Profetas Maiores e Menores na Bíblia: O que Você Precisa Saber

No estudo da Bíblia, encontramos uma interessante classificação dos profetas em duas categorias: “Profetas Maiores” e “Profetas Menores”. Essa nomenclatura surgiu historicamente na Igreja Latina, durante o tempo de Agostinho de Hipona e Jerônimo. A distinção entre esses grupos não está relacionada à importância ou autoridade de suas mensagens, mas sim à extensão de seus livros.

Neste estudo completo, vamos aprender sobre as diferenças entre os Profetas Maiores e Menores na Bíblia e explorar suas mensagens proféticas.

O Conceito de “Profetas Maiores e Menores”

O Cânon Judaico, a coleção oficial dos livros sagrados do Antigo Testamento, divide-se em três partes: Lei, Profetas e Escritos (ou Hagiógrafos). Enquanto os cinco livros do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) possuem a mesma ordem em todos os cânones, a disposição dos livros proféticos varia.

Os “Profetas Anteriores” compreendem Josué, Juízes, os dois livros de Samuel e os dois de Reis. Já os “Profetas Posteriores” incluem Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze, que são: Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Destes, os últimos doze são considerados como um único livro devido à brevidade de seus textos.

A ordem desses profetas menores, segundo algumas interpretações, baseia-se na cronologia dos impérios que governaram a região, indo do assírio (Oseias a Naum) ao babilônico (Habacuque e Sofonias) e, por fim, ao persa (Ageu a Malaquias). Além disso, Lamentações e Daniel são classificados como livros poéticos e históricos, respectivamente, e completam a terceira parte do Cânon Judaico.

A Versão da LXX (Septuaginta) e sua Organização dos Livros Proféticos

A Septuaginta (ou LXX), uma tradução grega da Bíblia Hebraica, apresenta uma ordem diferente para os livros proféticos. Ela inicia com os Doze, mas sua sequência é ligeiramente alterada: Oseias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Em seguida, vêm os “Profetas Maiores”: Isaías, Jeremias, Baruque, Lamentações, Epístola de Jeremias, Ezequiel, Susana e Daniel, que inclui acréscimos apócrifos como a Oração de Azarias e Bel e o Dragão.

Organização no Cânon Protestante

No Cânon Protestante, os livros proféticos são classificados em dois grupos: “Profetas Maiores” – Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel – e “Profetas Menores“, que coincidem com a lista do Cânon Judaico e da Septuaginta.

Vale ressaltar que, embora essas divisões são para fins organizacionais, todas as coleções de profetas têm a mesma autoridade e consideradas inspiradas pelas Sagradas Escrituras. Além disso, cada profeta, independentemente de sua classificação, desempenhou um papel crucial na transmissão das mensagens divinas à humanidade.

Os Desafios na Interpretação dos Livros Proféticos

Ao abordarmos os livros proféticos da Bíblia, é importante reconhecer que os críticos liberais geralmente mostram ceticismo em relação à ideia de predição do futuro. Eles buscam argumentos acadêmicos para justificar datas posteriores àquelas tradicionalmente aceitas pela tradição judaico-cristã. Essa perspectiva visa explicar a profecia como um “vaticínio ex eventu”, ou seja, uma profecia escrita após o acontecimento, com base nos eventos históricos já ocorridos.

Entretanto, ao analisarmos as profecias previamente comentadas no capítulo anterior, como aquelas sobre o destino da Babilônia, Tiro, Sidom e Israel, percebemos que elas eliminam qualquer possibilidade de serem registros de profecias escritas após os eventos. As informações detalhadas presentes nessas profecias, que se concretizaram fielmente, apontam para a autenticidade e a inspiração divina das mensagens proféticas.

Período do Ministério e Composição das Profecias

Nos estudos dos livros proféticos, concentramo-nos no período do ministério dos profetas literários e na época em que compuseram seus oráculos. Além disso, cada livro introduz sua origem, identidade do profeta, reinado em que atuou, e os assuntos abordados ou o público-alvo para quem se dirigiam.

Alguns profetas, como Isaías, Jeremias, Oseias, Amós e Miqueias, fornecem informações precisas, indicando até o dia e o mês de algumas profecias. Outros, como Ezequiel, Ageu e Zacarias, são igualmente específicos em suas informações.

Por outro lado, há livros proféticos que omitem tais detalhes, como Obadias e Habacuque, enquanto Joel, Jonas e Naum apresentam dados parciais. Para datar esses livros, é necessário recorrer a evidências internas ou flashes das narrativas históricas presentes nos livros de Reis e Crônicas.

