Sifrá e Puá: 3 razões para conhecer a história corajosa dessas parteiras na Bíblia

Sifrá e Puá tiveram ousadia. Elas eram ousadas.

Se você não reconhece seus nomes, provavelmente conhece sua história. Sifrá (“esplêndida”) e Puá (“bela”) foram as duas parteiras hebréias que desafiaram secretamente o Faraó e impediram o genocídio dos meninos de Israel, incluindo um menino muito importante: o profeta e líder israelita, Moisés.

A história delas é encontrada em Êxodo 1:1-22, mas aqui está um resumo.

História de Sifrá e Puá na Bíblia

José, o governador do Egito e protetor dos israelitas, estava morto. Um novo faraó que não conhecia José e não se importava com os israelitas estava no trono.

Este faraó (que se acredita ser Seti I, que reinou de 1318-04 aC) era um governante cruel e paranóico também.

Ao fazer o inventário de seu território, ele notou o número esmagador de israelitas, que cresceram exponencialmente sob o reinado de José como governador. Havia tantos, de fato, “a terra estava cheia deles” (v. 7). 

Com uma população escravizada tão grande, o faraó temia que eles pudessem se juntar a uma nação inimiga, se rebelar contra ele e deixar o país. Se isso acontecesse, o faraó perderia sua força de trabalho. Seu vasto e próspero reino, que incluía a maior parte da bacia do Nilo e tão ao norte quanto Damasco, na Assíria, vacilaria e eventualmente desapareceria.

Faraó não estava disposto a deixar isso acontecer, então ele elaborou um plano. Ele instruiu seus capatazes a aumentar a carga de trabalho dos israelitas para que ficassem cansados ​​demais para procriar, restringindo assim a população. Mas o plano falhou. Pois, “quanto mais [os israelitas] eram oprimidos, mais eles se multiplicavam e se espalhavam” (v. 12).

Plano B. Faraó chamou as parteiras hebréias. “Quando você estiver ajudando as mulheres hebréias durante o parto”, disse ele. “Se você vir que o bebê é um menino, mate-o, mas se for uma menina, deixe-a viver.”

Mas por que apenas os meninos? Os meninos eram uma ameaça, pois cresceriam e se tornariam homens capazes de se rebelar e revoltar-se. As mulheres não. Pelo menos naquela época e cultura.

No entanto, até esse plano falhou porque Sifrá e Puá foram contra Faraó. Pois, elas tinham seu plano secreto, e não envolvia matar os meninos.

Mas o que levou essas duas mulheres (que alguns dizem serem mãe e filha) a desobedecer faraó?

1. Elas temeram a Deus, não Faraó – Êxodo 1:15-17

“As parteiras temeram a Deus e não fizeram o que o rei do Egito lhes havia ordenado. Elas deixam os meninos viverem.”

Normalmente, associamos a palavra “temor” a ter medo. No entanto, esse não foi o caso de Sifrá e Puá. O medo que sentiam de Deus era de “reverência, respeito, temor”. 

Assim, seu ato de desobediência estava de acordo com seu conhecimento e fé no Divino. Sua reverência por seu Deus justo e santo, superou seu medo de Faraó.

Em suma, Sifrá e Puá fizeram não “para agradar aos homens”, mas a Deus (Colossenses 3:22).

Sifrá e Puá também não eram ingênuas. Elas estavam bem cientes do perigo em que se colocavam. Elas sabiam que Faraó poderia executá-las por desafiar suas ordens, mas elas não se importavam. Pois, a fé delas estavam no Deus Todo-Poderoso.

Assim, também, eram suas vidas. Embora elas não soubessem o que estava escrito em Mateus 10:28, elas acreditaram. 

“Não tenha medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Em vez disso, tenha medo Daquele que pode destruir tanto a alma quanto o corpo no inferno”.

Elas viveram isso.

2. Elas foram corajosas e sábias na resposta a Faraó – Êxodo 1:17-19

“Por que fizestes isto, deixando os meninos com vida?” Faraó perguntou quando viu o que estava acontecendo. 

Sifrá e Puá, responderam: “As hebréias não são como as egípcias; são vigorosas e dão à luz antes da chegada das parteiras”.

Isso exige ousadia, para responder com ousadia a um governante tirano.

Agora, sabemos que Deus não quer que mintamos, já que é uma manifestação do nosso “velho eu”, que nos é dito para deixarmos de lado uma vez que nascemos de novo (Colossenses 3:9). 

Portanto, mentir é considerado um pecado, porque normalmente é feito por egoísmo, na tentativa de “salvar a própria pele”, por assim dizer.

Mas, aí está a diferença com Sifrá e Puá. Elas responderam não por razões egoístas, mas justas. Elas não mentiram para se salvar, elas responderam para salvar os outros.

Penso na Alemanha nazista quando digo isso. Nas pessoas corajosas, muitas delas cristãs, que corajosamente esconderam seus amigos e vizinhos judeus em suas casas ou celeiros.

