A Marca da Besta: O que é, Onde fala na Bíblia e Qual o Propósito?

Quem nunca ouviu falar sobre a tal Marca da Besta que aparece em Apocalipse? Ainda mais em nossos dias com tantas informações circulando pelas redes sociais. Mas, o que é de fato essa Marca da Besta?

Quais textos bíblicos falam sobre a Marca da Besta?

Apocalipse 13:16-18

16 E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, 17 Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. 18 Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Apocalipse 14:9-11

9 E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão […] E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.

Apocalipse 16:2

E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem.

Apocalipse 19:20

E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.

Apocalipse 20:4

E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgarvi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.

O que é a marca da Besta?

O propósito da marca da besta está ligado diretamente ao comércio e à adoração, e portanto, todos aqueles que a receberem terão o mesmo tipo de marca.

Segundo Apocalipse 13.16-18, durante a Tribulação, obrigarão as pessoas a usar a marca (gr. charagma) ou o nome da Besta para poderem “comprar ou vender”, para poderem realizar qualquer transação comercial.

Todos os negócios, públicos ou privados, exigirão que as partes possuam esta marca. Por isso, os que se recusarem a recebê-la, passarão por grandes dificuldades, perseguições e morte.

Segundo Apocalipse 13.16, a marca da besta, um sinal de lealdade, não será restrito a um grupo, mas estender-se-á por todas as partes da sociedade.

João utiliza três dísticos para enfatizar isto: os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos. Atingirá, portanto, todas as categorias culturais e camadas sociais.

Diante de Deus ou de Satanás, não existem favoritos e não há nenhuma distinção entre abastados e desfavorecidos.

O PROPÓSITO DA MARCA DA BESTA

marca da besta

A marca da besta será a contrapartida de Satanás para o “selo” que Deus dá aos crentes em Apocalipse 7.2-4.

Assim como os 144-000 são selados na fronte para receber proteção divina, também os ímpios recebem a marca da besta para terem a proteção do Anticristo.

O selo posto à fronte das 144.000 testemunhas é muito provavelmente invisível, até mesmo para que possa protegê-los contra o Anticristo.

A marca da besta tem propósito de Imitação

A palavra utilizada para “selo” não é a mesma utilizada para “marca”. Como tudo que o Anticristo faz, a marca da Besta é um arremedo e uma zombaria.

Pode também ser uma imitação da ordem dada por Deus em Deuteronômio 6.8, para que os judeus atassem o shema à mão e à fronte (embora o utilizassem na mão esquerda ao invés de na direita).

Além disso, em Ezequiel 9.4, Deus manda que todos os homens pesarosos pela idolatria da nação tragam a letra hebraica tau marcada na testa. Isto significava que aquelas pessoas haviam voltado a pertencer ao Senhor.

Por isso vemos, aqui em Apocalipse, Satanás mais uma vez imitando, arremedando e zombando das ações de Deus.

A marca da besta tem propósito de Devoção e Compromisso

Receber a marca da besta significará a devoção e o compromisso da pessoa com o Anticristo. A pessoa confirmará crer que Satanás, e não Deus, é a suprema divindade.

Esta marca da besta será um sinal visível (no indivíduo) do imenso poder, da autoridade e do domínio exercidos pelo Anticristo.

Segundo Apocalipse 20.4, milhares de pessoas morrerão por recusarem a marca da besta. Estes mártires da Tribulação ressuscitarão com a segunda vinda de Cristo ao fim dos sete anos e reinarão com ele durante o Milênio.

Inscrição biblioteca do pregador-1

A NATUREZA DA MARCA

A palavra bíblica para “marca” assemelha-se ao significado contemporâneo de tatuagem ou cicatriz·

Por toda a Bíblia, a palavra marca aparece para diferenciar ou indicar algo com um sinal. É, por exemplo, utilizada muitas vezes em Levítico com relação às marcas que podem tornar algo liturgicamente impuro (Lv 13.47-59; 14-34-39). Nestes casos, está geralmente relacionada à lepra.

Em Ezequiel 9:4

Já vimos que Ezequiel 9.4 utiliza a palavra “marca” de forma bastante semelhante a Apocalipse:

E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela.

Em Ezequiel, a marca é posta à fronte, o que prenuncia o uso que João faz do termo em Apocalipse.

Todas as sete ocorrências da palavra grega para “marca” aparecem em Apocalipse e referem-se à “marca da besta”.

O que seria a marca da besta

Fizeram-se as mais diversas sugestões acerca da natureza desta marca: um brasão oficial, filactérios, a letra X, que corresponde à letra grega com que começa o nome de Cristo, uma marca invisível (ou algum tipo de dispositivo tecnológico, como um implante de microchip), ou uma escarificarão.

O uso da marca no mundo antigo

As tatuagens religiosas eram bastante populares no Império Romano e no mundo antigo. Os fiéis de um determinado deus recebiam uma marca para demonstrar sua devoção.

