Juízes 17: Estudo e Comentário Expositivo

Estudo e Comentário Expositivo em Juízes 17 sobre Mica e o jovem levita com o tema: Confusões por não Seguir Orientações.

Estudo em Juízes 17: Confusões por não Seguir Orientações

Em seu conhecido poema “A Segunda Vinda”, o poeta irlandês William Butler Yeats descreve o colapso da civilização com uma imagem vivida e assustadora.

Cada vez que leio esse poema, sinto calafrios e dou graças, pois conheço Aquele que há de vir.

Nas palavras de Yeats: “As coisas se desintegram e o colapso é interno”.

Os capítulos de encerramento do Livro de Juízes são uma repetição desse tema: “o colapso interno”.

Estudo do Contexto de Juízes 17

A nação que, outrora, havia marchado em triunfo pela terra de Canaã e para a glória de Deus, desintegra-se moral e politicamente e envergonha o nome do Senhor.

Porém, o que mais poderia se esperar quando “Israel não tem rei” e o povo despreza as leis de Deus?

Os acontecimentos descritos nos capítulos 17-21 ocorreram num momento anterior ao período dos juízes, provavelmente antes dos quarenta anos de domínio dos filisteus.

Os movimentos da tribo de Dã teriam sido difíceis, e a guerra com o povo de Benjamim seria inviável se os filisteus já estivessem controlando a terra.

O escritor saiu da cronologia histórica e colocou esses acontecimentos como um “anexo” ao livro para mostrar como o povo havia se tornado perverso.

A desintegração de Israel deu-se em três áreas principais da vida: o lar, o ministério e a sociedade.

1. Confusão no lar (Juízes 17:1-6)

Deus estabeleceu três instituições na sociedade: o lar, o governo humano e a comunidade de adoração – Israel, sob a antiga aliança, e a igreja, sob a nova aliança.

A primeira delas, tanto em ordem de criação quanto em relevância, é o lar, pois constitui a base da sociedade.

Quando Deus uniu Adão a Eva no jardim, lançou os alicerces para as instituições sociais que a humanidade viria a construir.

Quando esses alicerces desmoronam, a sociedade começa a desintegrar.

Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? (Salmos 11:3).

Quem foi Mica na Bíblia? (Juízes 17)

O nome Mica quer dizer “quem é como Jeová?”, mas por certo o homem não viveu de modo a honrar o Senhor.

Era um homem de família (Juízes 17:5), apesar de o texto não dizer coisa alguma sobre sua esposa e de termos a impressão de que sua mãe vivia com ele e era rica.

Em Israel, era comum a “parentela” viver junta.

Os pecados de Mica e de sua mãe (Juízes 17)

Alguém roubou 1.100 ciclos de prata da mãe de Mica, e ela proferiu uma maldição sobre o ladrão sem saber que estava amaldiçoando o próprio filho.

Foi o medo da maldição, não o temor do Senhor, que levou o filho a confessar o crime e devolver o dinheiro. Satisfeita, a mãe neutralizou a maldição ao abençoar o filho.

Num gesto de gratidão pela devolução do dinheiro, ela consagrou parte da prata ao Senhor e mandou confeccionar um ídolo.

Seu filho acrescentou a imagem à “coleção de ídolos” em sua casa, um “santuário” sob os cuidados de um dos filhos de Mica, o qual ele havia consagrado como sacerdote.

Você já viu família mais espiritual e moralmente confusa do que essa?

Eles desobedeceram os mandamentos (Juízes 17)

Conseguiram quebrar quase todos os dez mandamentos (Êxodo 20:1-1 7) sem, no entanto, sentir qualquer culpa perante o Senhor!

Na verdade, acreditavam que, com todas essas coisas estranhas que faziam, estavam servindo ao Senhor!

O filho não honrou a mãe, em vez disso, roubou dela e mentiu sobre o que havia feito.

Primeiro, cobiçou a prata e depois a tomou para si. (De acordo com Colossenses 3:5, a cobiça é idolatria.)

Em seguida, mentiu sobre tudo o que havia feito até que seu medo da maldição o levou a confessar.

Com isso, quebrou o quinto, o oitavo, o nono e o décimo mandamentos. Quebrou também o primeiro e o segundo mandamentos ao ter em casa um santuário para falsos deuses.

De acordo com Provérbios 30:8, 9, quando roubou a prata, transgrediu o terceiro mandamento e pronunciou o nome do Senhor em vão.

Conseguir quebrar sete dos dez mandamentos sem sequer sair de casa é uma façanha e tanto!

A mãe de Mica quebrou os dois primeiros mandamentos ao confeccionar um ídolo e incentivar o filho a manter em casa um ‘santuário” particular.

De acordo com Deuteronômio 12:1-14, deveria haver somente um lugar de adoração em Israel, e o povo não tinha permissão de possuir os próprios santuários particulares.

Além disso, na verdade, a mãe de Mica não tratou dos pecados do filho e, por certo, o caráter dele não ajudou para melhor depois que ela lidou com a situação.

Mas o que poderia se esperar, uma vez que ela mesma também era uma pessoa corrupta?

Mica não apenas possuía um santuário particular, como também nomeou o próprio filho para servir de sacerdote.

Sem dúvida, Mica sabia que o Senhor havia escolhido a família de Arão para constituir o único sacerdócio de Israel e, se alguém fora dessa família fizesse as vezes de sacerdote, deveria ser morto (Números 3:10).

Pelo fato de Mica e de sua família não se sujeitarem à autoridade da Palavra de Deus, seu lar era um lugar de confusão religiosa e moral.