No entanto, é preciso lembrar que a interpretação dos fatos é um aspecto relevante e, nesse caso, é válido responder aos pesquisadores e defensores dessa linha de pensamento.

Aproximação das Datas Segundo Freeman

Conforme a análise de Freeman, a data aproximada do início do ministério dos profetas literários é a seguinte:

ProfetaData
Obadias845 a.C
Joel835 a.C
Jonas782 a.C
Oséias760 a.C
Amós760 a.C
Isaías739 a.C
Miqueias735 a.C
Naum650 a.C
Sofonias640 a.C
Jeremias627 a.C
Habacuque609 a.C
Daniel605 a.C
Ezequiel593 a.C
Ageu520 a.C
Zacarias520 a.C
Malaquias433 a.C

Lista dos Profetas Maiores e Menores na Bíblia:

5 Profetas Maiores:

  1. Isaías
  2. Jeremias
  3. Lamentações (escrito por Jeremias)
  4. Ezequiel
  5. Daniel

12 Profetas Menores:

  1. Oseias
  2. Joel
  3. Amós
  4. Obadias
  5. Jonas
  6. Miqueias
  7. Naum
  8. Habacuque
  9. Sofonias
  10. Ageu
  11. Zacarias
  12. Malaquias

Os Primeiros Profetas: Obadias, Joel e Jonas

Obadias

O livro de Obadias é uma breve mensagem com apenas 21 versículos, dirigida aos edomitas, descendentes de Esaú, que se aliaram aos inimigos de Judá. Sua data de composição é alvo de debate entre os estudiosos.

Alguns defendem que foi escrito por volta de 845 a.C., relacionando-o à revolta dos edomitas contra Jeorão, rei de Judá. Outros, como Martinho Lutero, sugerem uma data próxima a 585 a.C., associando-o à Queda de Jerusalém pelos caldeus.

A passagem sobre “lançar sorte sobre Jerusalém” pode se explicar pelo envolvimento dos edomitas em uma campanha com forasteiros contra Jeorão. A discussão também se estende à expressão “cativos desse exército dos filhos de Israel”, possivelmente relacionada à deportação para a Babilônia.

Joel

O livro de Joel não menciona explicitamente o período em que recebeu os oráculos divinos. Alguns críticos liberais questionam sua data tradicional de composição, sugerindo uma obra do ano 350 a.C. Entretanto, sua ausência de menções específicas aos reis de Israel e Judá é compreensível, já que Joel era profeta de Judá.

Seus capítulos 2 e 3 são escatológicos, com um apelo nacional para jejum e santificação. Não há menção ao rei porque Joel profetizou durante a regência de Joiada, na infância de Joás, e a idolatria não era o problema principal de Judá naquela época. A referência aos gregos no livro é possível, considerando achados arqueológicos que registram sua presença na região desde o século VIII a.C.

Jonas

O livro de Jonas é uma breve narrativa biográfica ambientada durante a hegemonia de Nínive, quando era uma grande cidade. Sua composição é tradicionalmente datada em 752 a.C.

Jonas era filho de Amitai, um profeta do Reino do Norte durante o reinado de Jeroboão II. Embora a cidade de Gate-Hefer, onde Jonas viveu, esteja localizada na Galileia, seu chamado profético o levou a Nínive para pregar ao povo assírio, oferecendo-lhes a oportunidade de arrependimento e misericórdia divina.

A história de Jonas e a experiência do grande peixe são conhecidas, destacando a importância do arrependimento e da obediência aos desígnios de Deus.

O Quarteto do Período Áureo da Profecia Hebraica

Durante um período de aproximadamente 60 anos, um grupo notável de profetas desempenhou um papel significativo na história de Israel. Conhecidos como o Quarteto do Período Áureo da Profecia Hebraica, eles são Oseias, Isaías, Amós e Miquéias.

Oseias

Oseias proclamou a palavra de Deus durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, além de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel. Seu ministério abrangeu um período de pelo menos 60 anos, considerando a duração dos reinados mencionados. O livro de Oseias é uma mensagem de advertência direcionada especialmente aos edomitas, descendentes de Esaú, que se tornaram inimigos de Judá.

