COMO PREGAR UM SERMÃO SEM ATRAPALHAR O CULTO

O SERMÃO QUE ATRAPALHA O CULTO

Já viu um sermão que atrapalha o culto?

Pois, alguns sermões têm a capacidade de atrapalhar o culto.

Você pode achar estranho, mas é isso mesmo que quero dizer: algumas vezes o culto seria melhor se não houvesse o sermão!

Aliás, sempre que a pregação for vazia e sem poder, atrapalhará o culto.

Às vezes o culto começa bem, com um poderoso hino congregacional, orações fervorosas e uma inspiradora mensagem musical.

Tudo vai muito bem até o momento em que começa o sermão.

Nesse ponto, algumas vezes, um sermão mal preparado e sem conteúdo começa a torturar os adoradores com frases repetitivas e de pouco sentido, destruindo todo o clima espiritual criado pelo louvor.

E, o que é pior, o pregador não se contenta em pregar esse sermão por apenas meia hora, mas se estende por uma hora ou mais.

UMA PREGAÇÃO PODE ATRAPALHAR O CULTO?

quando fazer um esboço de pregação

Talvez pareça exagero dizer que o sermão prejudica o culto, mas a Bíblia adverte contra pastores que apascentam tão mal que fazem as ovelhas fugir:

“Portanto assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes…” (Jr 23.2).

Segundo Buttrick, citado na revista Ministry, “as pessoas abandonam a igreja não tanto por uma verdade rigorosa que as torne incomodadas, mas pelos fracos sermões que as tornam desinteressadas”.

Em outras palavras, sermões vazios não só atrapalham o culto como podem acabar afastando as pessoas da igreja, criando nelas um total desinteresse pela adoração.

Pode até ser que Deus faça o milagre de ajudar alguém com um sermão desses, mas isso não justifica o despreparo do pregador.

Particularmente os ouvintes da era pós moderna, são extremamente sensíveis à comunicação sem relevância.

E aos comentários com julgamentos, em que a congregação fica procurando um significado prático ou um objetivo consistente e não encontra.

Se no passado esses sermões sempre incomodaram os ouvintes, hoje, mais do que nunca, eles devem ser evitados a todo custo.

SERMÕES QUE ATRAPALHAM O CULTO

Apenas para ilustrar, vamos fazer uma rápida classificação dos sermões que mais atrapalham o culto.

Se você frequenta igreja há vários anos, é provável que já se deparou com alguns desses sermões mais de uma vez.

Veja a seguir um “catálogo” desses sermões que mais atrapalham o culto.

O SERMÃO COMÉDIA

PIADAS NA INTRODUÇÃO DA PREGAÇÃO

Esse é um tipo de sermão que parece ter a finalidade de apenas divertir e entreter, pois geralmente consiste numa sequência de piadas e histórias engraçadas.

Talvez seria mais apropriado para uma peça cômica de teatro, uma vez que lhe falta um conteúdo bíblico consistente.

Histórias bem-humoradas podem ser apropriadas para o púlpito, desde que sejam apresentadas como ilustração, e não como a essência do sermão.

A Bíblia acima de tudo deve ser a essência do sermão, e qualquer ilustração só será válida se ajudar a esclarecer e reforçar a mensagem bíblica dentro do contexto da adoração.

O SERMÃO DE TERROR

JARGÕES DE PREGADORES

Alguns sermões parecem flimes de terror, como se a motivação para ser um cristão fosse o medo da punição e do castigo divino, ou mesmo o pavor do inferno.

Esses sermões muitas vezes pintam a imagem de um Deus-polícia, constantemente fiscalizando os erros dos cristãos.

Talvez fossem mais apropriados para um treinamento policial.

O ouvinte precisa entender que a motivação genuína para a vida cristã é o amor que Deus derrama sobre nós por meio da salvação.

A única resposta que Deus espera de nós é uma vida de lealdade por amor a Cristo, e não o medo do castigo eterno.

Em outras palavras, a obediência e a lealdade devem ser fruto do amor e não do medo ou do terror.

O SERMÃO DRAMA

MEDO DO PREGADOR

Peças ou histórias dramáticas podem ser uma boa fonte de ilustração, desde que usadas sem exagero ou excesso.

Agora, fazer do sermão inteiro um discurso dramático com o mero fim de manipular as emoções dos ouvintes e levá-los às lágrimas não condiz com o propósito de um sermão relevante.

