os outros, revela as pisadas do rebanho e, assim, consola e dirige os fracos. Talvez, neste caso, fosse importante antepor a palavra para que os santos duvidosos não fiquem a imaginar que o Salmo é a expressão peculiar de um indivíduo singular, mas que eles podem apropriar-se dele como lição dada pelo Espírito de Deus.

No Salmo 51, Davi prometeu ensinar aos transgressores os caminhos do Senhor. Neste, ele o faz com muita eficiência. Hugo Grócio opina que este Salmo foi composto para ser cantado no dia anual da expiação judaica quando os judeus faziam uma confissão geral de pecados.

Aqui está a explicação do Salmo 32 versículo por versículo:

1 – “BEM-AVENTURADO aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.”

“Como o Sermão do Monte, este Salmo começa com bem-aventuranças. Este é o segundo Salmo da bênção. O Salmo 1 descreve o resultado da bem-aventurança santa, o Salmo 32 detalha a causa. O Salmo 1 mostra a árvore em pleno crescimento, o Salmo 32 a apresenta plantada e regada. Aquele que no Salmo 1 é um leitor do livro de Deus, no Salmo 32 é um suplicante aceito e ouvido diante do trono de Deus.” Spurgeon

“E cujo pecado é coberto.” “Coberto por Deus, como a arca era coberta ou tampada pelo propiciatório, ou como Noé foi coberto ou abrigado da inundação, ou como os egípcios foram cobertos ou engolfados pelas profundezas do mar. Que tremenda cobertura é esta que esconde para sempre dos olhos do Deus onisciente todas as impurezas da carne e do espírito! Aquele que outrora viu o pecado na sua deformidade horrível, apreciará a felicidade de não vê-lo mais para sempre. A expiação de Cristo é a propiciação, a cobertura, o encerramento do pecado. Quando isto ocorre e é crido, a alma sabe que agora foi aceita no Amado e desfruta então de uma bem-aventurança consciente, a qual é o antegozo do céu. O texto deixa claro que o homem pode saber que foi perdoado.” Spurgeon

2 – “Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.”

“No original hebraico, a palavra “bem-aventurado” está no plural: Bem-aventurados. As alegrias duplicadas, as coletâneas da felicidade, as montanhas da delícia! Notemos as três palavras frequentemente usadas para denotar a nossa desobediência: transgressão, pecado e iniquidade (ARA). São o cérbero — o cão de três cabeças, segundo a mitologia grega — que guarda as portas do Inferno. Mas nosso glorioso Senhor silenciou para sempre os latidos desse monstro contra os crentes. A trindade do pecado foi vencida pela trindade do céu. A não-imputação é da mesma essência do perdão. O crente peca, mas o pecado não lhe é considerado, nem levado em conta.”

3 – “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.”

“Quando por negligência não confessei ou por desespero não ousei confessar, “os meus ossos”, as pilastras sólidas do meu corpo, as partes mais fortes da minha constituição física, “envelheceram”, começaram a deteriorar-se com fraqueza, pois a minha aflição era tão intensa a ponto de minar a minha saúde e destruir a minha energia vital. Que coisa mortal é o pecado! É uma doença pestilenta! É um fogo nos ossos! Enquanto sufocamos o pecado, ele se enfurece e, como uma ferida supurada, incha horrivelmente e atormenta terrivelmente.” Spurgeon

4 – “Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio.” (Selá.)

“A tua mão”. A mão que corrige, pela qual Deus açoita e surra os filhos. O sentido do poder de Deus castigando ou corrigindo é chamado de a mão de Deus, como ocorre em 1 Samuel 5.11. A mão de Deus castigava duramente a Ecrom por causa da arca. Por semelhança, a mão era pesada, porque, quando os homens golpeiam, metem a mão mais pesadamente do que o comum. Por conseguinte, notemos três pontos doutrinários. (1) Todas as aflições são da mão de Deus. (2) Deus estende a mão pesadamente sobre os seus filhos queridos. (3) Deus permanece com a mão pesada sobre eles de noite e de dia.” — Thomas Taylor

5 – “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado.” (Selá.)

“O piedoso é franco em expor os pecados. O hipócrita abafa e sufoca os pecados. Ele não abscindere peccatum, mas abscondere, como um paciente que tem uma doença física repugnante, ele preferirá morrer a revelar a doença. Mas a sinceridade do piedoso é vista neste ponto — ele confessará e se envergonhará dos pecados: “Eis que eu sou o que pequei e eu o que iniquamente procedi” (2 Sm 24.17). O filho de Deus confessará cada pecado em particular. O cristão falacioso confessará os pecados por atacado. Confessará que, em geral, é pecador, ao passo que Davi, por assim dizer, coloca o dedo bem na ferida: “Fiz o que a teus olhos é mal” (SI 51.4). Ele não diz que fez mal, mas que fez determinado mal. Ele aponta o crime de derramamento de sangue que cometeu.” — Thomas Watson

6 – “Por isso, todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas não lhe chegarão.”