Isaías

O profeta Isaías também atuou durante o reinado dos mesmos quatro reis de Judá mencionados por Oseias. Embora a duração específica de seu ministério em relação ao reinado de Uzias não apareça, é evidente que ele já estava ativo durante o ano da morte do rei Uzias. De acordo com tradições rabínicas, Isaías foi martirizado pelo rei Manassés, o que sugeriria um ministério de mais de 60 anos.

Amós

Amós, originário de Tecoa, na Judeia, foi enviado por Deus para profetizar em Samaria, no Reino do Norte. Seu ministério começou durante o reinado de Uzias, rei de Judá, e Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel. Suas mensagens traziam duras críticas à opressão social e à idolatria, chamando o povo ao arrependimento.

Miquéias

Miquéias, contemporâneo de Amós, também profetizou em Judá, durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias. Seus ensinamentos destacavam a justiça de Deus e a importância da obediência. Miquéias profetizou sobre o futuro exílio e a restauração de Israel, apontando para a esperança em meio às dificuldades.

Contemporâneos e Contextos Diferentes

Isaías e Miquéias, ambos profetas de Judá, são contemporâneos e compartilham algumas profecias escatológicas, indicando uma conexão em suas mensagens. Isaías era um profeta da corte e conselheiro da casa real em Jerusalém, enquanto Miquéias era um profeta do campo.

Por outro lado, Oseias e Amós exerceram seus ministérios no Reino do Norte, em Samaria, enfocando questões específicas da região. Cada um desses profetas deixou um impacto significativo em sua época e contribuiu para o rico legado profético de Israel.

Os Profetas Naum e Sofonias

Naum

O livro de Naum é escrito por um profeta que se apresenta como o “elcosita” ou de Elcos, embora a origem exata seja incerta. Diferentes tradições sugerem possíveis locais de nascimento, como uma cidade chamada Elcos na Assíria, próximo a Nínive, ou uma aldeia na Galileia chamada Elkoseh. Alguns até relacionam o nome de Naum com Cafarnaum, a cidade de Jesus, talvez renomeada em sua memória.

Outra possibilidade é Elcos, entre Jerusalém e Gaza, atualmente Beit-Jibrin. Dentre essas possibilidades, a tradição de Nínive é a mais antiga, mas muitos estudiosos sugerem que Naum pode ter nascido na Galileia e posteriormente se mudado para a Judeia para cumprir o seu ministério profético.

O livro de Naum é uma série de oráculos proferidos contra Nínive, conforme anunciado pelo próprio profeta no início do texto (Naum 1.1). Considerando que Nínive foi destruída em 612 a.C., as profecias contra a cidade devem ter sido pronunciadas antes dessa data.

Naum compara a grande cidade assíria com Nô-Amom, também conhecida como Tebas, no Egito. Naum faz uma previsão da ruína de Nínive, enquanto menciona Nô-Amom como uma cidade que já sofreu seu destino.

Com base nesses dados, a atividade profética de Naum é aceita como tendo ocorrido entre 661 e 612 a.C., após a queda de Nô-Amom e antes da destruição de Nínive. Nesse contexto, a data aproximada do início de seu ministério profético é por volta de 650 a.C.

Sofonias

O livro de Sofonias identifica o profeta como alguém que recebeu os oráculos divinos “nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá” (Sofonias 1.1). Josias reinou entre 640 e 609 a.C., aproximadamente 31 anos, conforme relatado nos livros de Reis e Crônicas.

Embora a informação seja vaga, os eventos descritos por Sofonias parecem se enquadrar melhor ao período anterior à reforma religiosa de Josias, que ocorreu em 621 a.C. quando se achou o “livro da Lei na Casa do SENHOR” (2 Rs 22.8). Antes disso, Josias já havia começado a realizar uma limpeza espiritual no país, removendo ídolos e altares pagãos.

O livro de Sofonias faz denúncias contra a idolatria em Judá e Jerusalém, indicando que, mesmo após o início da reforma de Josias, essas práticas ainda persistiam. Sofonias menciona o culto a Baal, ao deus Moloque dos amonitas e a astrologia, referindo-se aos sacerdotes dessas práticas como “quemarins” ou sacerdotes idólatras. O rei Josias já havia eliminado esses sacerdotes em 2 Reis 23.5, mostrando que a idolatria ainda estava presente em Jerusalém quando Sofonias profetizava.

Com base nessas informações históricas, o início do ministério profético de Sofonias é estimado como pouco antes de 632 a.C., em um período marcado por lutas contra a idolatria persistente em Judá e Jerusalém.