Sermões baseados inteiramente em histórias de acidentes trágicos, doenças terminais ou casos de depressão e suicídio criam um clima emocional impróprio para a mensagem e não produzem um efeito espiritual positivo.

O clima emocional pode ser útil quando usado discretamente com um claro propósito espiritual.

O SERMÃO “REALITY SHOW”

PRATICANDO O SERMÃO TEMÁTICO

São comuns hoje os programas de TV em forma de show da realidade, cujo propósito é prender a atenção do ouvinte através da expectativa de fatos curiosos numa situação real filmada para um show de TV.

Esses programas incluem seriados explorando a vida de celebridades, competição entre candidatos disputando uma oportunidade profissional ou artística, grupos de pessoas em aventuras radicais, e assim por diante.

Alguns sermões se demoram tanto em explorar a vida de artistas e celebridades ou em comentar resultados dos shows de TV que mais parecem do tipo “reality show”, carecendo assim de consistência bíblica e produzindo pouco ou nenhum efeito espiritual para inspirar uma vida cristã mais elevada.

Esse tipo de sermão não é relevante para as necessidades dos ouvintes.

O SERMÃO VIRTUAL

QUALIDADES DO PREGADOR - MEMÓRIA

Esse tipo de sermão existe na imaginação do pregador e na expectativa dos ouvintes, mas na realidade ele está longe de ser um sermão consistente.

Ou seja, parece sermão, mas na realidade não é.

Geralmente entram nessa categoria os sermões improvisados, sem uma linha de pensamento, que mais parecem um amontoado de frases e idéias sem conexão umas com as outras.

As informações surgem de acordo com a imaginação imediata do pregador, claramente evidenciando falta de preparo e propósito.

O sermão precisar ser real e não virtual, possuir uma estrutura
real, seguir uma linha de pensamento real, transmitir um conteúdo real, e ser aplicado às necessidades reais dos ouvintes.

O SERMÃO ANESTÉSICO

COMO PREGAR O SERMÃO E NÃO ATRAPALHAR

É aquele que parece anestesia geral.

Mal o pregador começou a falar e a congregação já está quase roncando.

Caracteriza-se pelo tom de voz monótono, arrastado, e pelo linguajar pesado, típico do começo do século, com expressões arcaicas e carregadas de chavões deste tipo:

“Prezados irmãos, estamos chegando aos derradeiros meandros desta senda”.

Por que não dizer: “Irmãos, estamos chegando às últimas curvas do caminho”?

Seria tão mais fácil de entender.

Ficar acordado num sermão desse tipo é quase uma prova de resistência física.

Como dizia Spurgeon: “Há colegas de ministério que pregam de modo intolerável: ou nos provocam raiva ou nos dão sono.

Nenhum anestésico pode igualar-se a alguns discursos nas propriedades soníferas.

Nenhum ser humano que não seja dotado de infinita paciência poderia suportar ouvi-los, e bem faz a natureza em libertá-lo por meio do sono”.

O SERMÃO INSÍPIDO

APLICAÇÃO NO SERMÃO COM TESTEMUNHO

Esse sermão pode até ter uma linguagem mais moderna e um tom de voz melhor, mas não tem gosto e é duro de engolir.

As idéias são pálidas, sem nenhum brilho que as torne interessantes.

Muitas vezes é um sermão sobre temas profundos, porém sem o sabor de uma aplicação contemporânea, ou sem o bom gosto de uma ilustração.

É como se fosse comida sem sal.

É como pregar sobre as profecias de Apocalipse, por exemplo, sem mostrar a importância disso para a vida prática.

O pregador não tem o direito de apresentar uma mensagem insípida, porque a Bíblia não é insípida.

O pregador tem o dever de explorar as belezas da Bíblia, selecioná-las, pois são tantas, e esbanjá-las perante a congregação.

O SERMÃO ÓBVIO

COMO PREGAR - SERMÃO ÓBVIO

É o tipo de sermão que diz apenas o que todo mundo já sabe e está cansado de ouvir.

O ouvinte é quase capaz de adivinhar o final de cada frase de tanto que já a ouviu.

É como ficar dizendo que roubar é pecado ou que quem se perder não vai se salvar (é óbvio).

Isso é uma verdade, mas tudo o que se fala no púlpito é verdade.

Com raras exceções, ninguém diz inverdades no púlpito.

O que falta é apenas revestir essa verdade de um interesse presente e imediato.