“Pelo que” o quê? Por causa dos seus pecados. E quem? Não aquele que é mais ímpio, mas todo aquele que é santo tem, nesse aspecto, motivo para orar. E orar pelo quê? Com certeza, pelo perdão renovado, pelo aumento da graça e pela perfeição da glória. Não podemos dizer que não temos pecado. Oremos como Davi: “Não entres em juízo com o teu servo” (SI 143.2). Onde há ênfase dupla observável não é ab hoste, mas a servo. Embora servo de Deus, ele não queria que Deus entrasse em juízo com ele. Novamente, ne intres, é a mesma entrada em juízo que ele teme e ora para que não ocorra. Não apenas não julgar, mas nem ainda entrar.” — Nathanael Hardy

7 – “Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres cantos de livramento.” (Selá.)

“Tu me cinges”. Esse termo indica que estamos sitiados por todos os lados
com angústias, de forma que estamos cingidos com muitos consolos e livramentos.
Conforme a cruz diária se intensifica, assim as consolações aumentam dia a dia.
Somos por todos os lados atacados e por todos os lados defendidos. Devemos por
todos os lados entoar os louvores de Deus, como disse Davi: “Bendize, ó minha
alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome” (SI 103.1).
— Archibald Symson

8 – “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.”

“Esta repetição tripla: “Instruir-te-ei”, “ensinar-te-ei” e “guiar-te-ei” ensina-nos as três características de um bom professor. Primeiro, fazer as pessoas entenderem o caminho da salvação; depois, ir adiante delas; e por último, observar a elas e os seus caminhos.” — Archibald Symson

9 – “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio para que não se cheguem a ti.”

A Septuaginta traduz a primeira palavra por Χαλινός, e a segunda por χαλιναγωγέω. A palavra Χαλινός significa o freio comum colocado na boca do cavalo, o bocado do freio ou a barbela. Mas a palavra χαλιναγωγέω era algo como uma focinheira colocada em cavalos ou mulas indóceis para impedir que mordessem. Xenofonte diz que podiam respirar, mas o artefato mantinha a boca fechada, de forma que não podiam morder. Não conhecendo o termo próprio para descrever esse dispositivo, chamo de focinheira.

O verbo usado é um termo militar e significa avançar, como inimigo, para atacar. A frase “para que se não atirem a ti” significa chegar perto para causar dano. A advertência dada pelo salmista aos seus companheiros é submeter-se à instrução e orientação benevolentemente prometida dos céus, e não se assemelhar, no que tange à disposição rebelde, aos potros maldispostos que não se deixam guiar pela rédea simples. Mas, a menos que as mandíbulas sejam limitadas pela focinheira, eles atacam o cavaleiro que ousar montar, ou o cavalariço que os leva ao pasto ou ao estábulo. — Samuel Horsley

10 – “O ímpio tem muitas dores, mas àquele que confia no SENHOR a misericórdia o cercará.”

“Bem no meio da esfera, está o centro, do qual saem as retas que se dirigem à circunferência. O bom cristão tem Deus por circunferência, pois tudo que ele pensa, fala ou faz se dirige a Cristo, de quem ele é envolto.” — Robert Cawdray

“Ele estará rodeado de misericórdia, como somos rodeados pelo ar ou pela luz solar. Ele achará misericórdia e favor em todos os lugares — em casa e fora de casa, de dia e de noite, na sociedade e na solidão, na doença e na saúde, na vida e na morte, no tempo e na eternidade. E ele andará entre misericórdias, morrerá entre misericórdias, habitará num mundo melhor no meio das misericórdias eternas.” — Albert Barnes

11 – “Alegrai-vos no SENHOR, e regozijai-vos, vós os justos; e cantai alegremente, todos vós que sois retos de coração.”


“Essa exortação contém três partes. Primeiramente, ao que ele nos exorta: “Alegrai-vos”. Depois, a quem ele exorta: “Vós, os justos; e […] vós que sois retos de coração”. E, por último, a limitação da exortação: “No Senhor”.

Ele os exorta três vezes: “Alegrai-vos”, “regozijai-vos” e “cantai alegremente”. Tendo em vista que ele mencionou uma bênção tripla, ele menciona uma alegria tripla. A esse respeito, temos duas observações importantes a fazer.” – Archibald Symson

Salmo 32 na linguagem de hoje

Confissão e perdão
Poesia de Davi.
1 Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga!
2 Feliz aquele que o Senhor Deus não acusa de fazer coisas más e que não age com falsidade!
3 Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro.
4 De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão.
5 Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.
6 Por isso, nos momentos de angústia, todos os que são fiéis a ti devem orar. Assim, quando as grandes ondas de sofrimento vierem, não chegarão até eles.
7 Tu és o meu esconderijo; tu me livras da aflição. Eu canto bem alto a tua salvação, pois me tens protegido.
8 O Senhor Deus me disse: “Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; eu vou guiá-lo e orientá-lo.
9 Não seja uma pessoa sem juízo como o cavalo ou a mula, que precisam ser guiados com cabresto e rédeas para que obedeçam.”
10 Os maus sofrem muito, mas os que confiam em Deus, o Senhor, são protegidos pelo seu amor.
11 Todos vocês que são corretos, alegrem-se e fiquem contentes por causa daquilo que o Senhor tem feito! Cantem de alegria, todos vocês que são obedientes a ele!

Equipe Redação BP

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