Profetas do Período Babilônico

Neste período, vários profetas se destacaram, trazendo mensagens e oráculos divinos ao povo de Judá:

Jeremias

Jeremias iniciou seu ministério nos últimos anos do império assírio, aproximadamente quando o ministério de Sofonias estava chegando ao fim. Ele afirma que recebeu a palavra do SENHOR nos dias de Josias, rei de Judá, no décimo terceiro ano de seu reinado, o que corresponde aos anos 627 ou 626 a.C. na época em que o rei Josias começou a reinar em 640 a.C.

O livro de Jeremias consiste em uma série de discursos proferidos em diferentes momentos de sua vida, formando uma antologia de capítulos independentes. Ele pregou esses sermões ao povo ao longo de mais de 40 anos, entre os anos 627 e 580 a.C., talvez até uma data um pouco posterior.

A tarefa de datar com precisão cada oráculo jeremiano é desafiadora, mas cerca de 60% deles podem ser datados com base nas informações fornecidas no próprio texto de Jeremias. Os outros 40% são mais discutíveis, mas todos se enquadram no período aceito pela tradição.

Os primeiros 20 capítulos do livro são atribuídos ao período do reinado de Josias, embora algumas partes possam ter sido escritas durante o reinado de Jeoaquim. Já os capítulos 7, 17-20, 21, 25, 35, 45-49 são associados ao período do rei Jeoaquim, e partes dos capítulos 9, 10, 11, 13, 15, 16 e 22 são do período do reinado de seu filho Joaquim.

Durante o reinado de Zedequias, são atribuídos os capítulos 23, 24, 27-29, 32-34, 37, 39, e partes dos capítulos 21, 51 e 52.

Após a destruição de Jerusalém, Jeremias escreveu os capítulos 40-44. O capítulo 52.31-34 menciona o 37º ano do cativeiro de Joaquim, correspondendo ao primeiro ano do reinado de Evil-Merodaque, sucessor de Nabucodonosor, o que equivale a cerca de 560 a.C.

Habacuque

Assim como outros livros proféticos, a introdução de Habacuque não fornece informações sobre o reinado ou a época em que ele recebeu as revelações do Senhor. O livro começa com a declaração: “O peso que viu o profeta Habacuque”. No entanto, alguns detalhes internos nos ajudam a localizar os eventos no tempo.

Josias, o rei de Judá, faleceu em 609 a.C. durante uma batalha contra o faraó Neco, em Megido. Nessa época, a Babilônia estava ascendendo como uma potência política e militar, e o controle da região estava transferindo-se da Assíria para Babilônia. Após a morte de Josias, seu filho Jeoaquim (também chamado de Jeconias) assumiu o trono de Judá. Esse período coincidiu com a ascensão do Império Babilônico sob o reinado de Nabopolassar, pai de Nabucodonosor.

A mensagem profética de Habacuque menciona a ascensão dos caldeus, uma nação amarga e apressada, que marchava sobre a largura da terra para possuir territórios que não lhes pertenciam. Essa referência parece estar conectada ao período histórico em que a Assíria, enfraquecida após a destruição de Nínive em 612 a.C., perdeu sua capital e teve seu território conquistado pelos caldeus, que rapidamente se tornaram a potência dominante da região.

Portanto, com base na mensagem de Habacuque sobre a ascensão dos caldeus em 609 a.C., podemos datar o início de seu ministério nesse mesmo ano. Habacuque provavelmente profetizou durante um período desafiador e turbulento, em meio a grandes mudanças políticas e militares na região. Seu livro oferece uma visão profunda e contemplativa dos caminhos de Deus e do sofrimento humano, tornando-o uma valiosa contribuição para a compreensão da fé e da justiça divina.

Ezequiel

O ministério de Ezequiel começou no quinto dia do quinto ano do cativeiro do rei Joaquim, quando ele recebeu a palavra do Senhor na terra dos caldeus, perto do rio Quebar. Ezequiel, filho de Buzi, era sacerdote e estava entre os exilados levados para a Babilônia. Isso ocorreu em 593 a.C., um momento crucial na história de Israel, marcado pelo cativeiro babilônico.

Durante seu ministério, Ezequiel recebeu várias revelações e oráculos do Senhor. Em uma dessas ocasiões, no vigésimo sétimo ano do cativeiro (cerca de 22 anos após o início de seu ministério), no primeiro dia do mês, ele recebeu outra palavra do Senhor, desta vez relacionada ao rei Nabucodonosor.