O SERMÃO INDISCRETO

COMO PREGAR - SERMÃO INDISCRETO

É aquele que fala de coisas apropriadas para qualquer ambiente menos para uma igreja, onde as pessoas estão famintas do pão da vida.

Às vezes, o assunto é impróprio até para outros ambientes.

Certa ocasião, ouvi um pregador descrever o pecado de Davi com Bate-Seba com tantos detalhes que quase criou um clima erótico
na congregação.

Noutra ocasião, uma senhora que costumava visitar a igreja confessou-me que perdeu o interesse porque ouviu um sermão em que noventa por cento do assunto girava em torno dos casos de prostituição da Bíblia, descritos com detalhes.

E acrescentou:

”Achei repugnante. Se eu quiser ouvir sobre prostituição, ligo a TV”.

De outra vez, um amigo me contou de um sermão que o fez sair traumatizado da igreja, pois o pregador gastou metade do tempo relatando as cenas horrorosas de um caso de estupro.

Por favor, pregadores: o púlpito não é para isso.

Para esse tipo de matéria existem os noticiários policiais.

O SERMÃO REPORTAGEM

DESVANTAGENS DO SERMÃO TEXTUAL

Esse sermão fala de tudo, menos da Bíblia.

Inspira-se nas notícias de jornais, manchetes de revistas e reportagens da televisão.

Parece uma compilação das notícias de maior impacto da semana.

É um sermão totalmente desprovido do poder do Espírito Santo e da beleza de Jesus Cristo.

É uma tentativa de aproveitar o interesse despertado pela mídia para substituir a falta de estudo da Palavra de Deus.

Com certeza existem notícias relevantes que merecem ser abordadas numa introdução ou que podem despertar interesse para o tema do sermão.

Contudo, notícias devem ser usadas esporadicamente para rápidas ilustrações, nunca como base de um sermão.

O SERMÃO DE MARKETING

VOCABULÁRIO DO PREGADOR

É o sermão usado para promover e divulgar os projetos da igreja ou as atividades dos diversos departamentos.

Usar o púlpito, por exemplo, para promover congressos, divulgar literatura, prestar relatórios financeiros ou estatísticos, ou fazer campanhas para angariar fundos, seja qual for a finalidade, destrói o verdadeiro espírito da adoração e, portanto, atrapalha o culto.

A igreja precisa de marketing, e deve haver um espaço para isso, mas nunca no púlpito. Isso deve ser feito preferivelmente em reuniões administrativas.

PREGAÇÃO METRALHADORA

sermão - como pregar

É usado para disparar, machucar e ferir.

Às vezes, a crítica é contra um grupo com idéias opostas, contra administradores da igreja, contra uma pessoa pecadora ou rival, ou mesmo contra toda a congregação.

Seja qual for o destino, o púlpito não é uma arma para disparar contra ninguém.

Às vezes, o pregador não tem a coragem de ir pessoalmente falar com a pessoa.

Assim se protege atrás de um microfone, onde ninguém vai refutá-lo, e dispara contra uma única pessoa, sob o pretexto de “chamar o pecado pelo nome”.

Resultado: aquela pessoa fica ferida e todas as outras famintas, enquanto o sermão perde o seu poder e objetivo.

Às vezes, o disparo é contra um grupo de adultos ou de jovens supostamente em pecado.

Não é essa a maneira de ajudá-los.

Chamar o pecado pelo nome significa orar com o pecador e, se preciso, chorar com ele na luta pela vitória.

A congregação passa a semana machucando-se nas batalhas de um mundo pecaminoso e de uma vida difícil e chega ao culto precisando de remédio para as feridas espirituais, não de condenação por estar ferida.

Em vez de ofender com uma lista de reprovações e obrigações, o pregador tem o dever santo de oferecer o bálsamo de Gileade, o perdão de Cristo como esperança de restauração.

As obrigações, todo mundo conhece. Nenhum cristão desconhece os deveres do evangelho.

Em vez de apenas dizer que o cristão tem de ser honesto, por exemplo, mostre-lhe como ser honesto pelo poder de Cristo.

Isso é pregação com poder.

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CONCLUSÃO

Todos esses sermões mencionados acima atrapalham o culto mais do que ajudam.

Prejudicam o adorador, prejudicam a adoração.

São vazios de poder.

Se você quer ser um pregador de poder, busque a Deus, gaste dezenas de horas no estudo da Bíblia e oração antes de pregá-la, experimente o perdão de Cristo e assim vai chegar ao coração das pessoas.

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