O terceiro livro de Macabeus 2.29 fala sobre Ptolemeu Filopator (222-205 a.C .), que marcou os judeus com uma folha de hera, símbolo da adoração a Dioniso.

A palavra “marca” também se utilizava para a imagem ou o nome do imperador nas moedas romanas, e para os selos afixados em documentos oficiais.

De forma semelhante, soldados capturados em batalha e escravos rebeldes recebiam uma marca.

Nada disso é igual ao que está descrito em Apocalipse, mas tais exemplos mostram a existência desse costume.

O NÚMERO 666

Seiscentos e sessenta e seis 666 marca da besta significado

O apóstolo João declara em Apocalipse 13.17, que a marca é “o nome da besta ou o número do seu nome”. No versículo 18, ele escreve: “é número de homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

Este número refere-se ao nome do Anticristo e seu valor numérico é 666. João inicia o versículo dizendo: “Aqui há sabedoria”; ou seja, é preciso ter instrução e discernimento para solucionar o problema
do número.

De modo semelhante, Daniel recebeu instruções e discernimento para resolver o enigmático número “70” com relação às setenta semanas proféticas (Daniel 9.22-27; 12.10).

Assim, durante a Tribulação, os fiéis receberão conhecimento e discernimento para desvendar o mistério do número.

Provavelmente, nenhum outro número na Bíblia ou na história recebeu tanta atenção como o 666.

Temos visto incontáveis soluções contemporâneas e históricas, todas opostas entre si, que tentam identificar e compreender a marca e o número.

São teorias que envolvem:

(1) Os nomes de vários líderes mundiais, como o papa, diversos imperadores romanos, Adolf Hitler, Benito Mussolini e Henry Kissinger;

(2) Cálculos cronológicos que tentam relacionar a duração do reino do Anticristo com impérios como Roma, o Islã ou a Alemanha Nazista;

(3) Enigmas apocalípticos que, por meio de alegorias, comparam o nome de Jesus com o número da Besta;

(4) Um significado simbólico para o número 666 em relação ao Anticristo e suas forças, representando sua rebeldia e imperfeição.

O Número 666 se refere a Nero?

Alguns comentaristas de Apocalipse, rejeitando uma visão futurista do livro, alegam que o indivíduo ali retratado era Nero.

A forma latina de seu nome, transliterada para o hebraico, soma 616. Esta visão, contudo, é contrária ao texto. Carece de embasamento histórico e exige a utilização de uma grafia falha.

A Bíblia não identifica o Anticristo nem interpreta o número. Em vez disso, informa que, quando o ele surgir durante a Tribulação, o número de seu nome, o valor numérico desse nome será 666.

Qualquer especulação acerca da identidade do Anticristo antes dele surgir vai além de uma honesta interpretação profética. Tal identificação apenas não está ainda disponível.

Quando o Anticristo se revelar, a interpretação da marca da besta resultará da compreensão dos cinco comentários que João faz em Apocalipse 13.16-18:

  • O nome da Besta;
  • O número de seu nome;
  • E o número da Besta;
  • E o número do homem e o número 666.

Seguindo esta progressão lógica, o número é, portanto, o nome do próprio Anticristo, que possui o valor numérico de 666.

A associação de valores numéricos a números e letras é parte da antiga prática “gematria”. No hebraico, as letras do alfabeto são também utilizadas como números.

O alfabeto hebraico possui 22 letras. Na gematria, as nove primeiras letras correspondem à sequência que vai de 1 a 9, as nove letras seguintes correspondem à sequência de 10 a 90, e as últimas quatro letras vão de 100 a 400.

Todo nome hebraico possui um significado numérico.

O nome do Anticristo, quando então ele se revelar no futuro, equivalerá numericamente a 666.

Em suma, apesar de não identificar completamente o Anticristo, a Bíblia traz alguns detalhes bastante precisos sobre a marca da Besta, que será:

  • A marca do Anticristo, e será identificada com a pessoa dele;
  • Literalmente o número “666”, e não uma representação simbólica;
  • Indelével, semelhante à tatuagem, e visível a olho nu;
  • Colocada na pessoa, como que contrastando com o indivíduo facilmente reconhecível e inconfundível;
  • Recebida voluntariamente e não implantada de forma furtiva ou através de ardis;
  • Usada após o arrebatamento e não antes deste;
  • Usada durante a segunda metade da Tribulação;
  • Obrigatória para a realização de transações comerciais;
  • Recebida por todos os ímpios do mundo, mas recusada por todos os cristãos do mundo;
  • Um sinal de adoração e fidelidade ao Anticristo;
  • Promovida pelo Falso Profeta; uma marca que leva à condenação eterna.

Conclusão Sobre a marca da besta

O uso desta marca pelo Anticristo será mais um de seus diversos esforços para imitar, durante a Tribulação, a importância, o governo e a obra de Jesus Cristo.

Neste sentido, é importante atentar para as palavras de Paulo em Gálatas 6.17: “Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”.

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