Ezequiel foi um profeta atuante durante o período do exílio babilônico. Ele viveu entre seus irmãos exilados, e suas profecias desempenharam um papel significativo em transmitir a mensagem de Deus ao povo cativo. Suas visões e ensinamentos ofereceram esperança, advertência e encorajamento durante esse período desafiador, reafirmando a soberania de Deus sobre as nações e revelando Sua justiça e misericórdia.

Os escritos de Ezequiel são uma parte essencial das Escrituras e fornecem valiosos insights sobre a fé e a relação do povo de Israel com o Senhor durante o cativeiro babilônico.

Daniel

A história de Daniel começa no ano 605 a.C., após a Batalha de Carquêmis, na qual os caldeus, liderados por Nabucodonosor, venceram o exército do Faraó-Neco e expandiram seu domínio sobre Judá. Nesse mesmo ano, Daniel e outros cativos foram levados para a Babilônia, onde ele ingressou na corte como jovem nobre de Judá.

Durante seu tempo na corte, Daniel foi recrutado para a escola de diplomacia babilônica. No entanto, ele manteve sua fidelidade a Deus e recusou-se a comprometer seus princípios. Com sua sabedoria e habilidades, ele logo se destacou como um estadista e conselheiro valoroso para os reis babilônicos, especialmente Nabucodonosor.

Daniel foi um profeta do exílio e testemunhou a queda do Império Babilônico para os medos-persas em 538 a.C. Ele continuou a receber revelações divinas mesmo após esse evento, até pelo menos o ano 536 a.C., no terceiro ano do reinado do rei persa Ciro.

As profecias registradas no livro de Daniel são incrivelmente precisas e abrangem eventos futuros que se estenderam por séculos, incluindo detalhes sobre a vinda do Messias. Suas visões proféticas também incluem referências ao “abominável da desolação”, mencionado pelo próprio Jesus como uma profecia de Daniel.

Daniel é uma figura crucial na história de Israel e das nações do Oriente Próximo, sendo conhecido por sua integridade, sabedoria e dedicação a Deus. Suas profecias inspiradoras e sua história de lealdade e fé têm sido uma fonte de esperança e encorajamento para inúmeras gerações.

Ageu, Zacarias e Malaquias: Profetas Pós-Exílio

No período persa, após o retorno do cativeiro de Judá, surgiram três importantes profetas: Ageu, Zacarias e Malaquias. A supremacia do Império Persa durou aproximadamente 200 anos, desde Ciro, em 538 a.C., até a derrota de Dario III, o Codomano, por Alexandre, o Grande, em 331 a.C. Dez reis reinaram durante esse império.

Em 538 a.C., o decreto de Ciro, rei da Pérsia, pôs fim ao cativeiro de Judá, cumprindo a promessa divina feita pelo profeta Jeremias (Jr 25.11; 29.10). O imperador ordenou a reconstrução do Templo de Jerusalém, e os exilados retornaram ao ano seguinte. Dois anos após o decreto, a construção do templo teve início (Ed 3.8). A obra, no entanto, enfrentou oposição de inimigos dos judeus, e com a morte de Ciro, em 529 a.C., seu sucessor, Cambises, embargou o projeto.

Ageu e Zacarias

Ageu e Zacarias receberam a comissão divina de exortar o povo a retomar a construção do templo (Ed 5.1). Em 520 a.C., o “ano segundo do reinado de Dario, rei da Pérsia” (Ed 4.24), Dario I, a obra estava embargada. Ageu datou claramente seus oráculos, mostrando que recebeu as mensagens divinas em um período de quatro meses nesse mesmo ano (Ageu 1.1; 2.1, 10, 20). Pouco tempo depois, Zacarias começou a receber visões de Deus (Zacarias 1.1).

Malaquias

Malaquias é um livro que não revela a origem, período ou local específico do ministério do profeta. Evidências internas sugerem que o templo já havia sido construído, mas o sistema levítico estava comprometido, e os padrões morais haviam enfraquecido (Malaquias 1.7-10; 2.10-17; 3.10). Esse contexto moral se assemelha aos últimos anos da administração de Neemias, mas a situação de Malaquias é posterior.

Nesse período, o povo estava sob o domínio persa, e o termo “governador” usado no livro (Malaquias 1.8) refere-se a diversos oficiais persas mencionados nos livros de Esdras, Neemias e Ester. A data de 433 a.C. para o início das atividades do último profeta canônico é aceitável, mesmo para os críticos liberais.

Equipe Redação BP

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