No entanto, não era muito diferente de muitos lares de hoje, onde o dinheiro é o deus ao qual a família dedica sua devoção, os filhos roubam dos pais e mentem sobre o que fizeram, onde a honra da família é um conceito desconhecido e onde não há espaço para o Deus verdadeiro.

2. Confusão no ministério (Juízes 17 :7-1 3)

Deus não apenas instituiu o lar e instruiu os pais sobre com o educar os filhos (Deuteronômio 6) como também instituiu a liderança espiritual da comunidade de adoração.

Sob a antiga aliança, o tabernáculo e, posteriormente, o templo eram o centro da comunidade, e o sacerdócio arônico era responsável pela supervisão de ambos.

Sob a nova aliança, a Igreja de Jesus Cristo é o templo de Deus (Efésios 2:1 9-22), e o Espírito Santo chama e prepara ministros para servirem ao Senhor e a seu povo (1 Coríntios 12-14; Efésios 4:1-16).

Em sua Palavra, Deus dizia aos sacerdotes do Antigo Testamento o que deviam fazer, e, nos dias de hoje, por meio de sua palavra, o Espírito Santo guia a Igreja e explica sua ordem e seu ministério.

Um levita confuso

Um jovem levita chamado Jônatas (Juízes 18:30) vivia em Belém de Judá, que não era uma das cidades designadas para os sacerdotes e levitas (Josué 21; Números 35).

É provável que se encontrasse naquela cidade porque o povo de Israel não estava sustentando o tabernáculo e seus ministros com os dízimos e ofertas como Deus havia ordenado que fizessem (Números 18:21-32; Deuteronômio 14:28, 29; 26:12-1 5).

Por que viver numa cidade levítica só para passar fome?

Quando povo de Deus torna-se indiferente às coisas espirituais, uma das primeiras evidências dessa apatia é o declínio em sua contribuição ao Senhor, e, em decorrência disso, todos sofrem.

Buscava sua vontade ao invés da vontade de Deus

Em vez de buscar a vontade do Senhor, Jônatas foi procurar um lugar onde viver e trabalhar, mesmo que isso significasse abandonar seu chamado como servo de Deus.

A nação encontrava-se num ponto baixo de sua espiritualidade, e ele poderia ter feito algo a fim de ajudar a trazer o povo de volta a Deus.

Era apenas um homem, mas Deus não precisa de mais do que isso para começar uma grande obra e fazer diferença na história de uma nação.

Em vez de colocar-se à disposição de Deus, Jônatas mostrou-se disposto a servir apenas aos homens e acabou encontrando um trabalho confortável com Mica.

Se Jônatas é um exemplo típico dos servos de Deus nesse período da história, então não é de se admirar que a nação de Israel estivesse confusa e corrompida.

Levita que não valorizou seu ministério

Esse homem não deu valor algum a seu chamado como levita, servo escolhido de Deus.

Os levitas eram encarregados não apenas de ajudar os sacerdotes em seus ministérios (Números 3:6-13; 8:17, 18) como também de ensinar a lei ao povo (Neemias 8:7-9; 2 Crônicas 17:7-9; 35:3) e de participar da música sagrada e dos louvores de Israel (1 Crônicas 23:28-32; Esdras 3:10).

Jônatas abriu mão de tudo isso em troca do conforto e da segurança no lar de um idólatra.

Um ministro que se vendeu facilmente

No entanto, o ministério de Jônatas não era, de maneira alguma, de caráter espiritual.

Em primeiro lugar, ele era um sacerdote contratado e não um pastor de verdade (João 10:12,13).

Não servia ao verdadeiro Deus vivo, mas trabalhava para Mica e para seus ídolos.

Jônatas não era um porta-voz do Senhor; antes, transmitia às pessoas apenas a mensagem que desejavam ouvir (Juízes 18:6).

Quando recebeu a oferta de um lugar em que haveria mais dinheiro, mais pessoas e mais prestígio, aceitou-a imediatamente e se alegrou com ela (v. 20).

Um ministro de mal caráter

Em seguida, ajudou seu novo empregador a roubar os deuses de seu antigo empregador!

Sempre que a igreja possui “ministros contratados”, não tem como desfrutar as bênçãos de Deus.

A igreja precisa de ministros autênticos

A igreja necessita de pastores autênticos e fiéis que trabalhem para Deus, não visando o benefício próprio, mas alimentando e protegendo o rebanho.

Os verdadeiros pastores não veem seu trabalho como uma “carreira” nem correm atrás de um “emprego melhor” quando surge uma oportunidade.

Antes, ficam onde Deus os colocou e não saem de lá até que o Senhor os envie a outro lugar.

Os verdadeiros pastores recebem seu chamado e autoridade de Deus, não das pessoas, e honram o Deus verdadeiro, não ídolos feitos por mãos humanas.

Conclusão deste Estudo em Juízes 17

Nos dias de hoje, deve causar tristeza ao coração do Senhor ver as pessoas adorando ídolos ministeriais do “sucesso”: as estatísticas, as construções e a reputação.

Os Jônatas e os Micas sempre vão se encontrar, pois precisam um do outro.

A parte triste da história é que Mica acreditava que possuía o favor de Deus, pois um sacerdote levítico de verdade servia como seu capelão pessoal.

Mica praticava uma religião falsa e adorava falsos deuses e, enquanto isso, se fiava numa falsa segurança de que Deus o estava abençoando!

O lar, o ministério e a sociedade estão se desintegrando diante de nossos olhos, e as pessoas não querem ouvir a verdade!

Porém, quer esteja interessado quer não, o mundo precisa ouvir que Jesus Cristo morreu pelos pecadores e que o poder de Cristo pode transformar corações, lares, igrejas e a sociedade, se o povo crer nele.

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