Penso também em Raabe em Josué 2, quando ela desobedeceu ao rei de Jericó, que exigiu que os espiões fossem entregues. Ela recusou entregar os espiões para os perseguidores quando eles bateram à sua porta. “É verdade, os homens vieram até mim”, disse ela. “Mas eu não sabia de onde eles eram. E quando o portão estava prestes a ser fechado no escuro, os homens saíram. Não sei para onde foram os homens” (Josué 2:4 b). O tempo todo, os espiões estavam em seu telhado! Mais tarde, quando a costa estava limpa, ela os ajudou a escapar pela janela.

3. Elas valorizavam a vida

É interessante notar que Sifrá e Puá não lutaram nem por um minuto com a imoralidade ou as amarras antiéticas do edito do Faraó. Certamente a fé delas lhes disse isso, que ele estava errado.

Deus não quer destruir a vida. Ele criou (e continua a criar) a vida. Portanto, Ele valoriza muito a vida. Toda a vida!

Assim fizeram Sifrá e Puá. O que Faraó lhes disse para fazer ia contra os valores de Deus. Elas escolheram proteger a vida daqueles que não podiam se proteger: os bebês recém nascidos.

Provérbios 31:8-9 diz: “Abra a boca para os mudos, pela causa de todos os que estão destinados a morrer. Abra a boca, julgue com justiça e defenda a causa dos pobres e necessitados”. 

Mais uma vez, essas heroínas bíblicas desconhecidas não conheciam esse versículo, mas o usaram de sua própria maneira corajosa e destemida.

E ao salvar os meninos do extermínio sistemático, elas também salvaram a própria nação de Israel e seu futuro líder, que mais tarde os levaria – cerca de dois milhões deles – da escravidão para a liberdade na Terra Prometida.

Por sua bravura e fidelidade, Deus recompensou essas mulheres. Ele “foi gentil com as parteiras e as pessoas aumentaram e se tornaram ainda mais numerosas. E porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes deu suas próprias famílias” (Êxodo 1:20-21).

Suas famílias, acreditam os estudiosos, podem ter pertencido à linhagem levítica, a mais alta e respeitada seita do escalão israelita. Uma honra e uma benção, de fato.

Qual seria nossa atitude no lugar de Sifrá e Puá?

Quando lemos a história de Sifrá e Puá, não podemos deixar de nos perguntar se faríamos o mesmo diante de tanta adversidade e tirania. 

Podemos até questionar se é certo desafiar nosso governo, especialmente à luz de Romanos 13:1-2.

Vemos em outros casos nas Escrituras quando não era apenas certo, mas justificado, quando a desobediência era tolerada:

– Jeoseba: escondeu Joás, seu irmão e herdeiro do trono, quando Atalia foi em uma matança real. As duas crianças se esconderam no templo por seis anos, até que o governo de Atalia terminou (2 Reis 11:3-4) e Joás tomou seu lugar de direito como rei.

– Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego: duas vezes desafiaram o decreto do rei da Babilônia de orar e se curvar ao seu ídolo de ouro e adorá-lo (Daniel 3:16-28, 6:1-28).

– Jesus: curou a mão enrugada de um homem (Marcos 12:1), curou uma mulher com hemorragia (Lucas 13:10-17), e colheu e comeu trigo de um campo (Mateus 12:1). Tudo isso foi feito em uma Sábado, quando era ilegal qualquer tipo de trabalho.

– Pedro e João: presos por pregar sobre Jesus e mandados parar. “Se é certo aos olhos de Deus dar atenção a você e não a Deus, você é o juiz; pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (Atos 4:19-10). Mais tarde, esses mesmos governantes confrontaram os apóstolos novamente e os lembraram de sua ordem de não ensinar sobre Jesus. Ao que eles responderam: “Devemos obedecer antes a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Conclusão

Não devemos seguir cega e incondicionalmente todos os decretos ou autoridades governamentais. Há momentos (tempos raros) em que nós crentes hoje também somos justificados em nossa desobediência.

  • Quando as leis de um governo estão em conflito direto/violação das leis e mandamentos de Deus.
  • Quando um governo promove/pratica o mal (ou seja, genocídio).
  • Quando um governo proíbe a adoração e proclamação de Deus e Seu Evangelho.

Em conclusão, uso as palavras do teólogo John Stott. Ele diz em seu comentário sobre Romanos 13:

“Devemos nos submeter até o ponto em que a obediência ao estado implicaria em desobediência a Deus. Mas se o estado ordena o que Deus proíbe, ou proíbe o que Deus ordena, então nosso claro dever cristão é resistir, não se submeter, desobedecer ao estado para obedecer a Deus… lei humana particular porque é contrária à lei de Deus… Sempre que são promulgadas leis que contradizem a lei de Deus, a desobediência civil torna-se um dever cristão”.

 

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